Dia 10, quarta-feira.
Acordei com meu despertador. Senti o corpo quente do Rafael junto ao meu e me virei para observar seu rosto. Ele era lindo, dormia profundamente e sua paz me enchia de uma felicidade difícil de compreender. Acariciei seu rosto suavemente com os dedos e o chamei baixinho.
— Ei, tá na hora de acordar.
Ele gemeu, abriu os olhos, e sorriu ao me ver com o rosto colado ao seu. Me abraçou e me beijou apaixonadamente.
— Ei, calma! Me solta.
Ele me soltou a contra gosto e me encarou chateado.
— Eu tenho que ir ao escritório hoje, temos que levantar.
— Você é tão linda, sabia? - Ele levou os dedos ao meu rosto me acariciando.
— Para com isso! - Afastei suas mãos de mim e me levantei indo rápido ao banheiro.
Me olhei no espelho, tentando entender em qual momento eu deixei que tudo aquilo acontecesse. Levei minha mão ao rosto ainda sentindo seu toque.
"Mas esse não era o plano, Letícia! Onde você estava com a cabeça? Simplesmente não dá pra você cair nessa de novo!" - Levei as mãos ao rosto em puro e simples desespero, enquanto discutia comigo mesma. - "Eu tenho certeza que assim que você o libertar ele vai embora. Para de ser idiota! Ele tem que ir embora, você tem que seguir o script que já estava escrito!" - Meu deus, eu não tinha aprendido nada mesmo...
Após o café eu fui ao quarto e trouxe algumas coisas colocando as no balcão. O encarei por alguns instantes, avaliando as consequências do que eu faria a seguir, respirei fundo e comecei a falar:
— Olha, eu... - Respirei fundo novamente. - aqui estão as chaves da sua coleira e da gaiola. - Coloquei-as sobre o balcão, tentando esconder meus dedos trêmulos. - A chave de sua moto, ela está na garagem, é só pedir para o porteiro que ele abre o portão. - Posicionei essa ao lado das outras. - Suas contas estão desbloqueadas, era só temporário. - Ele me encarou incrédulo. - Toma, uma camiseta e uma calça, suas botas estão na área de serviço, você já as deve ter visto.
Não consegui encará-lo novamente, peguei minhas coisas e saí, sem olhar pra trás, deixando a porta aberta.
Meu dia passou arrastado e eu torcia para que ele estivesse me esperando quando voltasse ao mesmo tempo que torcia mais ainda para que ele não estivesse. Fiquei no escritório o máximo que eu pude, adiando minha volta, adiando ao máximo o momento de encarar meu apartamento vazio ou pior, nem sabia o que iria fazer se ele estivesse lá me esperando.
Quando cheguei a porta não estava trancada e as luzes estavam acessas. Meu coração pulava em meu peito, mas não havia ninguém lá, o apartamento estava vazio e silencioso. Suspirei de frustração e apoiei minhas coisas no balcão da cozinha. Fui em direção a varanda para fumar e me deparei com dois capacetes de moto sobre a mesa de apoio da sala. Encarei incrédula sem saber o que fazer e ouvi passos atrás de mim.
— Senhora?
Eu me virei num susto e dei de cara com o Rafael, vestido com uma camiseta de mangas curtas pretas, calças jeans escuras coladas ao corpo e em seus pulsos as algemas de couro, que se passavam como braceletes ao olhos desavisados, sorrindo para mim.
— Você demorou hoje, achei que viesse mais cedo. Fiquei te esperando.
Eu não tinha a menor reação além de encará-lo incrédula.
— Tá tudo bem? - Ele me perguntou preocupado.
— Sim, sim, está! O que...? - Me obriguei a sair do meu estado de choque e atropelei as palavras ao respondê-lo.
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Meus planos para você - Livro 1
Chick-LitDark Romance Sadomasoquista. De um lado a Domme Letícia e do outro lado, Rafael. Ambos colegas de trabalho que competiam pelo mesmo cargo. A disputa de personalidades fortes dentro do escritório toma outro rumo quando Letícia é promovida a Diretora...