Mudanças eram horríveis
Bom, nem sempre eram horríveis, mas, certamente todas eram assustadoras.
A questão é que existem vários tipos de mudança. Há as mudanças inesperadas, que simplesmente surgem sem avisar, completamente do nada. Há também as mudanças planejadas, decididas em todos os mínimos detalhes.
Mas independentemente do tipo de mudança, todas elas sempre geram a mesma aflição: isso vai ser bom ou ruim?
Você pode passar horas escolhendo um novo corte de cabelo, testar de todas as formas se ele ficará bom em você ou não, perguntar a opinião de todos, mas, no final, você sempre acabará na cadeira do cabeleireiro, um frio na barriga lhe consumindo enquanto se pergunta como irá ficar. Isso quando você não desiste antes.
E aqui estava eu, de alguma forma, meu melhor amigo, Jason, me convenceu a trocar de colégio. Estava seriamente repensando minhas escolhas, porque não havia chances de essa ser uma mudança boa.
Tudo bem que eu provavelmente ficaria excluído na minha escola antiga, eu já não tinha muitos amigos. Jason havia trocado para a Olympus no ano passado. E Reyna, a única pessoa que me restara, mudou para um internato só para garotas.
Pelo menos, na antiga escola as pessoas já me conheciam. Bom, não exatamente me conheciam, mas ao menos sabiam meu nome, e tinham uma opinião sobre mim. Não precisava conversar com eles pois todos já tentaram conversar comigo antes, simplesmente não deu certo. Não precisava me preocupar com nada, apenas ficaria em meu canto, ouvindo alguma música nos meus fones de ouvido.
Mas tudo era bem diferente quando você é o aluno novo em pleno primeiro ano do ensino médio. As pessoas tentam falar com você, nem que seja apenas por educação. E a pior parte: assim como todos os adolescentes, eles te julgam. Você está mostrando alguém completamente novo para aquelas pessoas, elas irão criar imagens sobre você em suas mentes, muitas vezes falsas. E, sinceramente? Eu preferia quando me julgavam por coisas realmente verdadeiras.
E sabe qual o pior de tudo? Erraram a minha sala, eu não estava com Jason.
Eu pedi transferência, mas enquanto isso, eu continuaria ali, no meio daqueles estranhos, compartilhando apenas o intervalo com alguém que conheço.
O pânico me consumia, muitas pessoas em um só lugar. O barulho das conversas irritava meus ouvidos, os casuais esbarrões em pessoas aleatórias no corredor me faziam querer estar em casa. Ou qualquer outro lugar, menos ali.
Foi em uma ida ao banheiro, uma tentativa de ficar em um lugar mais calmo por certo tempo, que eu vi ele pela primeira vez.
O garoto loiro, com um casaco xadrez amarelo e preto, encostado em uma das paredes do banheiro. Ele era alto, quando comparado a mim. Os cachos loiros angelicais emolduravam seu belo rosto, pontilhado por pequenas sardas. Daquela distância, não conseguia ver seus olhos, mas não era preciso daquela informação para afirmar com todas as letras: ele é lindo
Sua postura era tão descontraída, que me perguntava se estávamos no mesmo lugar, porque ele definitivamente aparentava estar em qualquer outro local, menos na escola. Eu não conseguia entender como podia estar tão calmo naquele mar de confusão.
Fiquei um tempo encarando ele, bom, não exatamente encarando, não sou tão cara de pau assim. Tentava disfarçar: uma olhada pra ele, desviar o olhar, uma olhada ao redor (passando por ele, óbvio) como se estivesse apenas observando o ambiente.
Então fui tirado do meu mundo paralelo, onde existia apenas as sardas do garoto bonitinho e eu, quando o sinal tocou, indicando as próximas aulas do dia.
O dia seguiu, as aulas continuaram, e pouco a pouco, a voz dos professores explicando a matéria e as conversas altas dos meus colegas apagaram o garoto bonitinho da memória.
Pelo menos era o que eu achava.
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Essa é a primeira long fic que escrevo, prometo que a história ficará melhor nos próximos capítulos, essa é apenas a introdução.
Me digam o que acharam, críticas construtivas são bem vindas!
Vejam outras histórias minhas no Spirit @Hadsinha
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Para: O garoto que roubou meu coração
RomanceEm meio ao caos da mudança de escola, Nico di Angelo conhece Will Solace. Não apenas conhece, como repara nele. Em meio a sua timidez, nunca conseguiria falar com ele. Até que, em meio a uma situação inusitada, tem uma ideia. E assim, ele começa...