Annabelle

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A minha mãe entra no meu quarto, os seus passos são inseguros. Talvez seja pela discussão que tivemos na noite passada:

- Como estás?.. — está nervosa, consigo percebe-lo pelas suas palavras.

-Melhor...Desculpa por ontem, desde que o pai partiu as coisas têm sido difíceis.

- Eu compreendo. Como vai o estudo?

- Bem. — apesar de sermos Eruditos, não gosto de falar do meu sucesso escolar com a minha mãe. Fico tensa quando isso acontece.

- Essa é a minha querida Erudita. Vê se tiras a melhor nota da turma.

- Sim mãe. — digo bruscamente.

Saio do quarto, estava demasiado tensa para continuar a conversa. Não é a primeira vez que ela tem estas conversas. A minha mãe aparenta não se importar com os resultados dos seus filhos. A verdade é que nós sentimos na pele a sua exigência e os olhares reprovadores quando não temos as notas que deseja.

Entro na sala, a mobília que dantes me parecia quente e confortável, parecia agora fria e mórbida com aqueles tons azuis e brancos, de que o meu pai tanto apreciava. Lembro-me dele e vêem-me as lágrimas aos olhos. Tento ser forte o dia-a-dia mas sinto muita falta dele.

O meu irmão, Jonn, finalmente chega para acabar com a minha ansiedade:

-Então irmã? 

- Foi a mãe e as suas famosas conversas sobre notas.

- Zangaram-se?

- Não, mas sabes como me sinto quando ela espera demais de mim.

- Ela não espera demais de ti. Só quer que tenhas um bom futuro.

- E se eu não quiser um futuro melhor!

- Não digas disparates. Ela só está a fazer o que o pai faria. - foi a pior coisa que ele podia ter dito. O meu pai nasceu Erudito e morreu, à seis meses atrás, Erudito.

- O pai nunca faria tal coisa!

- Claro que faria!

- Isso é o que ela te faz acreditar! O pai nunca nos obrigaria a ser uma coisa que não somos!

- Estás dizer que não és Erudita?! — grita o meu irmão.

De repente a minha mãe aparece na sala. Naquele momento só espero que não tenha ouvido a nossa conversa.

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