SIXTY FIVE

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                     Timothée

  Sempre que eu queria alguma coisa, eu era capaz de conseguir, porém dessa vez parecia um pouco diferente, observei Astrid de longe, ao lado do meu pai que conversava com os convidados, ignorei que Astrid estava completamente obcecada pelo tal Dan, e bebi metade da garrafa de champanhe quando me dei conta já estava indo até eles e passando os braços ao redor da cintura dela.

"Dan! Dan meu amigo." Bati o punho no peito dele que recuou devagar.

"Você está bebado?" Astrid sussurrou no meu ouvido e um arrepio correu por todo meu corpo.

"Nãoooo." Cantarolei e abanei a mão. "Bebi um pouco de champanhe." Apertei um pouco mais sua cintura, sem se importar que Dan estava constrangido com meu comportamento. Astrid puxou minha mão devagar e a segurou mais forte.

"Dan, me dá licença." Astrid pediu, e me puxou para o outro lado do saguão, ela segurou meu rosto e espremeu minhas bochechas. "Por que diabos você está bebado na festa da sua mãe?"

"Eu não tô bebado." Resmunguei com dificuldade e ela riu. "Quem é aquele cara?" A fiz soltar minhas bochechas e apanhei suas mãos contra meu peito.

"O Dan? Ele é um amigo da faculdade, fizemos o primeiro período de história juntos."

"Hm." Murmurei com certo mal humor, eu não queria que ela me visse sentindo ciúmes. Era ruim suficiente já sentir isso como se não confiasse nela. "Ele veio te ver."

"Eu sei." Ela respondeu. "Você está bem?" Perguntou olhando nos meus olhos, tentei não encarar seus lábios e beija-la, porque seria idiota da minha parte.

"Tô, pode ir lá com seu amigo." Abanei as mãos e me afastei dela, fui até a garrafa de whisky na mesa e levei o gargalo até a boca, olhei para o lado e Gentlyn estava me observando de cima a baixo. Eu engasguei com o último gole e limpei a boca com a manga do blazer.

"Vamos conversar." Ela pediu e estendeu a mão para que eu a acompanhasse, larguei a garrafa sobre a bancada e segurei sua mão apertando firme para sair e ir até o jardim.

   Gentlyn ajustou sua saia antes de se sentar em um dos bancos e me pedir para que eu me sentasse com ela, seu olhar já significava preocupação, cambaleei para o lado e me sustentei com a mão sobre o encosto, me sentei rapidamente ao sentir a tontura fazendo meu corpo ceder.

"Por que diabos está desse jeito?" Perguntou com as mãos sobre seu colo.

"Astrid tem um novo amigo." Respondi, encostando-me no banco. "Se chama Dan, ele estava procurando por ela, eles devem ser muito íntimos e..."

"Você precisa parar de agir como criança." Ela disse dura. "Eu estou cansada de ver você agindo como se o mundo fosse todo seu, ele não é, Astrid pode ter amigos, e você não precisa beber como se tudo fosse acabar."

  Odeio que ela tenha razão e eu esteja me exaltando por motivo algum.

"Ele veio de longe para vê-la, então faça amizade com ele, seja uma pessoa ao menos normal!"

"Eu sou uma pessoa normal!" Gritei.

"Mas não está agindo como uma pessoa normal!" Ela gritou e se virou para mim. "Timothée, não se trata das situações em que você vai passar e sim do que faz em seguida, se embebedar não vai adiantar de nada, bater a porta não vai adiantar, fazer birra não vai funcionar, você já é um adulto."

   Balancei a cabeça devagar e suspirei. Queria que ela não estivesse certa disso.

"Peça desculpas a ela assim que a festa terminar, e conheça o tal Dan, vai te fazer bem ter amigos." Ela bateu no meu ombro e se levantou, o vestindo caindo ao seu redor. "Por mim." Gentlyn pediu, eu fiquei de pé e a abracei com força, encostando o rosto em seu pescoço. Ela me afastou pelos ombros e me olhou diretamente nos olhos.

"Tudo bem." Sussurrei envergonhado por fazer uma cena justo no seu aniversário, ela me levou até a cozinha e me fez um café quentinho para curar a ressaca que eu teria na manhã seguinte, Gentlyn deixou a cozinha e fiquei sozinho bebendo aos goles a bebida forte junto com um copo de água morna.

  Olhei para a porta da cozinha e fiquei surpreso demais ao ver aquele vestido vermelho desenhando suas curvas, os cabelos escuros caindo sobre os ombros, ela desfilou até mim e abriu um sorriso com seus lábios pintados de vermelhos.

"O que faz aqui?!" Perguntei alto demais, olhei para os lados e me permitir respirar aliviado por não ter ninguém para me ouvir, Erica colocou as mãos em meus ombros.

"Eu não podia perder o aniversário da sua empresária, eu gosto da Gentlyn." Ela fez um bencinho. "Fiz um voo cansativo até aqui, você podia ao menos fingir que está feliz."

"Eu não estou." Resmunguei afastando suas mãos dos meus ombros. "Não devia estar aqui e muito menos vestida assim, não estamos no Red Carpet." Erica jogou a cabeça para trás e riu.

"Sei que você gostou dessa roupa." Era reveladora demais e eu não estava confortável em ver o tanto de pele exposta ali. Eu me levantei.

"Você parece meio gorda nesse vestido. Não ficou muito bom." Apertei seu ombro e me retirei da cozinha, ao ir para o saguão procurei por Astrid, mas ela não estava ali. Cutuquei minha mãe que se virou e sorriu ao me ver.

"Se sente melhor?" Perguntou.

"Onde está Astrid?" Eu a ignorei, Gentlyn abaixou a cabeça e pediu licença ao homem que conversava, me puxou para o outro lado.

"Ela saiu com Dan para mostrar a cidade, pensei que estava com eles."

"Eu estava com a Erica, quem diabos a chamou?" Perguntei, olhei para os lados procurando encontrar Erica pelo saguão.

"Ela é a namorada do Dan, pensei que soubesse."

  Que mundo pequeno, Meu Deus.

"Não, não sabia, ela nunca mencionou um namorado enquanto tentava me engolir na cozinha."

"Minha nossa Timmy, a boca." Gentlyn pediu e suspirou devagar. "Ligue para Astrid." Pediu, eu assenti, seria o melhor a se fazer, fui até o lado de fora e peguei meu celular para ligar para Astrid, mas só caía na caixa postal. Eu não desistiria tão fácil assim, precisava saber se ela estava bem com esse Dan, nem o conhecia e não gostava dele mesmo sendo namorado de Erica.

   Levei um susto ao ouvir um barulho e olhei para trás ao ver Erica afastando as folhas das árvores do rosto e vindo até mim.

"Eles não devem ter ido muito longe." Ela disse. "Posso te levar em um lugar?"

"Não." Respondi completamente seco.

"Você vai gostar." Insistiu, ela pegou algo na sua bolsa, uma chave e girou nos dedos. "Vamos dar um passeio de moto." Eu era completamente louco para andar de moto, mas Nicole nunca me deixou ter uma, na realidade isso jamais daria certo, peguei a chave e ela me conduziu até o outro lado da rua onde os seguranças abriram as portas e saímos. Erica usou seu único capacete, circulando suas mãos em minha cintura quando subi, e liguei os faróis. "Vou te guiar." Ela disse em meu ouvido, eu acelerei pela rua aos seus comandos virando para os lados em curvas divertidas, Erica ergueu os braços para cima gritando enquanto íamos na velocidade do vento, sem se importar com as ondas de calor dentro dos nossos corpos, parei em frente a uma loja de conveniência e vi Astrid sentada ao lado de Dan, eles não estavam tão distantes, ele estava a beijando com a mão em seu rosto. Senti meu sangue fervendo e desci da moto, indo até Dan, segurei a gola da sua camisa e o esmurrei no meio do rosto, o derrubando na calçada, ouvi o grito de Astrid, mas não parei, sangue se espalhava pelos nós dos meus dedos cada vez que fechava minha mão e bati nele com toda a raiva que podia, duas mãos me puxaram para cima, eu estava ofegante demais para conseguir ver quem me segurava, mas eram mãos mais seguras.

"Vocês!" Ouvi gritarem atrás de mim. "Fora daqui antes que eu chame a polícia." O homem disse, eu olhei para Astrid, um olhar firme demais que a intimidou e a fez abaixar a cabeça, era exatamente disso que eu tinha medo, mas não estava bravo com ela, porque sabia que não era culpa dela de verdade.

TOMORROW| Timothée ChalametOnde histórias criam vida. Descubra agora