Timothée
Quando se é filho do cara mais poderoso do país, é impossível que você não sorria por mais que esteja naqueles dias ruins em que você só quer jogar tudo para alto e sair correndo pelado por aí gritando "Viva a liberdade." Eu me sentia realmente desse jeito enquanto os flashs atrapalhavam minha visão e eu tirava pelo menos cinquenta fotos para uma capa de revista junto com Yuri e meus pais, fazia apenas duas semanas que nosso noivado parecia uma loucura para todo mundo, mas ninguém falava sobre isso mais e a poeira havia abaixado do jeito que minha mãe queria.
Eu não tinha mais tanto tempo para pensar em nada, tanto quanto estava ocupado com Yuri enquanto íamos a encontros casuais e nos divertíamos com bebida na boate do Steven, tudo que minha mãe queria era que eu fechasse a boca sobre qualquer coisa envolvendo o casamento.
"Você está bem?" Yuri pergunta me oferecendo uma taça de champanhe. Ainda são oito da manhã, eu queria que ela parecesse de me perturbar enquanto estou sozinho, tem sido muito difícil com Yuri querendo atenção o tempo, eu não sou um cara que fica preso em uma só garota, uma garota que me faz sorrir, rir e até mesmo esquecer de quem eu sou, eu...merda! "Que tal sairmos para um parque de diversões?"
"Não." Ela faz um bencinho e suspira erguendo a cabeça para me olhar melhor, Yuri segura meus braços e sacode meu corpo para um lado e outro.
"Vamos! Vai ser divertido." Promete, reviro os olhos e assinto me dando por vencido e agora preciso passar o dia com Yuri, é quase uma tortura gigantesca.
Yuri me leva até o píer de Santa Monica onde passamos a caminhar um ao lado do outro pelo nascer do sol, eu queria mesmo que tudo fosse diferente e que...pare de pensar nela! Nunca pensei que pensar em uma garota me deixaria louco, frustrado.
"Eu sempre venho aqui quando estou triste." Yuri diz apontando para o sol nascendo do outro lado. "É lindo, não é?"
Dou de ombros.
"Tanto faz."
Ela revira os olhos e me puxa para a direção da água, tem uma placa escrito "PROIBIDO NADAR." Eu a paro, puxando seu braço.
"Não vamos nos meter em problemas Yuri, já estou farto." Yuri suspira alto e se afasta de mim, marchando para o outro lado do píer, bufo e a sigo com os pés batendo na madeira.
"Você é tão chato, pensei que se tentássemos isso podia mudar." Ela aponta para mim e para ela insinuando. "Poderia dar certo, vamos ficar juntos por um tempo e acho que isso deveria fazer você pensar um pouco."
Engulo em seco, sentindo a garganta um pouco áspera, eu me aproximo de Yuri, com as mãos em seus ombros dedilhando sua pele morena desço para os cotovelos e quebro a distância entre nós, com meus lábios sobre os seus, não é nada comparado ao que sinto ao me lembrar dela. Não há uma sensação aparente e minha boca mal se mexe contra a sua que quer devorar a minha, aperto sua cintura, a trazendo para perto de mim e seu perfume me deixa enjoado de tão forte, eu pulo para trás e coço a nuca, minhas bochechas ficam quentes devagar, é ridículo que eu esteja corando.
Meu celular vibra no bolso e eu pego para quebrar o contato com Yuri, ao ver o nome na tela fico sem fôlego. É Gentlyn, eu não tenho falado com ela desde que minha mãe a demitiu, eu a vi as vezes pelos portões de fora da mansão, mas não trocava nenhuma palavra.
"Gentlyn." Me afasto de Yuri.
"Timothée, eu preciso muito encontrar você ainda hoje, tenho que lhe dizer algo." Começo a ficar preocupado com seu tom duro. "É importante."
"Vou tentar, onde podemos..."
"Na sua casa, seu pai também precisa saber disso." Ela diz e desliga o telefone, eu nem quero questionar o que está havendo é porque sinto que é algo ruim mesmo, olho para Yuri e digo que precisamos ir embora, eu quero estar lá quando Gentlyn chegar.
Ao pisar na Casa Branca, o ar está grotesco, meu pai está na sala sentado na sua poltrona e minha mãe está andando de um lado e outro até me ver chegar e correr para me dar um abraço, eu me afasto devagar.
"O que está acontecendo?" Eu sei que tudo isso é sobre Gentlyn.
"Sente-se querido." Minha mãe pede e eu me sento na poltrona do outro lado. "Eu quero que preste atenção no que vou dizer." Ela se abaixa como se eu fosse uma criança. "Gentlyn vai dizer coisas para confundir você e se colocar contra sua família e por isso eu quero que você entenda que..."
"Gentlyn não mentiria para mim." Eu engulo em seco, percebendo que estou hesitante.
"Acha mesmo?" Meu pai questiona do outro lado, com os dedos cobrindo a linha fina de seus lábios. "Que a aquela mulher não quer se aproveitar da parte mais frágil da família ?"
"Eu não sou frágil!" Me defendi, meus pais estavam mesmo tentando me colocar contra Gentlyn? A mulher que cuidou de mim desde que eu tinha dois anos de idade, era ela quem sempre estava comigo e me viu crescer, meus pais nunca tiveram problemas com ela, mas agora tudo soava diferente e estranho.
As portas se abriram e Gentlyn é seguida por dois seguranças até estar completamente firme na sala do saguão, minha mãe a analisou de cima a baixo e suspirou. Meu pai se levanta e arruma o blazer impecável e estende a mão para Gentlyn.
"Timothée." Ela vem até mim e me embrulha em um abraço apertado, meus braços circulam sua cintura, eu sentia tanta falta dela, ao nos afastarmos com o pigarreio da minha mãe, Gentlyn acena para mim.
"Vou falar com Timothée primeiro, quero que ele seja o primeiro a saber." Meu pai fica um tanto tenso, e balança a cabeça e minha mãe parece interromper a si mesma ao dar um passo à frente.
"O que tiver a dizer a ele, pode dizer a nós." Gentlyn suspira ao fechar os olhos e balança a cabeça mesmo hesitando em concordar. Ela entrega uma pasta vermelha para mim com algumas folhas que parecem documentos, puxo um deles das folhas de plástico e leio em silêncio. Olho para Gentlyn com os olhos arregalados e a boca aberta assim que as palavras vão terminando e eu sei que Gentlyn parece mais tensa.
"Como é?" Eu gesticulo com o papel na mão." Você não pode ser minha mãe." Ela estremece e minha mãe coloca as mãos na cintura.
"Está vendo só?" Ela me lembra, não confie em Gentlyn. Olho para as folhas nas minhas mãos e tudo está muito confuso.
"Timothée, pode perguntar ao seu pai se for necessário." Gentlyn acena para o meu pai que está com o queixo travado e suas rugas da testa estão firmes na pele. "Eu precisava que você soubesse por mim, porque..."
"Você é uma mentirosa." Eu a interrompo com raiva, jogando os papéis no chão. "Você não pode vir aqui esperando que essa família te deva alguma coisa, você não pode ser minha mãe, isso nunca seria possível." Os olhos de Gentlyn estão se enchendo de água e eu me sinto péssimo por estar agindo como um insensível, mas não faz sentindo que ela esteja me contando isso agora, logo agora quando já estou na minha conta de problemas. "Você nunca vai ser minha mãe, porque uma mãe não abandona o filho e se você fez isso, é porque era desprezível." Eu dou as costas a ela e subo as escadas para o meu quarto.
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TOMORROW| Timothée Chalamet
FanfictionAstrid Davis tem dezoito anos e está no seu último ano da faculdade de jornalismo, quando ela recebe uma nota ruim que pode faze-lá repetir seu semestre, ela precisa provar seu valor em uma nova matéria exclusiva, o momento perfeito chega na férias...