AJUSTES FEITOS AO ENREDO: Jade não tem mais a profissão de policial, isso foi REMOVIDO. Se por acidente em algum lugar ainda estiver constando essa informação, apenas desconsidere.
Quando Jade voltou para aquela sala, não podia ser muito tempo depois, porque ainda não havia anoitecido e todo o cômodo estava tomado por amarelo.
Brasas incandescentes eram tudo que tinha restado na lareira, e o barulho forte de chuva foi substituído por gotas caindo da calha, ou das folhas das árvores do lado de fora.
Era a luz do sol de verão que tinha retornado pela última vez no dia, e entrava pelas janelas, fazendo feixes de luz no ambiente.
Aquela pessoa estava sentada, no parapeito estendido, com os joelhos levemente dobrados recolhidos para perto do corpo, e as mãos apoiadas, virado para os vidros com gotas de água ainda correndo para baixo, e a rua do lado de fora, com o corpo totalmente coberto, apenas o rosto exposto para a luz que logo acabaria, quando a noite chegasse.
O livro aberto no colo dele tinha a foto de uma flor roxa e amarela, que lembrava margaridas, com o nome destacado.
Áster.
Jade pensou que o nome dele significava astro, mas no fim das contas parecia ser na realidade sobre uma flor rasteira e bastante comum.
Amarelo cobria a sala com aquela luz, e roxo foi visto por Jade quando o outro abriu os olhos, lhe encarando quase imediatamente, fazendo com que parasse a ação no caminho.
Enquanto estudava, viu a realidade de vida das pessoas morando nos cortiços e casas populares, trabalhando nas fábricas e maquinarias ele pensou que realmente era como Santiago tinha dito, e que ele seria de grande ajuda, e ainda assim tudo tinha acabado daquela forma.
Mas ele não tinha saída. A menina podia acabar não sendo encontrada, e Áster tinha policiais em seu encalço mesmo não sendo culpado de nada.
O próprio olhar afinco de Áster ao acordar, suavizando ao olhar para ele, também assinalava como um forte motivo.
Não importava o que falasse, como Jade acreditaria que Áster não confiava nele, ao menos um pouco?
E se não fosse sobre confiança, havia uma pitada de expectativa sobre alguma coisa, salpicada naqueles olhos.
No fim das contas, Áster não era alguém a quem ele pudesse ignorar, por um motivo ou outro.
A luz contra o vidro formava um arco-íris, e devia ter refletido na pupila de Áster, porque ainda coloria seu rosto naquele momento, enquanto sua aparência era pacífica ao acordar, até que se situasse, piscando algumas vezes e tirando as pernas da janela, deixando que o mais novo ocupasse o lugar ao seu lado.
Jade deu um pequeno sorriso, antes de pegar o livro para ler aquela página por um momento.
— Quem te ensinou sobre botânica e jardinagem? — Kader perguntou suavemente depois de ler um pouco mais daquela página — Sua mãe?
O mais velho coçou a cabeça antes de pender para o lado, esse homem era perspicaz, mas nem sempre entendia como — Por que essa é a sua aposta?
— Porque... você não age como se fossem bebês dos quais cuida, é um amor diferente, mais enraizado, mas ainda assim é como uma assistência ao mesmo tempo que é uma paixão. E... Pelo seu nome.
O de cabelos longos lhe encarou — Você gasta muito dos seus neurônios nessas coisas. Você fez sua ligação?
Jade suspirou massageando o próprio ombro por um segundo, fechando o livro com uma expressão difícil — Isso pode ser deixado de lado.
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A Queda de Áster
Fantasía18+ Áster é um mágico e ilusionista trambiqueiro de primeira linha que viaja com seus amigos de volta à sua antiga cidade com o circo, o Arcana, no entanto suas intenções vão além de fazer apresentações e shows. Quando um objetivo obscuro assombra...