Capítulo 9

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ALFONSO

Primeiro, terror. Adrenalina fluindo, coração batendo acelerado, sangue bombeando, terror de revirar o estômago.

Depois, raiva. Por eu não ter sido suficientemente atento. Por não ter visto um sinal de perigo. Por ter falhado.

Finalmente, consciência. De que eu estava bem. De que todos estavam seguros. De que nada tinha acontecido.

Bem, nada perigoso.

Meu ritmo cardíaco e minha respiração se acalmaram quando assisti à cena: Anahí Portilla de bruços.

Percebi que o ruído que me surpreendeu foi o quebrar de um galho de árvore, que aparentemente tinha cedido sob seu peso.

— Foda-se — murmurei, sentindo-me idiota, como sempre me sentia quando isso acontecia. E normalmente eu não estava pelado quando isso acontecia.

Eu pulei e vesti meu calção de corrida, que estava na doca ao lado de minhas meias e sapatos. Como Peter estava verificando os animais hoje cedo, eu tinha decidido dar um mergulho rápido depois da minha corrida e não estava esperando uma plateia.

Assim que vesti o short, eu me levantei, punhos cerrados, pronto para gritar com ela por invasão de privacidade, por espionar, por me assustar. Por se recusar a sair da minha cabeça. Mas quando vi que ela se levantou e começou a correr em minha direção – na ponta dos pés, com as pernas unidas, as mãos sobre a virilha – fiquei momentaneamente atordoado.

— E aí, Alfonso? — ela disse casualmente, como se estivesse me encontrado sem querer. — Eu sei que você provavelmente está se perguntando o que estou fazendo aqui. E tenho certeza de que posso explicar. Mas primeiro, posso, por favor, por favor, usar seu banheiro?

— Ah.. está bem. — Por mais irritado que estivesse com a invasão de privacidade, quase ri alto de sua pressa e falta de jeito partindo na direção da porta dos fundos da cabana. Eu corri na frente dela e abri a porta para ela entrar, gesticulando em direção ao banheiro.

— Obrigada — ela murmurou atrás de mim.

Enquanto ela estava no banheiro, fiquei na varanda de trás, desconfortável por estar na cabana sozinho com ela. Que diabos ela estava fazendo aqui? Para piorar, eu tinha passado a noite sem dormir tentando não pensar em suas pernas, seus olhos e naquela porra de colar de pérolas. Ela precisava aparecer logo cedo com aquele short minúsculo e camiseta justa? Meu pau começou a se contrair e fiz o meu melhor para conter as esperanças dele, pensando em rotações de culturas, sistemas de irrigação por gotejamento e na previsão do tempo.

Felizmente, ele estava sob controle no momento em que ela saiu, com um sorriso aliviado no rosto.

— Uau — ela disse, fechando a porta de tela. — Essa foi por pouco. Muito obrigada.

— Por nada. — Eu cruzei os braços, me arrependendo por não ter pegado uma camisa para vestir. — Quer me dizer o que você estava fazendo lá fora?

Seu rosto corou.

— Hum, eu estava correndo.

— Em cima de uma árvore?

Ela riu, nervosa.

— Não. Bem, não comecei na árvore. Isso aconteceu mais tarde.

Eu inclinei a cabeça, incapaz de resistir e não repreendê-la. Não está mais tão cheia de si agora, não é, Barbie?

— Ah, é? — incitei-a a continuar

— Sim. Veja, eu deixei o chalé que estou alugando e me esqueci de ir ao banheiro antes — ela começou, torcendo os dedos —, e estava pensando em dar uma volta pela fazenda, mas é maior do que eu pensava.

Segunda Chance -Adpt AyA [ Finalizada]Onde histórias criam vida. Descubra agora