Capítulo 3 - 22 de dezembro de 2021

4 0 0
                                    


— Bom dia, seu Manoel. Dormiu bem? — acordei ao ouvir a enfermeira entrando no quarto. — Vim colher um pouco do seu sangue, doutor Caio pediu para fazer alguns exames do senhor, como está se sentindo? Hoje à tarde teremos uma sessão de quimioterapia.

Assim que a enfermeira saiu, Caio entrou e veio me cumprimentar, depois se aproximou da cama e analisou meu marido, anotou algumas coisas em sua prancheta, mas não consegui enxergar.

— Dona Rosa, podemos conversar lá fora?

— Claro! — concordei de forma sorridente, mas a preocupação tomava conta de mim.

— Eu não sou muito de falar sobre as evoluções dos meus pacientes sem ter certeza, mas estou torcendo para que essas sejam boas, aparentemente o corpo de Manoel está reagindo bem às medicações, então acredito que podemos diminuir a gravidade da doença, claro que ainda vai levar muito tempo para ele se livrar totalmente do câncer, pelo grau que se encontra, mas já está no caminho certo.

Soltei todo o ar que nem sabia que estava segurando, coloquei a mão no coração, tentando regular a respiração, parecia que um peso havia saído de minhas costas, estava aflita, sem dormir direito, acordava de hora em hora para ver se ele estava bem, ou melhor, respirando.

O dia foi longo, Manoel dormiu o dia todo praticamente, o tratamento o deixava muito cansado, enquanto ele dormia aproveitava para ver alguns vídeos na internet, esse foi o jeito que encontrei para me distrair e não ficar pensando no pior.

Peguei uma troca de roupa e fui tomar um rápido banho, não gostava de deixá-lo sozinho por muito tempo. Estava terminando de pentear o cabelo quando ouço um barulho alto vindo do quarto, jogo o pente na pia e saio correndo do banheiro, Manoel está caído do chão e o suporte em que o soro fica pendurado estava caído por cima dele, por sorte o cateter nasal não escapou do oxigênio.

Entrei em desespero ao vê-lo caído no chão e gemendo de dor, o pânico tomou conta de mim, não sabia o que fazer, gritava por Manoel, por ajuda, pela enfermeira, não aguentava com o peso dele, não conseguia levantá-lo sozinha, abri a porta do quarto e gritava por ajuda no corredor, dois enfermeiros vieram correndo em minha direção, um pouco assustados pela minha expressão de pavor.

— O que aconteceu? A senhora viu? — perguntou um dos enfermeiros enquanto ajudava o outro a por Manoel de volta na cama.

— Eu estava no banheiro, apenas ouvi um barulho muito alto e quando vim ver o que era, encontrei ele caído.

— Consegue nos contar o que aconteceu, Manoel? — agora foi o outro enfermeiro a perguntar.

— Bom, a Rosa estava tomando banho e eu fiquei com sede, sabia que naquela garrafa havia água. — apontou para o carrinho que as copeiras usam para carregar bebida e comida. — Tentei alcançar, mas o carrinho andou, acabei me desequilibrando e caindo da cama e esse negócio aqui. — apontou para o suporte de soro. — Caiu em cima de mim.

— Manoel! Não podia esperar eu terminar meu banho, você quase se mata e me mata junto, só porque é teimoso e quer fazer tudo sozinho.

— Desculpa querida, mas eu estava com sede.

— Calma senhora, vamos falar com o doutor sobre esse acontecimento, provavelmente irá pedir um raio x. — apenas assenti e assim os dois saíram do quarto.

— Olha, Manoel, você me faz passar por cada coisa, hem?

— Se acalma, meu amor, está tudo bem, eu estou bem, foi só um susto.

Mais tarde doutor Caio apareceu para acompanhá-lo até a sala de raio x, demorou menos de uma hora e voltaram, os resultados não mostraram nada de alterado, estava tudo certo, sem nenhuma lesão, só então consegui relaxar. 

Sr. & Sra. Martins [Degustação]Onde histórias criam vida. Descubra agora