Faltavam duas semana para o baile de estreia de Isabella. O palácio estava um verdadeiro alvoroço. Os empregados e funcionários do conselho corriam para todas as direções com seus instrumentos de batalha em mãos. Hector estava mais exaurido do que nunca já que vinha sendo tratado como o garoto de recados do Imperador. Alexandre também estava ocupado escrevendo convites para os nobres do Império e saindo com mais constância do que que o normal. As bestas vinham atacando Licrya com frequência e intensidade irregular nos últimos meses e isso vinha causando grande preocupação entre o povo. Infelizmente, alguém tinha de ir para as linhas de frente lidar com os monstros reis e os únicos capazes de tais façanhas eram o Imperador e o general Goliak. Mesmo os generais de divisão como Lyan e Nisório precisavam de apoio de outros generais para lidar com tais criaturas.
Certa vez Alexandre teve de sair no meio da noite pois alguns monstros de baixo nível tinham se disfarçado de humanos e invadido uma cidade mais ao sul de Licrya. Eles não machucaram ninguém, contudo suas intenções eram desconhecidas já que morreram misteriosamente no meio do interrogatória; suas cabeças começaram a inchar e escurecer incessantemente até que ficaram tão grandes que explodiram em um monte de sangue e plasma cerebral. Todos os presente ficaram pasmos. Esse tipo de coisa nunca tinha acontecido antes. A única conclusão na qual eles puderam chegar foi que fora colocado um feitiço nos monstros capturados que os mataria caso eles tentassem revelar algum segredo. E assim os acontecimentos recentes permaneciam envolvidos em uma nevoa de mistério.
- Como foram as coisas hoje? – perguntaria Isabella todas as vezes que Alexandre retornasse ensanguentado no meio da noite.
Ele apenas diria alguns chiados grogues de conforto como foi tudo bem, nada com que você precise se preocupar, antes de adentrar no banheiro no intento de tirar o cheiro pútrido de sangue.
Embora Alexandre voltasse derreado com certa frequência, havia algumas raras ocasiões em que ele estaria mais bem-humorado, como foi o caso de alguns dias atrás:
A jovem de cabelos encaracolados perfurou as costas largas do Imperador com certa preocupação ao interim que ele caminhava tropegamente até o lavabo deixando uma trilha rúbida pelo carpete. Estava encharcado de sangue dos pés à cabeça e algumas partes de sua vestimentas pareciam congeladas. O odor de sangue de monstro, embora fétido, já não incomodava mais as narinas Isabella devido a frequência com que vinha o sentido. Provavelmente era o mesmo para o homem de olhos carmesim.
Antes que Alexandre abrisse a porta do banheiro, ele virou-se e suspirou de forma abatida.
- Sabe que não precisa me esperar todas as vezes que eu saio, não é? – indagou recostando-se na entrada. Isabella chiou quando viu o rastro de sangue que sua espalda deixou na madeira. – Não vai ficar manchado. – Consolou acompanhando seu olhar.
"Por que não é você que vai limpar" acrescentou em pensamentos, mas não compraria uma briga com ele naquela momento.
- Eu só não consigo dormir enquanto você não chega – explicou encolhendo os ombros.
- Por quê? – indagou piscando os olhos.
- ... eu fico preocupada.
- Com quem? – Neste ponto da conversa a jovem já começava a pensar que ele havia levado uma pancada na cabeça durante sua luta.
- Com você, ora!
- Comigo? – inquiriu como se achasse aquilo a coisa mais pândega do mundo. Isabella assentiu. – Você não precisa se preocupar comigo. – E sibilou com um sorriso cruel – faria mais sentido você se preocupar com os monstros.
- Você é tão bom assim para ser tão confiante? – sondou duvidosa.
- Bom o suficiente.
A jovem tentou imaginar o Imperador duelando contra uma besta, mas nada que se mostrasse minimamente convincente surgiu em sua mente.
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O Imperador Vermelho
Romance"Ele ascendeu ao trono em degraus de sangue". Quando Isabella foi misteriosamente teletransportada para uma realidade completamente distinta daquela a qual a jovem conhecia e que, como regalo, estava sob o constante ataque de bestas mágicas, ela não...