Capitulo 45

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Dias se passaram, se convertendo em semanas. Anahí e Alfonso dormiam em quartos separados. Não voltaram a ter nenhum tipo de contato. Ela não conseguia pensar direito quando estava perto dele; parecia que a realidade era oprimida pela presença dele. Ele deu outra batida atrás de Jennifer após se certificar que a mãe viajara pra visitar Greg em Dartmouth, mas descobriu que Jennifer havia viajado também. Anahí voltou a terapia. O psicólogo receitou algo pra ela mas era um remédio natural, apenas pra tornar o sono mais tranqüilo. Funcionava. Alfonso ficou com o pé atrás nas primeiras noites, mas por fim conseguiu aceitar que ela estava dormindo bem. Ele não a pressionava por uma resposta; sabia que, quando a hora chegasse, essa viria.


Ele estava no elevador, chegando em casa. Quando o elevador abriu, a musica do piano o encontrou. Era um lamento triste, ao mesmo tempo encantador. Ele parou na sala de entrada, se permitindo ouvir; sabia que ela pararia se ele entrasse. Era um musica antiga, de antes do coma, e ela gostava muito dela antes de esquecê-la. Anahí deixava os dedos acariciarem as teclas do piano, tentando organizar a cabeça. Não conseguia simplesmente esquecer o passado mas não tinha certeza se queria abdicar de um futuro pelo que já fora feito. Ela não fora nenhuma flor de pessoa também. 


Anahí: Can we pretend that airplanes in the night sky are like shooting stars? — Ela cantarolava em um murmúrio, só pra ela, olhando os dedos no piano. Os olhos se encheram d'agua conforme a melodia avançaram — I could really use a wish right now, a wish right now, a wish right now...


*Podemos fingir que os aviões na escuridão da noite são como estrelas cadentes? Seria muito bom um pedido agora, um pedido agora, um pedido agora...


Ele suspirou, entrando em casa, e ela parou de cantar, encarando-o. A melodia continuou: Ela não precisava olhar a tecla pra dar seguimento a melodia. Era irônico, ela não precisava de uma estrela cadente pra fazer um desejo: Ele podia realizar qualquer um... Menos o que ela queria pedir. Ele não disse nada, entrando no corredor e deixando-a lá. Antes de chegar ao quarto a melodia parou quando ela largou as teclas, amparando os cotovelos no piano e agarrando os cabelos pelas raízes, o cenho franzido como se esperasse que a decisão brotasse dali. 


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Anahí: Sim, eu tenho um problema, eu estou com uma coleção em andamento e os tecidos desse catalogo não passam nem perto do que eu tinha em mente. — Disse, de pé no telefone, com um enorme catalogo de amostrar na sua frente. Um par de sapatos pretos pousou do lado quando Ian apoiou os pés na mesa — Não sei se é a tonalidade ou a textura, mas por hora não produza nada com isso, não vai levar meu nome. — Decidiu — Entro em contato quando chegar a uma conclusão. — Disse, desligando o telefone, por fim — Ian, você não tem o que fazer?


Ian: Tenho. Te fazer companhia é parte da minha agenda. — Disse, debochado. Era bem como nos velhos tempos.

Anahí: Dispenso. Eu posso te dar uma sugestão pra esse horário: Cuide da sua vida. — Disse, irônica, virando uma folha do catalogo. 


Ian: Minha vida vai muito bem, obrigado. — Disse, satisfeito.


Anahí: Você tem um relacionamento há mais de dez anos, é casado há mais de três e sua mulher está te enrolando pra te dar um filho, coisa que você quer, e vai continuar fazendo isso até que esteja velha demais pra poder fazê-lo. — Disse, maldosa. — Que tal começarmos por ai?

Enquanto Você Dormia (Efeito Borboleta - Livro 2)Onde histórias criam vida. Descubra agora