Leandros
--- Não, por favor...
Eu acordei assustado, em alerta, olhando em volta. Me sentei na cama em um instante, com o coração e a respiração disparada.
--- Por favor, não me machuca... Me deixa ir... --- uma voz cheia de agonia suplicou ao meu lado.
Virei minha cabeça na direção da Ariel deitada e congelei. Ela estava encolhida, com as mãos protegendo a cabeça e chorando sem parar.
--- Não! Eu não tive a intenção! Me desculpa... --- ela gemeu mais uma vez.
Ela estava tendo um pesadelo. Entretanto, a dor que ela me passava era tão real que eu olhei mais uma vez ao nosso redor, me certificando se era só um sonho mesmo. Ariel começou a se debater com violência e a gritar. Horrorizado, eu a peguei nos braços e tentei acordar ela.
Mas isso foi a pior coisa que eu fiz.
Ela agora pensava que eu era o seu demônio e passou a se debater e a gritar mais ainda nos meus braços.
--- Meu amor! Sou eu, acorde! --- eu falei para ela.
Ela acertou o joelho na minha cara e arranhou os meus braços. Tudo isso de olhos fechados e se debatendo, chorando igual uma criança.
Tive que segurar seus braços, e o gemido que ela deu quando eu fiz isso me fez querer morrer.
--- Eu vou obedecer... Só não me bate... --- ela ficou quieta, mas ainda chorando muito.
Ela não acordava, não importava o tanto que eu chacoalhava seu corpo e gritava para ela acordar. Eu só queria fazer ela acordar desse pesadelo. Peguei teu corpo se contorcendo e o levei para o banheiro, ligando a água do chuveiro fria em cima da gente.
Seus gritos roucos e agudos, ecoava por todo o lugar. Eu a coloquei de pé, a segurando contra meu corpo. E então, ainda se debatendo, ela acordou. Ariel começou a me empurrar desesperada.
--- Não! Me solta! --- ela não olhava no meu rosto, seus olhos estavam perdidos e sem vida. --- Me larga!
--- Calma! Sou eu! --- eu a fiz olhar nos meus olhos. --- Estou aqui com você.
A razão voltou para ela, Ariel me reconheceu e agora me olhava com alívio. Mas depois, os olhos dela demostraram vergonha e vulnerabilidade tão grande que eu achei se tratar de outra mulher.
--- Está tudo bem. --- eu sussurrei para ela, abraçando seu corpo.
Ela se encontrava imóvel, congelada. Não ousou olhar mais nos meus olhos e ainda chorava silenciosamente.
--- Me desculpa, eu... --- ela começou a dizer com a voz tremendo e rouca pelos gritos.
Ela se interrompeu e correu para o vaso, e se debruçou ali, vomitando o que estava no seu estômago.
Ver ela ali pelada, molhada e tremendo, apoiada no vaso sanitário e toda encolhida, vomitando, foi uma das piores visões que tive na vida.
Sem perder tempo, eu me agachei do teu lado. Toquei nos seus ombros, ela pulou de susto e me afastou com as mãos.
--- Não! Sai daqui, não quero que me veja assim! --- ela colocou a mão na boca. --- Me deixa sozinha.
--- Na alegria e na tristeza, meu amor. --- eu respondi para ela de um jeito calmo.
Ela olhou para mim e mordeu os lábios que tremiam violentamente. Depois deu descarga e colocou a cabeça apoiada no braço.
--- Eu vou ficar bem, só preciso... --- ela começou a falar, mas alguém começou a bater na porta do quarto. Ariel olhou para mim com seus olhos azuis tristes e sem vida. --- Deve ser minha mãe... Se a gente não abrir ela vai entrar mesmo assim...
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Duas Semanas De Puro Prazer
RomanceATENÇÃO, CONTEÚDO NÃO INDICADO PRA MENORES DE 18 ANOS! Uma carioca da gema escolheu Campo Grande, capital de Mato Grosso Do Sul, para se refugiar de um trauma. Sem nem mesmo suportar ter a lembrança do mar, ela se vê mergulhando nos olhos azuis de...