Apesar de não conhecer muito bem meu novo amigo Toni, eu sabia que ele era corajoso. E eu esperava, do fundo do meu coração, que ele também fosse cavalheiro, pois eu estava me borrando de medo.
Eu não fazia ideia de como seria a força daquela criatura que estava habitando a casa da minha amiga.
Eu não sabia o que fazer pra entrar na casa, não sabia como lidar com aquele ser, mas eu sabia que precisava de um plano e rápido.
Meu coração martelava entre minhas costelas, e eu sentia que poderia ter um ataque cardíaco a qualquer momento. Não era hora para ter medo. Eu precisava engolir o pânico que estava me assombrando. Eu precisava ser forte, por mim, por Ayko, por Emilly, Lolla, Floco de neve, Charllote e Sam. Elas contavam comigo. Meus pais esperavam por mim à menos de duzentos metros de distância daquele lugar. E eu não podia falhar com eles também. Precisava ser forte.
Mas eu não pude.
Só tinha dezesseis anos. Estava no segundo ano do ensino médio. Aquilo tudo era cruel demais. Exigir de uma adolescente tamanha maturidade, era algo maldoso demais, até para o mundo em que vivemos.
E então, a crise de ansiedade me venceu e me desmontou.
O calor, o suor, a provável taquicardia, a falta de ar, a tontura... sensações que eu não conhecia bem, mas sabia o que significavam, porém, geralmente eu era a pessoa que via alguém sofrer uma crise de ansiedade. Eu nunca fora a vítima.
Ayko que conhecia tão bem os sintomas, percebeu que meu corpo e meu psicológico não foram fortes o suficiente para aguentar a situação. Eu não conseguia pensar, eu só sentia. Eu sentia tudo e sentia muito.
Ayko se adiantou e pegou minha mão, afastou meus cabelos do meu rosto, colocando-os, delicadamente, atrás de minhas orelhas.
-Calma amiga, você precisa respirar, lembra? É como faz comigo. Inspira pelo nariz e expira pela boca. Fecha os olhos.
E aos poucos fui me acalmando, minha respiração voltando ao normal, o coração, a falta de ar e a tontura também.
E conforme voltei ao meu normal, minha cabeça também começou a trabalhar em como eu poderia resgatar os bichinhos da minha amiga. O problema é que eu não enxergava uma saída. Não sabia o que fazer sem me colocar em risco, sem colocar a vida de Toni, em risco e sinceramente, eu preferia que acontecesse algo comigo, ao invés de com meu novo amigo e a minha amiga que conheço há três anos. Eu não estava disposta a perder ninguém.
-E se atraíssemos ele para a cozinha? - Toni pareceu despertar de um transe- Tem como trancar ele na cozinha e entrarmos pela sala Ayko?
-Até tem, mas alguém teria que ficar na cozinha com ele, atraindo a atenção dele e outra pessoa entrar pela sala e fechar a porta da cozinha, é uma porta Camarão então vai fazer um pouco de barulho, precisamos ser rápidos.
-Certo, como vamos nos dividir? Eu atraio o senhor Watanabe então?
-Tem certeza amiga?
-Certeza eu não tenho. Mas eu sei que eu preciso fazer alguma coisa, ou a gente não sai daqui hoje.
-Tudo bem, só toma cuidado, por favor.
-Pode deixar.
-Então, deixa eu ver se eu entendi, você vai atrair o bichão e eu fecho a porta, certo?
-Certo.
-E não tem a possibilidade de ele abrir essa porta?
-Por dentro da cozinha? Acho que não, a não ser que ele puxe a porta...pelo que eu vi em vídeos, eles só empurram. Mas se quiser, você pode puxar o rack pra frente da porta, não é muito pesado, e caso ele escape, vocês vão ouvir...
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Diário do apocalipse: Não Deixe Que Te Mordam.
Science FictionO mundo caminha para seu fim assolado por criaturas resistentes e que agem somente com o instinto de se alimentar e infectar mais pessoas. O mundo todo acabando, e o Brasil, ao invés de se proteger, manteve todas as coisas funcionando normalmente. ...