2. Torta De Chocolate

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2. Torta De Chocolate

A pior coisa para se ter em uma cozinha são reclamações, elas atrapalham e, na percepção de Draco, estragam até mesmo a receita. Ele tinha certeza de que os resmungos de sua namorada estavam fazendo seu bolo murchar, ficaria muito chateado caso a massa ficasse solada. Astoria falava como os passos vindos do apartamento do lado a incomodaram durante a noite, Draco, por outro lado, não ouviu nada, dormiu feito uma pedra. A mulher queria que ele fosse até a residência de Harry e reclamasse sobre o barulho exagerado, isso somente ao ver dela. O alfa não queria ir, gostava de seu vizinho e não estava a fim de arrumar discussões desnecessárias, mas quando percebeu que sua namorada não o deixaria cozinhar em paz e como não queria que sua receita desse errado, resolveu ir.

— Olá, Draco. Posso ajudar? — Harry disse ao abrir a porta, o ômega vestia um robe branco e tinha um feição cansada, sentiu-se mal por tê-lo importunado por um motivo fútil apenas para se livrar das lamúrias da namorada. Draco suspirou e passou a mão nos fios longos de seu cabelo, estava ali, fazendo papel de idiota por algo que nem o incomoda. Astoria nem ao menos mora consigo em seu apartamento, totalmente desnecessário.

— Oi, Harry. Eu não queria vir aqui te incomodar, mas a minha namorada disse que noite passada ela escutou muitos passos vindos do seu apartamento e isso incomodou ela. — O alfa deu um sorriso sem graça, o ômega fez uma expressão surpresa e colocou a mão no peito. — Me desculpe, de verdade, por vir aqui falar isso.

— Oh, não! Não se desculpe, está no seu direito. Sinto muito que o barulho tenha incomodado a ela. — Harry apoiou a mão no batente da porta, com a outra sobre a testa. Ele respirou fundo e olhou para Draco. — Eu não posso prometer que não vai mais acontecer, porque eu ainda estou lidando com enjoos frequentes, principalmente de madrugada e os trigêmeos vêm atrás. Me desculpe pelo incômodo.

— Espera, enjoos? Você está bem? Deus, eu sou um idiota por ter vindo te incomodar. — Malfoy tinha um vinco na testa, sua mente estava confusa e não tinha entendido muito bem aquela história. Potter deu uma risada nasal e se colocou de frente para o rapaz de olhos azuis. — Ei, qual a graça?

— Draco, eu estou grávido. — Draco formou um perfeito "O" com a boca, Harry cobriu a boca dando uma risada baixa, agora tudo fazia sentido. O alfa se permitiu olhar para a barriga do ômega, ele estava com a mão ali e era perceptível uma pequena elevação, além do cheiro adocicado. Para Draco, aquele era o cheiro natural de Harry, nunca passou pela cabeça dele que ele estava esperando um bebê. — Você jura que não sabia?

— Não tinha percebido até você falar. — Malfoy deu um sorriso deixando suas covinhas aparentes e tombou a cabeça para o lado, Potter cruzou os braços com um sorriso sacana nos lábios. — Esqueça tudo que eu disse, se possível, eu nunca estive aqui. — Draco deu uma risada nasal e piscou para o menor, voltando para o seu apartamento e deixando sozinho na porta do próprio. Harry apenas balançou a cabeça rindo e entrou, achou engraçado ele não ter percebido, já que Lily e James sempre dizem que é possível sentir seu cheiro de longe.

Para a sorte de Draco, os minutos conversando com Harry foram o suficiente para seu bolo ficar pronto, felizmente havia dado certo e ficou fofinho. Claro que voltando, Astoria foi atrás dele novamente, querendo saber como foi o desfecho, o alfa bufou quando a ouviu entrar na cozinha. A sorte dela é que ele a ama.

— Como foi? O que ele disse? — Astoria perguntou se apoiando na bancada de mármore, ela mordia o lábio inferior curiosa com a resposta. Draco suspirou, ele deixou a forma com o bolo sobre a bancada e encarou a namorada. A ômega o olhava esperançosa e o alfa retribuiu o olhar, entediado e cansado.

— Não tinha ninguém em casa. — Malfoy respondeu simples, claro que a Greengrass não levou aquilo como resposta, ela o olhou com um vinco na testa e perguntando então o motivo dele ter demorado a voltar. Draco, vendo que não tinha saída das perguntas da namorada, somente se preocupou em desenformar o bolo e confeitar. — Encontrei com a Srta. Stevens no corredor. — Respondeu sem olhá-la. Astoria se contentou com aquilo e deixou Draco sozinho na cozinha.

[...]

Com Harry completando quatro meses de gestação, ele decidiu que iriam jantar fora naquela noite. Durante o trajeto para o trabalho, o ômega reparou em um pequeno restaurante no centro e talvez fosse uma boa ideia ir lá. Os trigêmeos se animaram, principalmente Lily, pois ela finalmente poderia usar o vestido florido que ganhou da tia antes de se mudarem, Harry podia perceber que sua alfa estava florescendo cada dia mais, por outro lado, seus irmãos ficavam enciumados. Lily contou que James rosnou para um garoto que estava apenas conversando com a garota, seus instintos falavam mais alto.

O ômega estava reparando em sua barriga, ficando mais aparente nas últimas semanas, seu bebê estava crescendo e saudável, na próxima consulta já iria poder descobrir o sexo, apesar de não querer. Harry encarava o próprio reflexo com tanto carinho, desde que os trigêmeos nasceram, se imaginou tendo outro filhote várias vezes, mas nunca achou a pessoa certa para isso e no fim das contas, nunca precisou dessa tal pessoa. Sentia-se radiante nessa gravidez, tanto quanto na primeira, carregar um bebê é algo mágico, doloroso, mas nunca diria que não é apaixonado pela sensação. Totalmente absorto em seus pensamentos, não viu seus três filhos entrarem no quarto.

— Você está muito lindo, mamãe. — Albus disse se jogando na cama, eles riram quando viram Harry quase dar um pulo pelo susto, qualquer dia desses eles irão fazê-lo ter um treco. Potter balançou a cabeça rindo junto de seus filhotes bobos, alcançou seu suéter azul claro na cama e o vestiu.

— Albie está certo, quanto mais o bebê cresce, mais bonito você fica. — James se aproximou da mãe, encostou seu nariz no pescoço dele e inspirou seu cheiro doce de morangos. Harry levou sua mão até a bochecha de James, acariciando-o no rosto, sorriu o escutando ronronar como um gatinho filhote.

— Se fosse em outras ocasiões, eu diria que estão tentando me pedir algo que provavelmente seria negado. — Beijou o alfa na testa, Lily colocou a mão no peito, como se estivesse ofendida com a fala da mãe, Harry apenas a olhou como resposta. — Nem faça essa cara, Lily. Conheço vocês três desde que usavam fraldas. — O ômega tocou a ponta do nariz de sua alfa.

Eles não demoraram a sair, no carro, os trigêmeos discutiam sobre filmes, Harry apenas assentiu quando um deles fazia alguma pergunta sobre qual gênero era melhor, não iria se meter em uma discussão como aquela, mesmo que soubesse que o melhor gênero é comédia romântica. O ômega aumentou o volume da rádio quando a melodia de Lover da Taylor Swift começou a soar, os trigêmeos suspiraram, sempre que essa música tocava, Harry a ouvia no último volume e cantava o mais alto que podia. O tempo da música foi o que levaram para chegar ao restaurante.

Harry havia reservado uma mesa, o lugar era familiar e confortável, pela forma como estava lotado, parecia ser muito bom, além da atmosfera exalar um cheiro delicioso. Foram acompanhados por um garçom até a mesa, não demoraram a fazer seus pedidos, eram muitas opções ótimas. Enquanto esperavam, Harry perguntava sobre a escola, sempre preocupado com seus filhotes e com medo de que estivesse com algum problema e não quisessem contar, uma perfeita mãe coruja. Os trigêmeos iniciaram um assunto sobre nomes de bebê, eles e Harry tinham um acordo, eles tinham que dizer nomes e o que o ômega mais gostasse, seria o escolhido.

James sugeriu Louis, era um bom nome e se for um menino, quem sabe? Por enquanto, essa opção está ganhando, mas eles ainda têm longos meses pela frente e seu bebê pode esperar. Para a felicidade de Harry, os pedidos chegaram e a boca do ômega chegava a salivar, ele poderia agradecer pessoalmente ao chef, porque aquilo era tão bom. Ele com certeza iria naquele restaurante mais vezes, agora entendia o porquê de estar lotado. O ômega deixou seus filhotes pedirem sobremesa, ele não quis, alegando já estar satisfeito, mas quando os doces dos trigêmeos chegaram, havia um prato a mais.

— Uma torta de chocolate. — Harry olhou com um vinco na testa, ele não tinha pedido a sobremesa, aquilo era um erro, com certeza. — Por conta da casa. — O garçom disse e se retirou. Potter não entendeu, mas seus filhotes insinuaram que era de algum admirador secreto, bobos. O ômega experimentou a torta e ele foi ao céu e voltou, era aquilo que precisava em seus desejos insaciáveis de madrugada. Seja lá quem tenha feito, era um perfeito chef.

Após terminarem, Harry pagou a conta e enquanto deixavam o restaurante ele reparou em uma figura alta e sorridente parado na porta da cozinha, o uniforme de chef, os olhos azuis e as covinhas. Draco. O seu vizinho que era o chef daquele restaurante, agora ele tinha entendido tudo. O alfa piscou para o ômega e voltou a cozinha, Harry apenas sorriu mordendo o lábio inferior e balançou a cabeça. Ele tinha um grande problema morando ao seu lado.

How I Met Your Mother | DrarryOnde histórias criam vida. Descubra agora