Os dias correram, aparentemente, mais rápido do que o habitual. Faltando penas duas semanas para o casamento, Marion e Adam pareciam muito mais nervosos e ansiosos do que antes. A barriga de Stacy parecia estar a ponto de explodir a qualquer minuto e Conner estava, a cada dia, sendo menos... "Conner". Sarah e Andy, apesar da última ainda ser um tanto retraída, parecia que faziam parte da família por anos. De vez em quando, o noivo de Marion e sua vizinha se desentendiam, devido a vez que o homem ameaçou o emprego de Andy. Desde então, as coisas entre ele e Sarah começaram a ficar ainda mais difíceis.
Marion ainda se encontrava com Henrique com a ajuda de Sarah, mesmo que o noivo não aprovasse muito a ideia. Como ela sempre sabia os passos do pai, Davies não fazia ideia. Certo, ela poderia simplesmente invadir o telefone da vizinha e descobrir, de uma vez por todas, se a mulher mentia, ou não, para ela, mas preferiu dar seu voto de confiança. Marion gostava e considerava Sarah, portanto não queria correr o risco de se decepcionar. Os encontros com Henrique sempre eram em lugares movimentados, a fim de evitar qualquer má intenção do homem. Mesmo com o tempo, ainda era difícil para Marion estar perto do homem e, geralmente, isso ocasionava uma série de lembranças — as quais a assassina daria tudo para poder esquecer. Entretanto, havia vezes que se encontravam acidentalmente na casa da filha do sujeito. Henrique alegava estar feliz por Sarah querer se aproximar dele outra vez e Marion ficou satisfeita pela ex-presidiário pensar assim.
Certa tarde, durante o chá das cinco que viviam fazendo, Henrique resolveu aparecer de repente na casa da filha. Se era a intenção do homem surpreender a todas, o canalha tinha conseguido.
— Poderiam jantar lá em casa qualquer dia desses. Faço questão — Henrique anunciou depois de morder um pedaço de biscoito.
Sarah respirou fundo ao ouvir a voz do pai mais uma vez, pois, embora tivesse ali poucos minutos, a mulher não aguentava estar no mesmo ambiente que ele.
— Por que não deixa de ser tão inconveniente? Será que não percebe que ninguém aqui gosta da sua presença? — Ela disparou, soltando a colher de chá no pires. — As meninas podem até serem educadas e não te mandar calar a boca, mas a verdade é que ninguém aqui suporta ouvir a sua voz e, tão pouco, te querem aqui.
Henrique arregalou os olhos diante das palavras da filha. Se ficou abalado, ele não demonstrou. Apenas exibiu os dentes para a filha e encarou suas amigas, especialmente sua namorada.
— Sabe, minha doce Andy, espero que um dia você abra seus olhos e dê o fora, antes que ela comece a te tratar assim também. Por acaso, ela já te contou da amiga — ele frizou — que morreu nos braços dela? Se não quiser ser a próxima, é melhor meter o pé de uma vez.
Um silêncio incômodo pairou no ambiente. O chá e os biscoitos dispostos à mesa do jardim já não estavam mais tão apetitosos como antes. Andy não atreveu olhar para Sarah, apenas para não confirmar se o homem falava, ou não, a verdade. Stacy e Marion se remexeram desconfortáveis em seus assentos.
— Cale a boca seu verme maldito — cuspiu Sarah. — Você não tem a mínima ideia do que está falando.
— Não tenho mesmo, Sarah? — Henrique sorriu como se estivesse pronto para pontuar todos os pontos fracos da filha. — Sabe o que mais me faz rir mais tudo? Todos aqueles que você mais ama, acabam morrendo. Desde criança, você parece ser um anjo da morte.
— Cale a porra dessa boca! Saia agora da minha casa — Sarah gritou, perdendo o controle de si. O pai não se deu por satisfeito.
— Primeiro foi sua mãe. Não sei se lembra, mas no dia em que ela morreu, tínhamos brigado por sua causa. Você sempre foi uma menina tão imprudente... Ela estava te defendendo, dizendo que tudo o que aprontava era um pedido de socorro pelo jeito como eu agia em casa — o homem torceu o nariz com deboche. — No dia em questão, você tinha desenhado em todas as paredes do meu escritório e tenho certeza de que iria colocar a culpa no seu irmão. Pois bem! Charlotte morreu por sua culpa! — Quando Henrique percebeu que a filha nem sequer conseguiu segurar as lágrimas, um sentimento de vitória o invadiu. — Como se não bastasse, anos depois uma dessas suas vadiazinhas morreu em uma troca de tiros, na qual você estava no meio. Preciso dizer quem foi que a atingiu?
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Assassina de Luxo [Concluído]
Roman d'amourUma infância destruída pelo melhor amigo de seu pai. Durante muito tempo, Marion sentiu vergonha de si mesma e do seu corpo depois de tudo o que aconteceu. Jurou nunca confiar em ninguém que tentasse se aproximar dela. Mas o tempo passou e ela cresc...