13- Rápidos e silenciosos

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No ritmo em que estavam não demorou muito até chegarem na frente das duas portas do refeitório. Ofegantes Zack levou a mão até as grandes alças, empurrando-as na esperança de que abrissem. Nada aconteceu. Uriel olhou tenso para os dois que o encarava.

- tá trancado - Zack observou.

- não posso usar força, eles iriam perceber - Uriel advertiu dando de ombros.

- consegue abrir? - Zack perguntou ao amigo.

Max deu alguns passos para trás, os outros dois se afastaram para os lados dando espaço para ele. O menino estendeu as duas mãos espalmadas para frente. Respirou nervoso. Até aquele momento seus feitiços estavam dando certo, mas e se de repente não dessem? E se por algum motivo simplesmente não funcionasse mais. Todo o plano cairia por terra, se não conseguissem abrir está porta.

- aperire - falou Max, embora nada tenha acontecido.

O garoto encarou os amigos com o rosto tenso, contorcido em um pedido de desculpas.

- tá tudo bem amigo, nos podemos ver outra rota...

- Não, eu consigo! - inspirou o ar inflando os pulmões. Então ordenou: - Qua virtute invoco, aperite.

E com uma ventania as portas se escancaram abrindo passagem. Max soltou o ar em um suspiro de alívio. Uriel lhe lançou um sorriso agradável. Eles seguiram caminhando, desviando das mesas espalhadas pelo cômodo passando pela porta giratória da cozinha.
Um ruído fino e surdo repercutiu por um tempo no local, o som de uma bandeja que caira no chão. Todos ficaram parados olhando uma cena peculiar. Lyla congelada em uma pose nada convencional, em uma das mãos uma coxa de galinha mordida e na outra, o balde de frango frito. Seus olhos estavam arregalados devido a surpresa do flagrante.
Provavelmente pega durante o furto de comida para o lanche da madrugada. Mas quem é que come frango frito as 2 da manhã?

- oi gente - disse ela de boca cheia. - querem um pedaço?

- não obrigado estamos com pressa - Max disse a ela.

- uhm - ela limpou a boca suja de molho.- presa para que?

- a pronto! - Zack falou revirando os olhos. - vão em frente contém para ela.

- qual o problema de me contar? — ela perguntou parecendo ofendida.

- já ouviram falar que um plano só da certo se o menor número de pessoas souber? - disse ele como se isso fosse óbvio.

- vocês contaram para mim então não vejo porquê não contar para ela - Uriel brandou dando de ombros.

- contamos a você contra minha vontade, que fique claro - Zack declarou.

- que seja. De qualquer forma não somos uma equipe? Uma família - Max alegou - não foi isso que Patrick disse?

- se ele soubesse que você tá usando o que ele disse, para justificar as regras que estamos quebrando. Ele te mataria - Uriel comentou com uma expressão estranha. Talvez imaginando como séria a cena.

- pode crer - Lyla concordou com uma risada.

Max mais uma vez, contou sobre seus sonhos, sobre a estranha sensação que sentiu no último. O desejo de verificar se algo sério havia acontecido. A garota, ouvia tudo atentamente, balançando a cabeça em momentos em que achava apropriado confirmar. Sem questionar nada, assim como para Uriel, de alguma forma aquilo era normal para ela.
Conforme a última palavra foi dita, Max sentiu mais uma vez a angustia e o nervosismo invadirem seu corpo, como ladrões, prontos para furtar toda a sua paz.

- entendi. - afirmou a garota com um olhar sério. - quero ir também.

Eles assentiram. O plano não poderia parar. Além disso o único que talvez se oporia seria Zack, embora eles já soubessem que era apenas algum tipo de drama.
Uriel estava certo, havia uma porta de elevador na parte de trás da cozinha. A qual os funcionários utilizavam para ter acesso a todos os andares. Adentraram o maquinário encarando a sequência de botões brilhantes após a porta fechar.

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