Querida Mara,
— Garota, o que aconteceu com você? — Suri perguntou quando me viu no dia seguinte.
Depois do simples "oi" que enviei para Lavínia, conversamos até estar de madrugada e ambas não aguentarem mais de sono.
Acordei com a agitação da minha mãe, dizendo que eu estava atrasada e jogando uma muda de roupa na minha cama. Eu não fazia ideia de como estava, mas com certeza minha aparência não era das melhores.
— Vem com a gente. — Morgana disse, puxando minha mão direita, enquanto Suri fazia o mesmo com a esquerda.
A imagem projetada pelo espelho do banheiro revelava meus cachos bagunçados e olheiras profundas embaixo dos meus olhos.
— Meu corretivo está aqui em algum lugar. — Suri disse, revirando sua bolsa transversal. Sua pele negra era apenas alguns tons mais escura que a minha. — Achei!
A garota entregou o cosmético para Morgana que, me virando em sua direção, começou a esconder as bolsas escuras que haviam se formado no meu rosto.
— Gente, eu acho que talvez eu não vá na festa. — a loira disse, ainda concentrada em reduzir o cansaço aparente em meu rosto.
— Por quê? — Suri vociferou, parecendo incrédula. — Foi você quem me deixou ansiosa pra ir.
— Eu sei, mas a festa é sexta e minha prova de matemática, segunda. Se eu começar tirando nota baixa, meus pais vão surtar.
— Mas a Ari disse que ia te ajudar.
As duas me encararam, esperando por uma resposta. A verdade é que eu mal sabia que festa era aquela, tinha perdido todas as informações que Suri havia me dado, pois estava pensando em Lavínia.
— Por que a gente não marca de estudar na sexta de tarde? Assim você pode ir na festa e revisa o conteúdo sábado e domingo.
— Perfeito! — Morgana exclamou, me dando um braço que logo foi complementado pela outra garota. — Agora só precisamos de carona, mas eu já sei pra quem pedir.— Minha vez. — Suri disse, quando a loira acabou a parte da maquiagem.
Com meus cachos rebeldes em mãos, a garota amarrou a parte superior em um rabo de cavalo e ajeitou os cachos soltos.
— Prontinho. — ela anunciou, arrumando sua bolsa.
Me olhei no espelho, contemplando o trabalho das garotas e gostei do resultado.
No intervalo, quando ocupamos a mesa de sempre no gramado, Lavínia se aproximou e, diferente da minha situação inicial, a garota estava perfeita.
— Lavagirl, você vai na festa da semana que vem? — a loira perguntou.
— Já sei, vocês querem carona?
Meu celular vibrou, exibindo uma nova mensagem:Lavínia:
vc até que está mt bnt para qm madrugouSorri ao ler e olhei para a garota que estava sentada ao meu lado, com o celular desbloqueado embaixo da mesa e aberto em nossa conversa.
— Beleza, sexta depois do jantar na sua casa, a gente vai.
— Obrigada, prima.
— De nada, Morgs.
De tarde, com Pepper deitada na minha cama e a lição de casa espalhada pela minha escrivaninha, eu tentava resolver uma lista de exercícios de biologia.
— A gente pode conversar? — minha mãe indagou, sentando-se na minha cama e acariciando a cabeça de Pepper.
— Tô estudando agora. — respondi. Confesso que usei a tarefa como desculpa, faria quase qualquer coisa para me livrar daqueles exercícios.
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PLANETAS ANÕES TAMBÉM SÃO PLANETAS
RomansTendo planetas anões como uma grande curiosidade, Arizona se identificava com Plutão, o planeta renegado pela União Astronômica Internacional. Embora não seja o único planeta anão, Ari sempre acreditou não obter a sorte de contar com semelhantes, co...