ZERO | THE BEGINNING

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ESTAVA escuro. O cheiro de poeira e óleo faziam seu nariz arder, e o barulho de metal rangendo contra metal chiava em seus ouvidos.

Um solavanco fez com que ela caísse para trás, se esgueirando no chão. Com mais um movimento bruto, o compartimento moveu-se para cima, como um velho elevador num poço de mina.

Não se lembrava de nada. Não sabia quem era, ou o que fazia ali. Sua mente funcionava em falhas, tentando entender onde se encontrava e qual era a sua situação. Informações desencontradas inundaram seus pensamentos, fatos e imagens, lembranças e detalhes do mundo e de como as coisas eram. Mas ainda assim não sabia de onde vinha, ou como fora parar naquele elevador escuro, ou quem eram seus pais, ou até mesmo qual era seu sobrenome. Rostos de pessoas apareciam de repente, mas não reconhecia ninguém; as faces substituídas por manchas de tonalidades fantasmagóricas, sem ser capaz de lembrar de quem quer que fosse nem de uma única conversa.

Tentando não deixar que o desespero inundasse seu corpo, ela se colocou de joelhos, ouvindo os sons ásperos de correntes e polias, como os ruídos de uma velha usina de aço em funcionamento, que ecoavam pelo compartimento e abalavam as paredes com um lamento vazio e distante.

Ela pôde ver um facão sobre algumas caixas empilhadas do outro lado do elevador. Engatinhou até lá, ofegante, e agarrou-o, movendo-o em sua mão como se testasse as maneiras de segurá-lo para se defender do que quer que pudesse aparecer ali.

O compartimento continuava a subir, sacolejando para os lados. Um longo tempo se passou, e ela já não sabia mais distinguir os minutos incessantes, já que cada segundo parecia uma eternidade. Ela pôs de pé, incerta do que fazer enquanto o compartimento ainda subia bruscamente e o barulho das correntes já parecia não incomodar seus ouvidos.

De repente, com um rangido seguido de um novo tranco, o compartimento ascendente estancou; a súbita mudança derrubou a garota ao chão novamente. Assustada, ela continuou sentada, segurando o cabo da faca com mais força. O elevador parecia balançar cada vez menos, até que finalmente parou, e tudo mergulhou em um silêncio tenebroso.

Minutos pareciam terem passado. Em todas as direções que ela olhava, havia apenas a escuridão gelada e uma quietude amedrontadora. Tentou gritar, mas era como se sua voz se perdesse naquele labirinto vazio, como o lamento fantasmagórico da morte.

A garota soluçou, deixando que o medo tomasse conta de seus pensamentos por completo pela primeira vez. Ela recuou, se encolhendo contra o canto da parede rígida de metal, e sentindo poucas lágrimas invadirem seus olhos. O cabo frio do facão ainda contra seus dedos, que já deviam estarem brancos de tanta força que fazia.

Mas subitamente, um rangido estridente acima de sua cabeça a sobressaltou e, engolindo em seco, ela se levantou novamente, tentando esconder seu desespero e se preparando para qualquer coisa que pudesse sequer olhar em sua direção.

Uma linha reta de luz apareceu no teto do compartimento, e ela observou enquanto o feixe se alargava. Um som pesado e desagradável revelou portas duplas de correr sendo abertas à força. Depois de tanto tempo no escuro, a luz incomodou seus olhos e ela desviou o olhar, colocando o braço esquerdo sobre o rosto.

Ela pôde ouvir ruídos e vozes – todas as que conseguira distinguir eram masculinas, e seu coração errou uma batida –, e segurou o facão com mais força, se sentindo ser dominada pelo pânico. Os sons eram estranhos, como se tivessem eco; algumas palavras eram totalmente desconhecidas, mas outras pareciam familiares.

Ela olhou para cima, forçando seus olhos a se acostumarem, e a princípio, conseguiu apenas ver sombras se movendo, mas logo elas tomaram forma de corpos; pessoas inclinadas sobre a abertura no teto, tentando enxergar quem estaria ali dentro.

WHATEVER IT TAKES, maze runnerOnde histórias criam vida. Descubra agora