Ariel
---- Angie, é sério! ---- eu exclamei. --- Tô aqui na praia do Leblon!
---- Só acredito vendo, El! ---- ela respondeu, e pela sua voz, estava chocada.
---- E eu ia brincar com uma coisa dessas? ---- eu ri.
Certo, eu era meio maluca, mas nunca nem tocava nesses assuntos que provocavam meus gatilhos. E, agora aqui, no meio da praia as 07:30 da manhã, andando de mãos dadas com o amor da minha vida... Se alguém me contasse que isso iria acontecer comigo a um mês atrás, eu provavelmente acharia de uma péssima brincadeira de mau gosto.
Me apaixonar perdidamente pelo Fazendeiro desbloqueou algo dentro de mim que me destravou. E, com isso e com mais uma ajudinha do universo, eu estava superando finalmente meus traumas.
---- Não, você não iria brincar com isso... ---- ela deu um grito e eu escutei barulho de atrito no telefone, como se ela tivesse soltando pulinhos de alegria. O telefone estava no viva voz, pois eu queria que o Leandros também escutasse a conversa. Leandros riu diante do entusiasmo dela. ---- Eu tô passada com isso, Ariel! Mas, estou imensamente feliz, tô quase fazendo as minhas malas e indo aí ver isso pessoalmente!
---- Não, por favor... ---- Leandros falou pra ela escutar. ---- Tô tendo que dividir minha mulher com toda a família dela em plena minha lua de mel, estou certo que você também não vai querer ficar encima.
---- Leandros! ---- eu briguei com ele.
Ele riu e olhou para frente, exalando bom humor. Tanto bom humor que começou até a assobiar, balançando os nossos sapatos que estavam na sua mão.
Qualquer paranóia ou raiva que ficaram na cabeça do Leandros a respeito da Angie se foram embora. Graças a Deus. Não sei se foi por mim, ou se foi por outra coisa, mas toda aquela ira de domingo não existia mais.
---- Desculpa, Ângela, ele tá cheio de graça hoje...
---- Não sei como você aguenta! ---- ela riu. ---- Bom dia pra você também, Leandros! E aí, já deu de cara com algum ficante gostoso da Ariel pela praia?
---- Ângela!
Ela riu mais ainda ao constatar o silêncio do Leandros, que agora me encarava sério, mesmo usando óculos escuros, eu tinha certeza que seus olhos azuis escureceram.
---- Se ela voltou a desfilar por aí, se prepara! ---- ela terminou avisando.
Eu rapidamente tirei o telefone do viva voz e pedi ao Leandros pra me buscar uma água de côco do ambulante que estava próximo da gente. Ele rosnou, mas foi fazer o que pedi.
---- Obrigada, agora ele vai ficar com a cara fechada durante o dia todo ---- eu reclamei com ela, colocando o telefone na orelha.
---- Tadinho, deixa só ele saber que as coisas que você fazia aqui em Campo Grande não chega nem aos pés do que você aprontava aí! ---- ela riu mais ainda.
---- E como você está? ---- resolvi mudar de assunto, para algo realmente relevante. ---- Ele não foi te encher o saco, não é?...
Ela suspirou e na hora teu entusiasmo sumiu.
---- Você tinha que me lembrar... ---- ela suspirou mais uma vez. ---- Tô péssima! E não, Gustavo realmente deve ter pegado nojo de mim.
---- Bom, Ângela, como sua amiga, eu desejo que ele fique bem longe de você! E pelo que eu sei, ele foi pra outra cidade...
---- Muito bom saber disso... ---- ela comentou, demostrando indiferença.
Eu suspirei fundo.
---- Tá se alimentando direito, Ângela? Bebendo água certinho?
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Duas Semanas De Puro Prazer
RomanceATENÇÃO, CONTEÚDO NÃO INDICADO PRA MENORES DE 18 ANOS! Uma carioca da gema escolheu Campo Grande, capital de Mato Grosso Do Sul, para se refugiar de um trauma. Sem nem mesmo suportar ter a lembrança do mar, ela se vê mergulhando nos olhos azuis de...