Capítulo 12

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Ter Lucas tão perto de mim sem poder tocá-lo está colocando minha sanidade à prova.
É uma tortura lenta. Silenciosa. Cada vez que nossos olhares se cruzam, é como se algo em mim implorasse para quebrar todas as regras, arrastá-lo para longe do mundo e me perder nele.

Duas semanas.
Duas malditas semanas com eles em casa — e comigo vivendo à base de autocontrole e frustração. Meu corpo reage antes da razão, e eu já não sei até quando vou aguentar.

E então vem a lembrança.
A porra da foto.

Lucas rindo, distraído, com aquele sorvete, a boca suja de doce como se não tivesse ideia do efeito que causava. Antônio teve a audácia de registrar aquilo. Desde então, cada vez que a imagem surge na minha mente, cresce junto uma vontade quase incontrolável de quebrar o pescoço dele.

— Giovanni, preciso de você na reunião de hoje com o conselho. Vou iniciar o processo para que ocupe o meu lugar.

A voz do meu pai é firme, definitiva.

— Mas... não seria só no ano que vem, papa?

— Mudei de ideia. Pretendo tirar férias com sue Matb. Você está pronto. Confio em você.

O peso daquelas palavras cai sobre meus ombros como uma sentença.

— Se eu assumir agora... o conselho vai exigir que eu me case — digo, já prevendo o caos. — Como fizeram com o senhor.

Meu pai sorri, calmo demais.

— Então é melhor você se resolver antes que eles escolham alguém por você.

Saio do escritório com a cabeça em chamas.
Meus planos estão sendo atropelados. Antecipados. E, ainda assim, uma única certeza permanece intacta: não existe ninguém no meu futuro além de Lucas.

Na sala, encontro minha mãe folheando uma revista ao lado da minha irmã.

— Matb, onde estão os meninos?

— Saíram com o Antônio, eu acho — responde sem levantar os olhos.

O sangue sobe na hora.

Não penso duas vezes.
Saio de casa decidido a encontrar Vincenzo antes que eu mesmo faça uma besteira.

Ainda no galpão, escuto a voz dele ao telefone, carregada de fúria:

— Você enlouqueceu, Antônio?! Clube? Você tem noção do perigo?! Se o papa souber...

Meu corpo entra em alerta.

— Clube? — pergunto, já sabendo que a resposta não vai me agradar.

— Quatazin — ele responde, seco.

Isso é o suficiente.

Entramos no carro e seguimos pela noite como se o tempo estivesse contra nós. São quase dez da noite, e Antônio resolve bancar o irresponsável. Ana e Oliver são novos demais para esse tipo de ambiente. Se algo der errado, a família inteira vai explodir.

Minha  Obsessão  ( Herdeiro Fiore Livro 1)Onde histórias criam vida. Descubra agora