Eu preciso de você! (+18)

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Pov Flávia

Eu estava cansada. Como poderia parar de pensar nele? Meu corpo estremecia só de lembrar do seu cheiro e dos beijos que nós demos. Eu sentia minha perna bambear ao pensar naqueles olhos que pareciam penetrar a minha alma toda vez que me olhavam. Mas de que adianta pensar nisso? Ele ainda ama aquela mulher, mesmo que eu saiba que esse casamento foi um fracasso e eles já estejam divorciados. Eu preciso esquecer ele de qualquer forma. Não posso continuar a me torturar a tal ponto.

Com tudo isso na cabeça ainda precisava trabalhar, então coloquei minha peruca rosa e subi no pole dance. Comecei minha apresentação sem conseguir manter meu foco. Após alguns movimentos, olhei para a plateia e então o vi. Meu coração me denunciou na hora, errando a batida, como sempre fazia quando ele estava por perto.

Guilherme estava lindo, tudo desajustado e não parava de me olhar. Mesmo com a consciência gritando para que eu parasse, não resisti e decidi que iria o provocar um pouco, como sempre fazia, mas dessa vez de uma forma diferente. Comecei a me movimentar de maneira mais sensual, tocando em meu próprio corpo sem tirar os olhos dele, que pareciam brilhar diante de mim.

Rodei mais uma vez na barra e abri as pernas formando um espacate perfeito, recebendo muitos aplausos, inclusive os dele, que me acompanhava em cada movimento com o olhar.

Desci do palco e fui direto em sua direção, precisava saber o que ele estava fazendo ali.

— Posso saber o que o Doutor faz aqui? — indago perto de seu ouvido, me inclinando sobre ele, que estava sentado em uma mesa mais reservada.

— E-eu precisava te ver... — Ele responde gaguejando, parecia nervoso com a minha aproximação, gosto disso.

Decido me sentar ao seu lado e coloco minhas mãos sobre as suas, que estavam na mesa. Ele pareceu ficar tenso com o toque e me olhou profundamente com uma expressão indecifrável.

— O doutor querendo me ver? Aconteceu algo? — Falo com um sorrisinho sarcástico no rosto.

— Eu não consigo mais... — Guilherme falou rápido e um tanto alto. Tirei minhas mãos das suas no susto.

— O que tá acontecendo, Guilherme? Não consegue o que? — Pergunto ainda assustada.

— Eu sou uma fraude, vivo em um monte de mentiras, não consigo mais fingir. — Falou unindo nossas mãos novamente. Seu toque era afoito, ele parecia desesperado.

— O que você está querendo dizer? — Questiono ainda sem entender.

— Eu vivo em uma ilusão, Flávia. Como pude ser tão burro por tanto tempo? Tudo, absolutamente tudo que eu tinha certeza na vida, são mentiras que eu mesmo criei na cabeça. Meu casamento foi um fracasso. Eu nunca nem amei a Rose de verdade, só era obcecado, pois sabia que ela não me amava. Acho que não conseguia lidar com isso e tentava fazer de tudo pra ela me amar. Ainda bem que esse divórcio saiu, pois não estava certo manter algo que não deixava ninguém feliz. Eu sou egoísta, prepotente e até mesmo um idiota na maioria das vezes. Eu fui um completo idiota com você... — A voz de Guilherme ia sumindo, ele estava com os olhos marejados e em um impulso o puxei para meus braços, o abraçando da melhor forma que consegui. Nunca tinha o visto assim, tão vulnerável.

— Guilherme... Por favor, se acalma.

Ele encostou sua cabeça perto do meu coração, com certeza ouviria como estava acelerado. Comecei então a fazer carinho em sua cabeça, pensando que assim ele pudesse relaxar um pouco.

— Você é boa demais pra mim, sabia? Eu vim te procurar porque de tudo o que eu te falei, a única verdade que eu sei que carrego é esse sentimento por você. Não sei o que é, mas não consigo parar de pensar em você. Nunca me senti assim. — Ele falou levantando a cabeça pra me olhar, estava bem perto, um palmo de distância, podia sentir seu hálito de menta misturado com uísque, uma combinação perfeita, diria.

The spark - Oneshots FlaguiOnde histórias criam vida. Descubra agora