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NORTH DENVER 1977
Era um domingo chuvoso quando Anya, prestes a sair para a casa de Robin, foi interrompida pelo som insistente da campainha e batidas frenéticas na porta. Sendo a única em casa, foi atender, irritada com a interrupção.
"Mas que porr-" Anya começou a dizer, mas se calou ao ver Poppy, toda molhada e tremendo, com lágrimas correndo pelo rosto. "Entre," disse rapidamente, afastando-se para dar passagem.
Poppy entrou apressada, a voz trêmula e desesperada. "O Robin desapareceu... Procurei por ele em todos os lugares e não o encontrei." Limpava as lágrimas enquanto falava, sua voz cheia de pânico.
"Quando foi a última vez que você o viu?" perguntou Anya, tentando manter a calma.
"Estávamos na casa dele. Ele disse que ia comprar doces para mais tarde. Eu insisti em ir com ele, mas ele pediu para eu ficar e disse que voltava logo." Poppy se sentou, tremendo e soluçando. "É minha culpa," murmurou, a voz quebrada pelo choro.
"Eu sinto muito, Poppy," disse Anya, sentando-se ao lado da amiga, tentando oferecer conforto.
"Perdi meu namorado e meu melhor amigo... Quem será o próximo que aquele sequestrador vai pegar?" A voz de Poppy era rouca de tanto chorar. "Eu não quero te perder, ou perder Finney."
"Você não vai me perder," disse Anya com firmeza. "O sequestrador só pega garotos, e eu realmente acho que ele não pegaria Finn."
"Como você tem tanta certeza?" Poppy perguntou, a voz cheia de desesperança. "Por que ele se protegeria? Anya, nem a porra do seu namorado descontrolado conseguiu se proteger, nem o Bruce, meu melhor amigo, conseguiu se proteger, nem Robin, e nós duas sabemos que Finney é o mais fácil de todos!"
"Pare de dizer isso!" Anya exclamou, revirando os olhos. "Poppy, desde que Bruce desapareceu, você age como se só você tivesse perdido ele. Porra. Ele também era meu melhor amigo, está bem?" Tentou respirar fundo para se acalmar, mas a raiva era palpável. "E para de chamar Vance de descontrolado! Você não o conhecia!" enfatizou, elevando a voz. "Pare de agir como se só a sua dor importasse."
"Eu acho melhor ir embora antes que sua mãe chegue," disse Poppy, levantando-se abruptamente.
"Poppy..."
"Não." Poppy passou por Anya, abrindo a porta com um movimento brusco. "Você é a porra de uma egoísta, Anya! É isso que você é! Eu tenho pena de você." E com isso, ela saiu, batendo a porta com força.
Anya se encolheu no chão, abraçando as pernas enquanto as lágrimas desciam pelo rosto. Nunca tinha brigado com Poppy assim antes. Na verdade, elas brigaram apenas uma vez, quando crianças, por causa de uma boneca, e ficaram menos de dez minutos sem se falar. Mas agora, isso era diferente.
"Poppy precisava de mim e eu estraguei tudo, como sempre," sussurrou para si mesma. Ouviu o carro de sua mãe estacionando e correu para seu quarto, apagando as luzes e se deitando rapidamente. Quando sua mãe chegava do trabalho, ligava a TV e bebia até desmaiar ou se dopava de remédio. Anya sempre tinha que cuidar dela, mas estava convencida de que sua mãe a odiava, sempre repetindo como ela havia destruído sua vida. Parou de cuidar da sua mãe quando nem ela mesma conseguia cuidar de si própria.
Seu pai estava ali por obrigação, aparecendo apenas de madrugada e, mesmo assim, raramente.
A mãe entrou no quarto e Anya fingiu estar dormindo. Sentiu a mão dela passar por seu cabelo suavemente, um gesto raro de carinho, antes de sair do quarto.
Três semanas se passaram, e Anya e Poppy ainda não tinham se reconciliado. Durante essas semanas, Anya se aproximou de Finney. Não muito, mas estavam conversando com mais frequência. No entanto, sentia saudades de sua amizade com Poppy.
"Formem duplas," anunciou o professor. "Lembrem-se, este será seu par pelo resto do ano." Anya levantou-se junto com os outros alunos e foi até Finney, que estava parado, olhando ao redor.
"Você tem um parceiro?" perguntou, tentando parecer casual.
"Não, não. Digo, sim. Eu não tenho um parceiro," respondeu Finney, tropeçando nas palavras. Anya sorriu e se sentou ao lado dele.
"Aqueles caras são uns idiotas," murmurou ela.
"O quê?" perguntou Finney, confuso.
"Hoje de manhã? Todos estão falando disso." Anya lembrou, vendo Finney desviar o olhar.
Os mesmos garotos que estavam no banheiro atrás de Finney o haviam espancado naquela manhã. Com Robin fora de cena, eles aproveitaram a oportunidade.
"Oh..." disse ele, sua voz saindo rouca e fraca.
"Sua irmã é muito legal. Quem dera ter uma irmã assim," comentou Anya, prestando atenção na aula. Finney olhou para ela e sorriu. "Você tem sorte, Finney."
"Me chame de Finn," ele disse, sorrindo timidamente.
"Está bem, me chame de Any então," ela respondeu, ainda voltada para o professor que explicava a matéria. Finn continuou sorrindo, sentindo uma conexão entre eles.
E no outro lado da sala Donna olhava com tristeza, afinal, ela era afim de Finney e achava que o garoto estava dando indícios que também era, mas se enganou.
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O sinal tocou e todos os alunos começaram a sair da escola. Anya rapidamente se juntou a Finney, sabendo que Gwen iria dormir na casa da amiga Susie e não querendo voltar para casa sozinha. Eles conversavam animadamente, trocando risadas enquanto caminhavam.
Ao virarem a esquina, Anya parou de rir ao ver uma van preta estacionada. O coração dela acelerou quando um homem tropeçou e caiu na frente deles. Instintivamente, Anya segurou o braço de Finney.
"Você precisa de ajuda?" Finney perguntou ao homem, sua voz cheia de preocupação.
O homem mais velho começou a rir, um som que fez Anya se arrepiar.
"Não, vamos embora," ela sussurrou para Finney, tentando puxá-lo para longe.
"Espere," ele sussurrou de volta, hesitando.
"Vocês viram isso?" o homem disse entre risos, apontando para um chapéu caído no chão. "Você poderia me passar meu chapéu?" ele perguntou a Finney, um sorriso estranho no rosto.
"Você não tem mão, não? Desgraçado., Anya ofendeu o homem, sua paciência esgotada. A última coisa que precisava era de um pedófilo nojento ali. "Para de ser estranho."
"Claro," Finney disse, ignorando o comentário de Anya. Ela revirou os olhos e se afastou dele, indo até a janela da van para ver o que tinha dentro.
"São balões pretos?" Anya exclamou, seus olhos se arregalando de medo. Ela virou a cabeça para olhar para o homem.
"Sim," ele respondeu, enquanto se levantava. Num movimento rápido, ele agarrou Anya, que gritou e tentou chutá-lo. Ela conseguiu cortar o braço dele com uma faca que mantinha em seu bolso, mas o homem gemendo de dor apenas fez se agarrar a ela com mais força.
"Finney, me ajuda!" ela gritou desesperada, lutando contra o homem.
"Any!" Finney correu para tentar ajudar, mas o homem foi mais rápido. Ele borrifou alguma coisa no rosto dela, fazendo-a desmaiar instantaneamente. Em seguida, virou-se para Finney, borrifando o que restava na lata e jogando-o na van ao lado de Anya.