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SERENDIPITY
Capítulo IV
━━━━━━◇◆◇━━━━━━O mundo está calmo aqui.
Essa frase poderia soar como o lema de uma organização secreta ou algo que um irmão diria ao buscá-lo de táxi para ajudar a cruzar uma fronteira clandestina rumo às montanhas. Mas quando o mundo é barulhento, ele parece se desintegrar.
— O que vocês viram? — perguntou Violet assim que Coraline se sentou ao seu lado na assembleia.
— Acho que vimos o Conde Olaf! — disse Isadora, inclinando-se sobre os irmãos para que os Baudelaire conseguissem ouvi-la em meio à confusão ao redor.
— O quê? — Klaus franziu a testa, confuso.
É praticamente impossível manter uma conversa privada em uma multidão barulhenta e eufórica.
— Achamos que o Conde Olaf está aqui! — repetiu Duncan, falando mais alto enquanto se inclinava para perto de Violet, que parecia ainda não ter entendido.
Antes que pudessem continuar a conversa, o vice-diretor Nero tomou o microfone, e sua voz estridente ecoou pelo salão, silenciando a multidão:
— Obrigado! Bem-vindos à nossa assembleia motivadora obrigatória. Não sei qual palavra é mais inspiradora: "assembleia" ou "obrigatória". O que acham, alunos? Vamos perguntar ao nosso mascote!
— Qual é o mascote da escola? — perguntou Violet, inclinando-se para Coraline enquanto os gritos ensurdecedores voltavam a encher o salão.
— Um cavalo morto — respondeu Coraline com naturalidade.
— O quê? — Klaus arregalou os olhos, começando a perguntar, mas foi interrompido por Isadora.
— Isso mesmo, um cavalo morto. Mas escutem, isso não importa agora. — Isadora tentou falar mais alto, sua voz quase sendo abafada pela multidão. — Nós vimos...
A conversa foi interrompida bruscamente quando a senhora Bass cutucou Isadora, mandando-a ficar quieta. Nero voltou a falar, mais alto do que antes:
— Sei que estão desanimados desde que nossos atletas, líderes de torcida e a professora de ginástica desapareceram misteriosamente após aquele jogo em outra escola. Mas a Escola Preparatória Prufrock tem um lema. "Memento mori". É um velho ditado grego...
— Latim — corrigiram os Baudelaire e os Quagmire em uníssono, mas apenas para si mesmos.
— ... que significa: "Lembre-se de que morrerás." Um lembrete poderoso, não acham? Afinal, logo o sol vai se pôr, aquele orbe flamejante da vida, deixando-me sozinho! Sozinho!
Coraline murmurou um "Que imbecil", arrancando um sorriso de Violet enquanto Nero dramaticamente olhava para o céu vazio, como se buscasse inspiração divina.
A garota revirou os olhos antes de notar Duncan discretamente pegar sua caderneta e escrever rapidamente: "Conde Olaf está aqui!". Ele ia passar o recado por ela para os Baudelaire, mas antes que pudessem reagir, o senhor Remora fechou o caderno, gesticulando para que prestassem atenção.
— Mas, até lá, encontrei um substituto perfeito para a nossa insubstituível professora de ginástica! — anunciou Nero, voltando a atenção para os alunos. — Aplaudam, por favor, o novo professor de ginástica, treinador Genghis!
No palco, surgiu um homem alto e magricela. Ele vestia roupas leves e esportivas, com tênis caros e um apito prateado reluzente pendurado no pescoço. O que mais chamava atenção, no entanto, era o turbante que cobria sua cabeça, preso por uma pedra vermelha brilhante.
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Serendipity | Violet Baudelaire
FanfictionSe estão em busca de histórias com finais felizes, é melhor ler algum outro livro. Não tem um final feliz, como também é notável a ausência de um começo feliz, os acontecimentos felizes são raros. A história que lhe contarei é sobre os Quagmire, esp...