Em alguns momentos da vida, nossas reações se ligam como um interruptor de luz, para acender ou apagar. Mover ou permanecer inerte.
E quando se liga um interruptor que funciona, nada irá impedir que a luz se espalhe ou que seja completamente apagada, no momento em que o botão é pressionado.
Ele começou a se mover rapidamente, correndo sobre os saltos que espalhavam a água no caminho, os olhos de visão baixa se esforçando para encontrar os dois no momento em que virou para a próxima rua, outra e mais uma, seguindo os dois, com apenas um pensamento fixo.
"Por que não desce para descobrir?"
A voz do menino ecoava em sua mente, quando percebeu que o mesmo que espancou Lisandro, poderia ser alguém começando a capturar crianças pela cidade, e aquela garotinha já era a segunda. A distância ainda era o suficiente para que estivesse incerto, mas o rosto coberto de preto com relevos de uma máscara não deixava muitas outras hipóteses.
No fim da rua, via o homem seguir com a menina, prestes a entrar no galpão, o mesmo em que esteve, semanas atrás.
A menina ainda estava com ele.
Obrigou o próprio corpo a se destravar, quando se pôs a correr naquela direção, descendo a rua de bloquetes apressado mesmo com os saltos, seus cabelos perdendo o laço quando começou a manipular energia nas mãos, que agitava os fios os levantando lentamente, como se fosse por estaticidade.
O outro era rápido demais, porque mesmo correndo seu único rastro deixado foi a porta rangendo do armazém, de forma que o Mágico tivesse que se apressar ainda mais, porque se parasse para pensar, seu corpo se fixaria no lugar, não deixando que desse mais nem um passo e parando de registrar corretamente o que estava acontecendo, como foi no episódio com Lisandro.
Não esperou ser atacado quando chegou até a porta, mirando suas cartas laminadas para tentar machucar quem estava se escondendo no escuro.
Mas quem quer que fosse estava bem ao seu lado parado na entrada do galpão, e o puxou pela cintura para empurrar contra uma das pilastras.
Áster, que não registrou a presença de imediato, ainda conseguiu evitar atingir o concreto com a cabeça como seria, usando o próprio empurrão como impulso para saltar uma das caçambas se colocando do outro lado e tentando apurar a visão.
Acontece que seu oponente não lhe dava nem um segundo para pensar, mesmo depois de evitar o impacto ele ainda foi puxado de volta e lançado contra os manequins parados ali, de forma que perdesse totalmente sua estabilidade tentando se apoiar em algum deles recuando várias vezes.
E os passos vieram em sua direção, a silhueta contra a luz da abertura do galpão parecia grande e densa — Aonde a menina está?! — Áster gritou, tentando chamar as cartas de volta ou pensar em qualquer coisa, mas ainda em choque e sem sentir sua energia fluir normalmente, uma vez que comer, dormir ou meditar propriamente nos últimos dias foi impossível. Sua flexibilidade era boa, então pensou em erguer a perna a esticando completamente, para tentar chutar a cabeça de quem quer que fosse, e foi o que fez.
No entanto, seu vetor de força era bagunçado, ele teve seu calcanhar abruptamente agarrado antes de ser lançado no chão de volta, e a distância ganha entre o oponente foi perdida, quando ele se aproximou e cercou seu tronco com o braço.
Áster só entendeu o que ele queria, quando foi simplesmente impulsionado em direção ao montante de caixas ali, seu corpo indo de encontro a madeira e restos de construção num impacto extremamente forte, antes que rolasse para o outro lado, incapaz de se levantar de imediato.
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A Queda de Áster
Fantasy18+ Áster é um mágico e ilusionista trambiqueiro de primeira linha que viaja com seus amigos de volta à sua antiga cidade com o circo, o Arcana, no entanto suas intenções vão além de fazer apresentações e shows. Quando um objetivo obscuro assombra...