Capítulo 12: Peso do amor

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Eu era a última a passar pela porta em direção aquele estreito corredor. Minhas mãos suavam, minha respiração pesava levemente e meu coração, batia rápido. Os passos lentamente iam perdendo seu protagonismo em questão de som, já que o salão, tomava todo seu espaço.

Parava meus passos, olhando para minhas mãos tremulas pelo nervosismo da noite, ou algo pior, como abstinência do cigarro. Estava mais preocupada em como poderia convencer Bora de que eu precisava fumar, do que o que estava a minha frente.

Volta a caminhar, após ouvir palmas e assovios vindo do salão. Junto de pessoas gritando, e o som do microfone sendo ligado. Era hora, e eu precisava sair daquele mundo interno, para tocar no palco do Joy Stars novamente.

Via que todas elas estavam prontas, e só faltava eu para subir no palco e arrumar o instrumento. Meu coturno faz um último barulho naquele palco de madeira, que me levava a um passo de confiança. Entro sorrindo, acenando para aqueles que nos aguardava. Conectei tudo que precisava, acenei para minha vocalista predileta e então, começamos.

O show terminava um pouco antes para Yoo e Bora, já que o público pedia mais uma música, e as duas, estavam exaustas. Eu e Siyeon sentamos no palco, ela apenas com o microfone e eu, com um violão que havia pego para tocar com ela. Tocamos aquela música como se tivéssemos ensaiado por um ano, mas o mais estranho, era que tudo estava sendo improvisado.

A vontade da morena era de continuar, mas meus braços e pernas estavam exaustos, e ela, concordou em se despedir. O povo nos amou, como sempre nos amou naquele local.

Voltamos para o estúdio, eu e Siyeon, ofegantes pela última música que tocamos. Bora e Yoo, já estavam sentadas em uma mesa, onde minha amada me avisou onde estaria. Guardo a guitarra na sala do estúdio, e antes de sair, Siyeon segura meu pulso. Olho primeiramente para sua mão e depois, para seu semblante em lágrimas.

— Ei, o que houve? — Digo espantada, me virando a ela e levando a mão livre ao seu rosto.

— Nada. — Ela sorri, soltando meu pulso e limpando as lágrimas que desciam. Eu a abraço, colocando sua cabeça em meu ombro. — Aquela última música, você gostou?

— Sim, eu amei. Só me desculpa, pois... Fui no fluxo, você me pegou de surpresa.

— Escrevi para o meu irmão.

Meu coração se aperta, e nós duas, no abraço.

Com o calcanhar, empurro a porta, a fechando atrás de nós duas. Fiquei muito tempo na casa de Bora, tempo para não me tocar quanto passou, ou que dia era hoje. Meus olhos buscam o relógio, que na parede a frente da porta, marcava 01:47 da noite. Naquela data era marcada pelo falecimento de seu irmão.

(...)

Eramos muito jovens, cheias de atitude, imaturas, mas eramos velhas o suficiente, para termos muito peso em nossos ombros. Si Woo dominava minha mente, Bora morava de favores na casa de uma colega, por conta de brigas familiares. E Siyeon, havia acabado de se assumir para toda a família. Um choque para eles, uma vírgula para nós.

Mãe de Siyeon apresentava mais um olhar conservador, religiosa, mas a acolheu como podia ter feito. Talvez não da melhor forma, mas a acolheu. Situação na época de Bora, sua namorada naquele tempo, não era das melhores, o que alimentava um pouco o preconceito.

"E você vai trocar seu bom senso, por uma menina que não tem nem onde cair morta, Siyeon?"

Já ouvi isso ao lado dela em um almoço de sábado. E ali, foi a primeira vez que acompanhei a Siyeon em um cigarro. Não entendia muito bem como era a linha de pensamento de sua mãe, às vezes ela apoiava, adorava conversar com a Bora, em outro tempo, atacava ela com dúvidas, preconceitos e apontamentos.

Running Blind - Deukae FanficOnde histórias criam vida. Descubra agora