- Não é desse mundo? – inquiriu meneando a cabeça.
Isabella recuou, meio temerosa, meio arrependida, focando-se nos olhos de Alexandre; não pareciam assustados, nem cépticos, tampouco resignados, apenas curiosos. Curiosidade era bom. Melhor do que os anteriores. Contudo ainda não era o que a jovem desejava. Ela queria aceitação.
Isabella confirmou com cabeça tentando se lembrar de respirar em intervalos regulares de tempo.
- O que quer dizer com isso? – questionou sem entender muito bem. – Como uma extraterrestre?
Ela fez que não. – Mais como uma extradimensional.
Alexandre cruzou os braços e recostou a cabeça no vidro. Estava aguardando uma explicação.
- Eu também vivia na Terra antes de vir para cá, mas era uma Terra completamente distinta dessa na qual vivemos. Roupas, cultura política, música e pessoas, era tudo muito diferente. Então só posso supor que essa é uma dimensão paralela a minha.
Durante toda a sua fala, Isabella entrelaçou seus dedos e então soltou-os, esfregou as mãos nervosamente e voltou a entrelaçá-las. Dava para ver sua inquietude.
- E como veio parar aqui? – Era incrível como Alexandre podia fazer aquele tipo de pergunta com tamanha naturalidade, como se simplesmente acreditasse nela incondicionalmente.
- Eu também não tenho certeza. Um dia eu simplesmente saí pela porta da minha casa e me vi nos jardins do palácio de Licrya.
- Ah, então foi assim que você conseguiu entrar clandestinamente no castelo e se tornar uma empregada mesmo que não tivesse sido chamada para isso.
- Isso, exatam... espera, como você sabe disso?
Alexandre estreitou os olhos. – Antes de te pedir em casamento eu pesquisei sobre você. Não ficaria noivo de uma completa desconhecida. Foi aí que descobri sobre isso; no dia de sua chegada, todos estavam muito ocupados com as organizações para o baile, então ninguém prestou muita atenção se você era ou não a empregada contratada, só queriam receber toda ajuda possível. Estavam desesperados. Entretanto, Nália, a garota que deveria estar no seu lugar apareceu e Madame Luza descobriu que não era suposto que você estivesse naquela posição. Você ia ser expulsa do palácio, contudo Luza intercedeu por você e implorou para o chefe da logística, Crazil, deixar você ficar. Ele acabou cedendo sobre a pressão da governanta e permitiu que você continuasse como empregada. Todos ficaram curiosos com como você havia conseguido invadir um palácio tão fortemente guardado quanto Licrya, contudo decidiram não te questionar profundamente sobre isso desde que nem você mesma parecia saber.
Isabella ficou vermelha. Então de fato, todos já tinham conhecimento disso. Pensou que tinha feito um bom trabalho escondendo que não era realmente uma empregada, mas na verdade, eram seus colegas os que tinham feito o brilhante trabalho de fingir que não sabiam de nada.
- Você.... acredita... acredita no que eu disse? Sobre eu ser de outro mundo? – inquiriu sentindo-se estranha sobre o quão compreensivo Alexandre vinha sendo.
Ele deu de ombros. – Sim.
- Como pode acreditar tão facilmente em um absurdo como esse? – exigiu. Um leve azedume se apoderara de seu nariz.
- Porque era uma de minhas suspeitas em relação a você.
Isabella piscou. – Já suspeitava que eu não fosse desse mundo?
O Imperador olhou-a de maneira obliqua – Foi uma das minhas suposições, mas não acreditava de verdade nisso. Achei que fosse uma ideia bastante tola, porém era tudo que eu tinha. Quem diria que eu estava certo.
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O Imperador Vermelho
Romantizm"Ele ascendeu ao trono em degraus de sangue". Quando Isabella foi misteriosamente teletransportada para uma realidade completamente distinta daquela a qual a jovem conhecia e que, como regalo, estava sob o constante ataque de bestas mágicas, ela não...