Oito

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Atenção: Os capítulos podem conter momentos que despertam gatilhos em alguns. Em caso de desconforto peço por gentileza que fique atento(a) e/ou não leia. Dito isso, agradeço pela atenção e fiquem com a leitura. Espero que gostem!

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3h56

Ainda estava escuro lá fora – o preto profundo da noite anunciava um amanhecer iminente. Heeseung acaba acordando sozinho.

Piscando lentamente para acordar, ele percebe como seus olhos ainda estavam molhados e pouco inchados. Pateticamente lembrou-se que chorou por cerca de meia hora antes de permitir ser levado ao sono, enrolado entre as cobertas formando seu próprio ninho.

Fitando o teto do quarto, Heeseung pressentia como se estivesse descendo e as paredes à sua volta se aproximavam para sufocá-lo ali dentro.

Ele se sentia doente, enojado mas sem conseguir vomitar, com vontade de chorar mas sem conseguir derramar mais nenhuma lágrima e uma dor de cabeça que subitamente havia aparecido. É como se todo seu corpo estivesse em estado de entorpecimento, com exceção de sua mente e seu coração – estes eram os que mais estavam agitados dentro dele.

A retirada de Sunghoon do quarto durante aquela noite provocou-lhe solidão e desamparo. Não se lembrava da última vez que haviam discutido daquele jeito ao ponto de ficarem separados um do outro. Acontecimentos como esse devem ter ocorrido apenas uma única vez durante todo o relacionamento que tiveram, então aquela deveria ser a segunda e pior experiência para ambos.

Mas Heeseung sabe que nada poderia fazer, afinal foi ele quem pediu para que o mais novo o deixasse sozinho. Não poderia culpar o outro pelo sentimento de vazio ao seu redor e pedir que ele voltasse sem mais nem menos. Além do mais, Heeseung também sabia que precisava daquele tempo para si mesmo. Tinha que respirar o mínimo de oxigênio após a súbita afronta de Sunghoon.

Heeseung não queria mentir para si, mas sabia que lá no fundo tudo aquilo havia o machucado – e muito – de uma maneira que não esperava. Havia acontecido tudo tão rápido, de uma forma completamente inesperada e equivocada.

Sunghoon agiu grosseiramente consigo, sim, Heeseung estava ciente disso. Para algumas atitudes como essas era imperdoável, e não poderia passar a mão na cabeça do marido e dizer que estava tudo bem. Sunghoon deveria ter lhe respeitado antes de tudo, pensado bem antes de fazer o que fez.

Ele pode sentir na pele, pela primeira vez, a maneira como o platinado agia com frieza com aqueles que não queriam o bem estar deles. Ficou completamente imóvel enquanto era rebaixado com suas palavras duras e ácidas.

Consciente que o mais novo provavelmente atuava ainda mais rude enquanto defendia seus clientes – apenas em um tom mais baixo do que foi direcionado a ele –, preferiu nunca mais voltar a ver o mesmo agindo assim novamente consigo.

Heeseung tem noção de que escondeu algo grave do marido. Mas... precisava de tudo aquilo?

Ele entendia o lado do mais novo. Descobrir depois de anos uma história deplorável como a dele levaria a reação que teve. Mas Sunghoon poderia ao menos entender um pouco do lado dele também, era o mínimo. Claro que na raiva descontrolada do outro, nada disso funcionaria, contudo também não era desculpa para seu comportamento.

Esticando-se na grande cama, Heeseung pode sentir como o travesseiro ao lado dele era frio ao toque. Olhou ao redor lentamente e se deparou apenas com o vazio como companhia.

Alcançando o celular em cima da cômoda, ele verifica a hora, 4h06. Bem, é uma merda que não tenha dormido quase nada. Ele se sente tão cansado e fraco, seus músculos doloridos gritavam pela posição mal dormida.

Lugar Para Chamar de Lar | Heehoon / JaywonOnde histórias criam vida. Descubra agora