𝚃𝚁𝙴̂𝚂

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   Sᴀᴍsᴏɴ Cᴏsᴘᴇ mais sangue prata reluz na arena. Uns dez metros à frente, Jong-dae segura forte a espada na mão, pronto para pôr um fim na luta.

— Pobre coitado murmuro.

   Parece que Win-ho tinha razão: ele não passa de um saco de pancadas.

   Jong faz a terra tremer com seus passos. Espada na mão, olhos em chamas. Um pé se mantém suspenso; a armadura ressoa com interrupção abrupta. No meio da arena, o guerreiro sangrando aponta para Jong; seu olhar parece capaz de partir ossos. Samson moves os dedos e Jong caminha, perfeitamente sincronizado com os gestos manuais dele. A boca do forçador se abre, como se não fosse bom da cabeça. Como se tivesse perdido a mente.
Não acredito no que vejo.

   Um silêncio mortal recai sobre a arena enquanto assistimos à cena sem entender. Até Min-ho não tinha o que dizer.

— Um murmurador suspiro em voz alta.

   Nunca tinha visto um deles na arena... Duvido que alguém tivesse. Murmuradores são raros, perigosos e poderosos mesmo entre prateados, mesmo na capital. Os rumores a seu respeito variam, mas no final todos soam simples e aterrorizante: eles podem entrar na sua cabeça, ler seus pensamentos e controlar sua mente. E é exatamente isso que Samson faz agora, depois de atravessar a armadura e os músculos de Jong-dae e chegar ao seu cérebro, onde não há defesas.

   Jong ergue a espada com as mãos trêmulas. Tenta combater o poder de Samson. Mas, por mais força que tenha, é incapaz de lutar contra sua mente. Outro gesto da mão de Samson faz sangue prata respingar pela arena. Jong enfia a espada na armadura, na própria barriga. Posso ouvir o rangido doentio do metal cortando carne mesmo do meu péssimo lugar.
   Sangue jorra de Jong. A arena ecoa de espanto. Nunca vimos tanto sangue aqui antes.

   Luzes azuis acendem e banham a arena com um brilho etéreo que marca o fim da disputa. Curandeiros prateados correm pela areia para chegar a Jong, que está caído. Prateados não podem morrer aqui. A ideia é que lutem com braveza, ostentem seu talentos e deem um espetáculo, mas nada de morrer. Afinal, eles não são vermelhos.

   Nunca vi os guardas moverem-se tão rápido. Alguns são lépidos e seus vultos nos cercam por todos os lados para nos conduzir à saída. Não nos querem por perto caso Jong-dae morra na arena. Enquanto isso, Samson se retira como um titã. Seu olhar repousa sobre o corpo de Jong. Pensei que encontraria um ar de arrependimento nele, mas não. Seu rosto está impassível, inexpressivo e frio. O combate não significava nada para ele. Nós não somos nada para ele.

   Na escola, aprendemos sobre o mundo antes de nós, sobre anjos e deuses que vivam no céu e governavam a Terra com as mãos ternas e gentis. Alguns dizem que não passam de histórias, mas não acredito nisso.

   Os deuses ainda governam. Ainda descem das estrelas. Só não são mais gentis.

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Capitulo pequeno..
O próximo é muito maior, propositalmente para compensar esse ;)

O REI VERMELHO - TaekookOnde histórias criam vida. Descubra agora