Vovó Cece

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Conversamos durante todo o trajeto, contei sobre os casamentos ciganos e os rituais que são feitos durante as festas. Recordo da última festa que estivera com Luna e tomamos um porre gigante que acordamos no trailer de uma família desconhecida do acampamento. Vovó e mamãe não ficaram contentes naquele dia.

O tempo passa rápido, nenhum de nós percebe quando começamos a nos aproximar do acampamento e, mesmo à noite, era possível enxergar a imensa tenda branca acima de uma pequena colina e os vários trailers coloridos espalhados mais em baixo.

- Chegamos. – Ansiosa, meu coração começa a bater forte. Ao longe consigo perceber a presença de duas pessoas, minha vó e mamãe nos aguardavam próximas a entrada do acampamento.

Não demora muito para atravessarmos o pequeno portal de boas vindas na entrada, Joseph estaciona ao lado dos vários carros ali presentes e começo a me ajeitar para descer e esticar as pernas. O loiro ao meu lado respira fundo, nervoso. Sorrio em sua direção.

- Vai dar tudo certo, fica calmo. – Quinn retribui em um meio sorriso, ainda nervoso.

- Minha querida! – Sou recepcionada com um abraço apertado de mamãe logo que saio do carro. Seus braços apertavam-me forte, quase me sufocando. – Senti sua falta.

- Nos vimos semana passada mãe, quando a senhora apareceu de surpresa em meu apartamento.

- Valeu a pena. – Manda uma piscadela em minha direção. Percebe a presença de Joseph um pouco atrás de mim e sorri animada. – Joseph que bom que você veio, estava ansiosa pela sua presença. – Abraça-o da mesma forma: forte e sufocante.

- Sua benção vó. – Sigo na direção da mulher de cabelos brancos e pele lisa, alguns centímetros a menos que eu e cheia de pulseiras que tilintavam sem parar. – Como a senhora está? – Abraço-a forte, matando a saudade da sua presença.

- Deus te abençoe minha neta. – Segura-me pelos ombros, deixando um carinho amigável na região. – Olha o quão linda você está. Espero que amanhã vista uma roupa à caráter. Não ouse aparecer com aquelas calças jeans na festa, ou então, você será deserdada. – Brinca, solta-me de seus braços e volta atenção para o homem ao meu lado. Estampa um sorriso encantador nos lábios, deixando mais evidente as rugas que o tempo lhe deram. Rapidamente vovó toma a mão de Joseph em um cumprimento casual, mas noto a sutilidade dela virando a palma dele para cima e deu uma rápida olhada antes de soltá-la animada. - Você! – Toca o rosto dele com uma animação fora do comum, deixa um carinho nada discreto em cima da sua barba. – Eu estava esperando por você.

Automaticamente minhas mãos começam a suar frio e meus olhos arregalam-se. O medo toma conta da minha feição, recordo de alguns dias atrás quando mamãe leu minha sorte e previu "um homem perfeito que irá me amar incondicionalmente", é claro que vovó já está a par dessa novidade.

Só que esse cara não era Joseph. Não podia ser ele.

O que tínhamos, no máximo, era uma relação carnal ainda não muito bem esclarecida e que nem deveria existir, para começo de conversa.

- Estava? – Joseph pergunta, surpreso.

- É claro! – Mamãe diz animada. Provavelmente ela viu o horror em meus olhos e, como uma alma bondosa, resolve dar uma desculpa qualquer. Colocando-se a frente de vovó. – Estávamos ansiosos pela chegada do estrangeiro. Geralmente não recebemos novas pessoas no acampamento, então você é muito bem-vindo. – Acena com a cabeça para mim, deixando claro que entendeu meu recado. Enquanto vovó franzia o cenho, confusa. – Mas vamos entrar, ninguém merece esse frio e o jantar já está servido!

Joseph vai até o carro novamente, pegando as malas, e então todos nós seguimos em direção ao trailer de vovó.

- Pode ficar a vontade querido. Separamos um trailer apenas para vocês dois, assim que terminarmos o jantar, mostramos a vocês onde será. – Vovó ajeita-se dentro do trailer grande e extremamente bem arrumado, como sempre fora. – Aliás meu querido me chamo Cecil, pode me chamar de Cece se preferir. E você é Joseph. – Vovó não tem muita noção a respeito de espaço pessoal, então ela estava grudada em Joseph, mal o deixando respirar. Era engraçado a diferença de altura entre os dois.

Sobre a noite passada | Joseph Quinn | HIATUSOnde histórias criam vida. Descubra agora