CAPÍTULO 43

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Ariel

---- Angie, é sério! ---- eu exclamei. --- Tô aqui na praia do Leblon!

---- Só acredito vendo, El! ---- ela respondeu, e pela sua voz, estava chocada.

---- E eu ia brincar com uma coisa dessas? ---- eu ri.

Certo, eu era meio maluca, mas nunca nem tocava nesses assuntos que provocavam meus gatilhos. E, agora aqui, no meio da praia as 07:30 da manhã, andando de mãos dadas com o amor da minha vida... Se alguém me contasse que isso iria acontecer comigo a um mês atrás, eu provavelmente acharia de uma péssima brincadeira de mau gosto. 

Me apaixonar perdidamente pelo Fazendeiro desbloqueou algo dentro de mim que me destravou. E, com isso e com mais uma ajudinha do universo, eu estava superando finalmente meus traumas.

---- Não, você não iria brincar com isso... ---- ela deu um grito e eu escutei barulho de atrito no telefone, como se ela tivesse soltando pulinhos de alegria. O telefone estava no viva voz, pois eu queria que o Leandros também escutasse a conversa. Leandros riu diante do entusiasmo dela. ---- Eu tô passada com isso, Ariel! Mas, estou imensamente feliz, tô quase fazendo as minhas malas e indo aí ver isso pessoalmente!

---- Não, por favor... ---- Leandros falou pra ela escutar. ---- Tô tendo que dividir minha mulher com toda a família dela em plena minha lua de mel, estou certo que você também não vai querer ficar encima.

---- Leandros! ---- eu briguei com ele.

Ele riu e olhou para frente, exalando bom humor. Tanto bom humor que começou até a assobiar, balançando os nossos sapatos que estavam na sua mão.

Qualquer paranóia ou raiva que ficaram na cabeça do Leandros a respeito da Angie se foram embora. Graças a Deus. Não sei se foi por mim, ou se foi por  outra coisa, mas toda aquela ira de domingo não existia mais.

---- Desculpa, Ângela, ele tá cheio de graça hoje...

---- Não sei como você aguenta! ---- ela riu. ---- Bom dia pra você também, Leandros! E aí, já deu de cara com algum ficante gostoso da Ariel pela praia?

---- Ângela!

Ela riu mais ainda ao constatar o silêncio do Leandros, que agora me encarava sério, mesmo usando óculos escuros, eu tinha certeza que seus olhos azuis escureceram.

---- Se ela voltou a desfilar por aí, se prepara! ---- ela terminou avisando.

Eu rapidamente tirei o telefone do viva voz e pedi ao Leandros pra me buscar uma água de côco do ambulante que estava próximo da gente. Ele rosnou, mas foi fazer o que pedi.

---- Obrigada, agora ele vai ficar com a cara fechada durante o dia todo ---- eu reclamei com ela, colocando o telefone na orelha.

---- Tadinho, deixa só ele saber que as coisas que você fazia aqui em Campo Grande não chega nem aos pés do que você aprontava aí! ---- ela riu mais ainda.

---- E como você está? ---- resolvi mudar de assunto, para algo realmente relevante. ---- Ele não foi te encher o saco, não é?...

Ela suspirou e na hora teu entusiasmo sumiu.

---- Você tinha que me lembrar... ---- ela suspirou mais uma vez. ---- Tô péssima! E não, Gustavo realmente deve ter pegado nojo de mim.

---- Bom, Ângela, como sua amiga, eu desejo que ele fique bem longe de você! E pelo que eu sei, ele foi pra outra cidade...

---- Muito bom saber disso... ---- ela comentou, demostrando indiferença.

Eu suspirei fundo. 

---- Tá se alimentando direito, Ângela? Bebendo água certinho?

Duas Semanas De Puro PrazerOnde histórias criam vida. Descubra agora