Não conseguia entender seu nome, mas eu o chamava de anjo. Por que ? Ele tinha um ar genuíno e uma presença que espantava todas as sombras da minha alma, Ele surgia depois que meu coração estava destroçado e me fazia sentir-se no mais sublime céu.
"Para você." Estávamos sentados em frente a um lago em um pequeno parque do nosso bairro, ele me entregou um lírio branco e eu sorri. "Feliz aniversário"
Ele não me tocava com frequência, no entanto, me fazia sorrir e eu esquecia de tudo e dos meus piores monstros.
"Você lembrou" Sorri sentindo meus olhos ficarem marejados.
"Não é todo dia que se faz 10 anos" Um carrinho de sorvete estava passando em nossa frente, Ele se levantou caminhando até ele.
Já estava me acostumando com o fato de não conseguir enxergar seu rosto, isso não me incomodava, através do seu toque eu sabia que ali era meu lar.
Quando ele estava vindo em minha direção com dois sorvetes em cada mão, senti uma mão pesada puxar meu braço e eu fui puxada, me forçando a ficar em pé.
Vi minha mãe, ela gritava enquanto suas unhas adentravam fundo em minha pele.
"Sua garota desobediente." Seus gritos eram altos, ela estava vermelha e seus cabelos estavam desgrenhados.
"Solte ela!" Meu Anjo gritou.
Minha mãe o olhou com desprezo e me puxou dali, eu não conseguia rebater muito menos me defender.
Olhei para trás e vi meu Anjo me observar indo embora, ele no fundo sabia de tudo, mesmo que eu nunca o dissesse sobre as minhas dores mais profundas, ele sabia só de olhar no fundo dos meus olhos, mesmo que eu nunca conseguisse ver os seus.
Quando eu e minha mãe chegamos em casa, ela me jogou contra o chão e fechou a porta principal, estávamos no Hall de nossa casa, quando ouvi passos descerem as escadas. Um frio percorreu a minha espinha, quando virei minha cabeça e vi quem era o dono daqueles passos, senti meu corpo tremer e minha respiração ficar desregulada.
Ele veio até mim e então eu abaixei minha cabeça, minha mãe estava ali, mas parecia está mais distante que nunca. Estava entre os dois, sentia seus olhares repugnantes sobre mim.
"Feliz aniversário filha" Sua voz arrastada e medonha era ouvida. Ele se ajoelhou e se aproximou, passando as mãos sobre meu cabelo, eu senti meu corpo travar e sem perceber, prendi minha respiração.
"Não vai responder?" Questioniou.
Senti o lírio branco ser arrancado da minha mão, levantei meu rosto e então eu o vi arrancar todas as seis pétalas, que caíram sobre o chão frio.
"Isso é meu!" Pela primeira vez eu gritei diante do meu pior pesadelo.
E então senti meus cabelos serem puxados com força para trás.
"Não fale assim com seu pai" Minha mãe falou enquanto segurava meus cabelos, fazendo meu pescoço pender para trás com tamanha brutalidade.
"Ele não é meu pai!" Então eu gritava, sentindo minha garganta doer, meu choro reprimido foi colocado para fora, até sentir um soco forte contra meu rosto, Ele havia me acertado tão forte que desmaiei no mesmo instante.
────────╮•╭────────
Quando eu abri meus olhos senti uma dor de cabeça latejante e meus sentidos aos poucos foram ligados, olhei para a luz branca que estava no teto e ao correr meus olhos pelo ambiente, vi que estava em um quarto branco, com um pequeno sofá azul marinho de um lado, uma poltrona cor de creme e uma TV que estava ligada a minha frente, ouvia o barulho dos aparelhos hospitalares ao meu redor.
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Sweet pain| EVAN PETERS
FanficConviver com um transtorno patológico era no mínimo difícil de lidar, o corpo social se encontra em uma linha tênue entre ter a dor e conviver com alguém que a tenha. Anna sabia o que era a doce dor de ter que conviver com Transtorno explosivo inte...