3 - Visita e presentes

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_ E eles foram às vias de fato na sua frente? _ Jack me olha, entre chocado e confuso.

Eu nunca levo trabalho para casa. Não costumo falar sobre o que acontece no escritório, tampouco cito nomes. Sempre preferi deixar Jack a margem da minha "vida profissional", mesmo que ele saiba o que faço e o que comando. Claro que sabe. O pai dele trabalha para mim!

Não sei porque me vi contando para ele o problema de Alec e Robert. Acho que aquilo me afetou mais do que eu poderia admitir.

Depois que Alec saiu sem olhar para trás e Robert precisou ser acalmado por Ragnor, em outra sala, eu me senti um líder de merda. Como resolveria essa questão?

_ Ele agarrou o filho pelo colarinho e o puxou sobre a mesa. O rapaz cuspiu em sua cara e recebeu um tapa violento... _ eu conto, tudo aquilo passando em minha mente, como um filme.

_ E você não fez nada? _ ele franze o cenho, enquanto leva o copo de whisky à boca. Estamos na beira da piscina, tomando uns drinks, como fazíamos algumas vezes, à noite, depois que Rafe dormia.

Quando tirávamos esse tempo, tínhamos conversas amenas e, às vezes, terminávamos com uma boa foda na água.

_ Foi tudo tão rápido... _ admito. _ O máximo que pude fazer foi arrastar o rapaz para um lado, enquanto Ragnor puxava o outro. Tive de chamar alguns seguranças para me ajudar. Estou ficando fraco ou o garoto estava com a força do ódio _ eu rio, enxugando a testa. Jack ri também.

_ Mas, e como eles ficaram? O sangue vai ser testado? _ ele quer saber, interessado no desfecho.

_ A reunião acabou... _ suspiro, aborrecido. _ Alexander ficou transtornado... Se você visse os olhos dele... havia uma tempestade neles! _ eu olho para o nada, os olhos bonitos dele na minha cabeça.

Jack se levanta e fica atrás de mim, iniciando uma massagem em meus ombros. _ O menino precisa de uma chance... _ ele fala perto do meu ouvido. Alec também tinha dito aquilo ao pai, mas ele não se importou.

_ Eu também acho... Mas, eu tenho direito de interferir nisso? _ pergunto. Eu nunca peço conselhos a Jack. Por que me sento tão tenso com isso?

_ Acho que Robert está sendo orgulhoso e isso pode matar o filho dele. Se eu tivesse poder, intercederia... _ é a sua resposta. Puxo seu rosto para mim e o beijo. Jack é um bom homem.

_ Eu prometi a Alexander que resolveria isso..._ assumo.

_ Por que prometeu algo que sequer tinha certeza que faria? _ Jack se senta em meu colo e me encara, com seus olhos puxados.

Bingo! Ele me conhece muito bem para saber que eu não faço promessas.

_ Não sei... _ sou sincero. Eu não sei porque fiz isso, mas ainda consigo lembrar daqueles olhos de tempestade, desespero e solidão. Me sinto incomodado e não sei porquê.

Eu já vi e vivi tantas coisas feias e brutais, fui treinado para conter minhas emoções e sentimentos, sempre fui considerado um homem frio e calculista, mas estou com um aperto no peito esquisito e incomodativo, por algo que não sei o que é.

_ Vamos dormir... Acho que seu problema é cansaço... _ ele me sugere e eu aceito, o levando para dentro em meus braços.

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_ O que faz aqui a essa hora, senhor Bane? _ Alec surge na sala da cobertura, mais rápido desta vez, em um terno cinza escuro, olhos brilhantes e aparência tranquila, totalmente diferente da tarde. Jace sai imediatamente. _ Veio me dar uma boa notícia? _ um sorriso doce se desenha em seu rosto angelical.

Me sinto culpado por levá-lo a pensar que sou portador de novidades. Eu mesmo não sei o que estou fazendo ali às 2h30, mas o sono não vinha e, de repente, tive vontade súbita de saber se ele está bem.

Há dez anos...Onde histórias criam vida. Descubra agora