Meu herói🦋

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— Capítulo 17

                                •••

Kalleb? — Pronunciei tossindo e quase sem voz, assim que ele me soltou.

— Quem é você para surgir com essa moral toda? Baixa a bola e espera chegar a sua vez, meu chapa! — Disse o Gabriel enfrentando-o.

— Marrento você, né? Lamento lhe informar, mas essa garota já tem dono. — Apontou para mim com a cabeça.

— Sério? Posso saber quem? — Sacudiu os braços olhando para os lados.

— Satisfação, Kalleb Mohammed, o próprio. — Entendeu a mão tranquilamente com um ar de autoridade.

— Hum... você? Hahaha! — Sorriu sarcástico.

— Qual a graça? — Indagou, não perdendo a postura.

— Acho melhor dar meia-volta, tiozão. Essa piranha aqui no momento está ocupada, eu pagarei por ela, sacou? Porque não procura outra? Se quiser, pode ficar parado aí assistindo a nossa foda.
Te Permito sem problema algum! — Moveu-se pretendendo me pegar a força.

— Se ousar encostar esses dedos podres nela de novo, eu arranco um por um e enfio todos bem no centro do seu rabo, seu frangote! — Se exaltou, bufando de ódio.

— Do que você me chamou, seu filho da puta? Repete se quiser que eu quebre essa sua cara de porcelana! — Ameaçou, fechando o punho.

— Não costumo falar duas vezes. Está esperando o quê? Seu palerma! — Desafiou.

— A é? Vou te mostrar no que dar bancar o guarda-costas, seu bundão! — Partiu para agressão.

Em questão de segundos, eu estava diante de uma luta corporal.
O Kalleb deu dois socos firmes no rosto dele que o fez cambalear para trás. Em seguida, se atracaram e começaram a se esbofetear, destruindo todo o quarto.
Eu era totalmente contra todo tipo de violência, mas não deixei de torcer pelo Kalleb, que até no meio de um combate era digno de aplausos por tamanha valentia e bravura.
O Gabriel não passava de um coitado ao levar vários golpes sem poder se esquiar ou acertar algum.

Antes que eu pudesse gritar para alguém apartar aquela briga.
A Morgana e seus seguranças apareceram no exato momento.

— O que está acontecendo aqui? Parem agora! — Ordenou ela desesperada.

— Boa noite, senhorita Morgana! Só vim buscar o que é meu por direito e infelizmente tive que ensinar uma lição a esse garotão.
Perdoe-me pelo transtorno. Mas o pior seria se eu não tivesse aparecido no momento exato em que ele abusaria da sua mercadoria.
Afinal, temos um trato, não é mesmo? Paguei pela virtude dela e veja só, acabei lutando por isso. Que ironia, né? — Disse ele, levantando intacto, sem um fio de cabelo desalinhado.

— Sim, claro! Fez muitíssimo bem. Sou imensamente grata. Mas não achei que o senhor viria hoje, não me avisou da sua ilustre e inesperada visita e me pegou totalmente de surpresa.
Pensei que tivesse em reunião... 

— Mudança de planos. Decidir de última hora dar uma rápida passadinha por aqui.
Algum problema?

— Não, nenhum! Foi bastante útil e sabe que é sempre bem-vindo. Desculpe-me pelo constrangimento...
o senhor está bem? Quer tomar um chá em meu escritório e conversar um pouco?

— Melhor impossível!
Guarde o chá para outra ocasião.
Suponho ser de fundamental importância examinar o comportamento desses moleques mal educados, antes de recebê-los no seu prostíbulo ou pode espantar toda sua clientela. — Alertou, preocupando-a.

— Pode deixar! Não sei bem como isso ocorreu, mas garanto que não se repetirá.

— Assim espero. Com licença! — Deu dois passos até a porta.

— Senhor Mohammed, não levará essa puta com você?

— Chame-a pelo nome, por favor! E sim, peça para levar a JÉSSICA a minha residência às 8:00hrs. Irei à frente. Tenha uma boa noite! — Saiu elegantemente.

O Gabriel se contorcia no chão de dor, com as mãos na barriga e os dois olhos roxos.

— O que houve aqui? Na verdade, nem precisa dizer... Como sempre, tinha que ser você né, sua encrenqueira? — Me encarou com desprezo.

— Eu só estava fazendo o meu trabalho, senhorita Morgana.

— Larga de ser mentirosa Jéssica! Conta para ela que estava pretendendo fugir e queria que eu te ajudasse a rever aquele seu pai prepotente e a sua irmã metida a advogada. — Interferiu ele, se levantando.

— Quer dizer, que vocês se conhecem? — Perguntou ela, enrugando a testa.

— Não.  — Neguei de imediato, temendo que o pior acontecesse.

— Sim. Eu era o namorado dessa ordinária. Até chorei pensando que ela estaria morta, acredita? — Disse, sem ter ideia de que literalmente cavou a própria cova.

Por mais que eu tivesse com muita raiva dele pela pessoa escrota que se denotou através das palavras duras e sobretudo, da atitude imperdoável que teve, não quis que algo ruim lhe acontecesse.

— Levem ele daqui e tranque-o no porão! — Pediu ela, sem pensar duas vezes.

— Peraí... mas... porque? Não deveria ser ela que teria que ser punida?
Me soltem, suas bichas miseráveis! — Exclamou, sendo contido pelos seguranças.

— Não, por favor! O deixem ir! O que farão com ele? — Gritei aflita.

— Já ouviu falar em queima de arquivo?
O seu namoradinho sabe de muita coisa e pode arruinar os meus negócios se der com a língua nos dentes sobre o seu paradeiro.
Precisa ser eliminado!

— Ele não fará isso. Não viu que não se importa comigo?
O Gabriel jamais ajudaria a minha família na minha busca. Por favor, senhorita Morgana, tenha um pingo de compaixão! Ele é só um garoto mimado que veio em busca de aventuras. — Implorei, com o rosto encharcado de lágrimas borrando toda a maquiagem.

— Não sabe como me dói dizer isso, mas não sou a fada dos dentes para conceder desejos.
Agora suma da minha frente e se prepare para ir à casa do Mohammed! Tomara que ele te der um trato bem-dado.
Eu já estou de saco cheio das suas encrencas e te ver sofrer me causará um grande alívio! — Rangeu os dentes.

Voltei desalentada para o salão, com um peso desmedido nas costas que era o fato de saber que matariam alguém por minha causa.

— Jéssica, o que houve? Que agitação toda foi aquela lá em cima? Você está bem? — Perguntou a Yuna, vindo até mim.

Entretanto, foi respondida com apenas um suspiro.
Cruzei a porta e entrei na limusine, como se minha alma não tivesse mais em mim.
Encostei minha cabeça na janela olhando o carro se distanciando do bordel enquanto as lágrimas escorriam no meu rosto como uma cachoeira.

Continua...

Me chame de puta! ( CONCLUÍDO)Onde histórias criam vida. Descubra agora