Cidade de Prata

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Cidade de Prata, Necrotério.

Derrick estava na frente de um lance de escada enquanto olhava para frente com olhos avermelhados. À sua frente havia dois caixões contendo seus pais.

Embutida em uma placa de pedra à sua frente havia uma simples espada de prata. Os frequentes trovões fizeram a casa tremer e a espada balançar.

O casal Berg dentro dos caixões ainda não estava completamente morto. Eles lutavam para manter os olhos abertos enquanto tentavam fracamente buscar respirar, mas para alguns, o brilho de suas vidas não conseguia mais suprimir seu escurecimento irreversível.

— Derrick, agora! — Um ancião vestido com uma longa túnica preta olhou para o jovem e disse em voz profunda com um cajado na mão. A expressão do jovem estava visivelmente distorcida.

— Não, não, não! — Derrick, de cabelos amarelo-acastanhados, balançou a cabeça repetidamente. Ele deu um passo para trás a cada palavra e finalmente soltou um grito agudo.

Tum!

O ancião bateu seu cajado e disse:

— Deseja que toda a cidade seja enterrada junto com seus pais?

— Você deve saber que somos o Povo das Trevas, abandonados por Deus. Só podemos viver em um lugar amaldiçoado como este e todos os mortos se tornarão horríveis espíritos malignos. Não há como reverter isso, independentemente do que façamos, exceto... exceto terminar suas vidas pelas mãos de um membro da família!

— Por quê? Por quê? — perguntou Derrick em desespero, balançando a cabeça. — Por que os cidadãos da Cidade de Prata estão destinados a matar seus pais no momento em que nascem...

O ancião fechou os olhos, como se recordasse o que havia experimentado no passado. — Este é o nosso destino, esta é a maldição que devemos suportar, esta é a vontade de Deus...

— Empunhe sua espada, Derrick. Isso é uma demonstração de respeito a seus pais.

— Depois, quando você se acalmar, poderá tentar se tornar um Guerreiro de Sangue Divino.

No caixão, Berg tentou falar, mas só conseguiu soltar um gemido depois que seu peito arfou várias vezes.

Derrick deu vários passos para frente com grande dificuldade, retornando ao lado da espada de prata. Ele então estendeu sua trêmula mão direita.

Seu cérebro registrou o toque frio do metal, fazendo com que ele se lembrasse do Gelo de Sangue que seu pai trouxe quando caçou. Um Gelo de Sangue do tamanho de uma mera palma era suficiente para manter sua casa fresca por alguns dias.

Imagens passaram por seus olhos: seu severo pai ensinando técnicas de espada, seu amigável pai limpando o pó em suas costas, sua gentil mãe consertando suas roupas, sua corajosa mãe ficando em sua frente quando encontraram um monstro mutante e, finalmente, sua família amontoada na frente de uma vela tremeluzente compartilhando comida...

Um som fraco saiu de sua garganta, apesar de sua máxima repressão. Com um baixo grunhido, ele exerceu força com a mão direita e empunhou a espada.

Tap! Tap! Tap!

Ele abaixou a cabeça e avançou, erguendo a espada e a abaixando com força.

— Ah! — Sangue espirrou após um grito de dor. O sangue espirrou no rosto e nos olhos de Derrick.

Sua visão ficou vermelha. Ele puxou a espada e perfurou o caixão ao lado.

Depois que o metal afiado perfurou carne, Derrick soltou o punho e cambaleou quando se levantou.

Senhor dos Mistérios - Vol. 1Onde histórias criam vida. Descubra agora