06 - Castigos são presentes

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    O gotilhar do teto me irritava cada vez mais, minha paciência lutava por mais alguns instantes para que pudesse seguir com meus planos, um suspiro fundo pudia ser ouvido do outro lado do galpão, o pobre garoto que mal sabia o que esperava por ele respirava ofegante desde que acordou tendo somente esse som cansado e assustado acompanhando cada gota que caia no balde cheio d'agua em sua frente.
  Já fazia alguns minutos que ele havia parado de pergunta, "onde eu to?" "tem alguém ai?" "Quem são vocês?". A mesma palhaçada de sempre.

— L-Lia... Já estamos aqui a quase uma hora... Vamos logo com isso! - Max fala baixo no pé do meu ouvido.

— Shi! Relaxa... Podem ir se quiser mas vão perder a melhor parte!

— Melhor parte?

Apontei com o olhar o garoto em desistência total, sua respiração estava mais regulada e ele parecia com frio, a adrenalina do medo estava passando aos poucos e claro, ele já achava que tinha sido deixado ali para morrer e ia tentar fugir em algum momento.

— O que vai fazer? - Max me olha.

Sem responder,, caminhei cuidadosamente até o balde de água, ele logo notou o movimento mesmo estando vendado esperei um pouco olhando bem, as roupas, sapatos e até o cheiro enjoativo de perfume que aquele garoto usava.

— Esta com frio? - perguntei.

— Q-Quem d-disse isso?! - Ele diz assustado.

  Joguei a água fria do balde por cima de sua cabeça lentamente, o susto foi imediato sua respiração voltou a  ficar descompassada, ele se debateu na cadeira buscando por ar e da minha bota com salto pequeno retirei minha linda adaga de cabo vermelho e lhe fiz um corte superficial na coxa esquerda, seu grito preencheu meus ouvidos de forma prazerosa.

— Isso, continue se debatendo, isso vai fazer você se soltar da cadeira com certeza! - Ri ironicamente.
Retirei a venda do garoto, e vi seus pares de safiras, olhos azuis tão claros e tão pouco notáveis com a pupila dilatada.

— Ah droga... - Ele Vê a face da máscara e reconhece de imediato, senti o estremecer de seus nervos ao me olhar tremendo, agora não só de frio.

— Olá! Seja bem vindo a nossa seção de diversão com a Fúria, não se acomode tanto não vai ser um passeio seguro e nem mesmo indolor!

— Você não pode fazer nada comigo! Não se atreva, por acaso sabe quem eu sou?!

— Ah bobinho, eu não dou a minima, eu só me importo com o grande presente que vou te dar!

— P-presente?

— Isso! Um presente, não acha que merece um presente? - Tombei calmamente a cabeça para o lado.

Vi lágrimas escorrer de apenas um dos olhos arregalados do Garoto.

— Por favor, me deixe ir!

— Eric, não é?

— Não por favor...

— Que isso pra onde foi o machão que iria violentar uma garota dentro da própria casa, que invadiu uma casa e ameaçou alguém por preconceito e ódio... Pra onde foi toda aquela braveza Eric? - Disse a ele de forma doce andando em volta da cadeira  o deixando em ainda mais desespero.

— Me desculpa! - Ele diz chorando.

— Ah Eric, chorar não vai soltar essas amarras sabe o que vai soltar? - Mostrei a adaga agora um pouco suja de sangue.

  Soltei as amarras, olhei para Max que entendeu o sinal, hora de deixar a marca da fúria, o lindo carimbo térmico foi ligado e enquanto aquecia Eric implorava para que eu não fizesse o que obviamente eu faria.

— Acha que tem como ele fugir? - Max me olha.

— Não... Ele não vai tentar fugir, é medroso de mais pra tentar sair dessa cadeira mesmo solto!

A provocação realizada com sucesso tornou a partida imediata do garoto em uma caça de gato e rato, e o rato estava prestes a perceber que a armadilha não tem saída, a porta fechada a cadeado, sem janelas e paredes de metal, uma velha construção de abrigar cargas de matérias de construção, pobre Eric, tão burro.
Me aproximei vagarosamente e ele se encolhia cada vez mais contra a parede fria de metal, o carimbo vermelho como braza em minha mão pronto para marcar a pele de um mal feitor.

Os gritos de dor e o cheiro de carne queimada desencadeou-me uma Grise de risos, que divertido ver quem merece pagar por suas ações sujas, talvez tais punições me façam alguém pior, mas quem vai me punir nessa cadeia alimentar, eu sou o maior predador e nada pode me parar, para esses vermes castigos são presentes.

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