Capítulo 7

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Preciso ficar

Essa foi uma das minhas missões da Terra que eu mais precisei ficar. Na verdade, eu gostaria de ficar para sempre, porém eu sabia que até as coisas mais belas podem ser destruídas.

Eu nasci em uma família bem simples no Estado da Bahia no nordeste do Brasil. Mas após meu nascimento, minha família se mudou para Tocantins, e com 6 anos eu fui para o Rio de Janeiro. Com 7 anos de idade eu me identifiquei como Pseudotetor-pro.
Mas a dificuldade maior além da crise horrível que minha família passava, foi saber que meu Tegido-pro morava na Paraíba. E da capital do Rio de Janeiro até Campina Grande, que é uma cidade lá do Estado da Paraíba, eu teria que percorrer mais de 2.021 km de distância. Como é que eu vou chegar lá antes que meu Tegido-pro faça 17 anos? E se eu não chegar a tempo, o que acontecerá comigo?

Para ser bem sincero, eu nunca fiquei tão longe de um Tegido-pro, essa é a primeira vez que fiquei a mais de 500 km. Não sei como lidar. E me surge a pergunta que mais gera medo. E se eu não chegar a tempo de me aproximar. Caso eu nunca consiga chegar lá. O que vão fazer comigo. Será algo ruim como me destruir, ou apenas uma punição a altura.
Eu apenas queria saber. Se os comandantes não sabem o que fazemos na Terra, como eles sabem se nós não chegamos a tempo no nosso Tegido-pro?
Por mais que tenhamos certeza da força que possuímos, teremos medo.

Comecei a trabalhar desde cedo e arrumar bastante dinheiro, economizando a maior quantia que eu podia. Fiquei preso nessa função, trabalhar e juntar toda a verba possível. Quando eu completei 15 anos eu já tinha bastante. Fiz contato com pessoas de grandes empresas da Paraíba e garanti uma vaga ao meu pai. Tive que usar de argumentos em que lá no nordeste a vida era bem mais fácil, além de que aqui na cidade onde moramos tem muita violência. Eu não menti quando falei isso, entretanto tudo isso fazia parte de uma manipulação para que eu pudesse me aproximar do meu Tegido-pro.

Com 16 anos nós formos morar em Campina Grande. E com 18, minha mãe me matriculou na escola onde a meu Tegido-pro estudadava. Ela aínda me perguntou se eu tinha certeza que era essa a escola que eu queria estudar. Mas era claro que estava óbvio. Entretanto minha casa ficava muito longe dessa escola, e eu tinha que pegar um ônibus. O cheiro do meu Tegido-pro estava perto, porém eu não sabia o local exato, só tinha certeza que estava perto dele. Perto o suficiente. Mas ele já tivera 17 anos. Eu cheguei em cima da hora, mas pelo menos eu cheguei.

Depôs que minha família se organizou na cidade de Campina Grande, eu fiquei muito feliz, eles se apegaram bastante ao lugar, o que facilitou para minha missão. Tudo estava ocorrendo bem. Até que eu resolvi ir ao meu primeiro dia na escola.

Eu estava um pouco nervoso. Mesmo depôs de tantas experiências na Terra, parece que nada muda muito, e nós continuamos com o nervosismo estampado no rosto.
Mas, alguma coisa me fez arrepiar quando pisei o pé do lado de fora da minha casa. Eu estava pronto para ir a praça local. Esse arrepio que senti veio tomado de um sentimento que os seres humanos custumam falar muito; o sentimento é a saudade; a falta de alguém ou de alguma coisa, essa ausência acaba causando uma dor, e muitas das vezes não sabemos se realmente é bom ou ruim sentir saudade. É tão ruim ao ponto de te fazer desistir de muita coisa para matar essa sensação, e ao mesmo tempo ela é boa o suficiente para que você deduza que se está sentindo a falta, é porque tal coisa é especial o suficiente para te deixar necessitado de sua presença.

Eu estava sentindo falta de Alexa, falta da sua voz, das suas diversas vozes que um dia existiu, do seu jeito de me dar brocas e da sua maneira meiga e bipolar de agir em situações tênues.
Estava com saudade dos seus olhos roxos, da sua voz leve como bodas de nuvens nem tão carregadas, do abraço docente que me paralisava como a anestesia mais submissa.
De tudo que ela já passou por minha causa, das coisas que ela desistiu apenas por um pedido meu. Da implicância em me fazer entender as verdades. E principalmente da sua compreensão. Alexa é inteligente, e eu acabei me apegando, ela me escuta e me entende, ela não me julga, apesar de chata, ela não joga as coisas na minha cara como se eu fosse um ser sem sentimentos. Ela se põe no meu lugar, ela acabou me salvando desse tédio. Encontrá-la é como ver uma nuvem de Nebulosas planetárias. Não importa quantas vezes eu farei. Mas sempre vai me surpreender com sua presença, não importa onde, quando ou como. Ela faz falta, e é nela que eu penso todos os momentos.

PARA VOCÊ, POR VOCÊ E COM VOCÊOnde histórias criam vida. Descubra agora