Sua saúde era complicada. Quem andava perto de sua tenda passava em silêncio, por algum motivo seus ouvidos estavam muito sensíveis e o barulho constante o fazia sentir dor física. Em comparação com antes, estava tudo bem, já que conseguia conviver com o barulho de casa.
Seus pais eram extremamente cuidadosos, Norm o visitava com certa constância para ter certeza que seu pulmão cicatrizava como deveria. Tonowari e Ronal tinham aberto uma nova exceção sobre a tecnologia alienígena, alguns médicos vinham o atender a cada três dias, falavam com Neytiri e Jake sobre como deveriam cuidar do seu corpo quando estivessem fora.
Norm deu o seu melhor para explicar o que tinha acontecido consigo. Neteyam tinha ficado um mês e meio desacordado, seu pulmão tinha sofrido uma perfuração impedindo que o ar se sustentasse dentro dele. O coma era para ter durado um mês se a cicatrização ocorresse como o planejado, porém, ouve alguma série de complicações e isso foi impedido. Norm não aprofundou o que tinha acontecido.
Durante os três dias que os médicos ficavam fora sua mãe e Ronal o ajudavam com a medicina na'vi, Neytiri ainda seguia o que os humanos falavam, mas tinha feito sua adaptação sobre os cuidados. Estava aflita o tempo inteiro, sua preocupação era tanta que nem se quer dormia direito, às vezes, revezava com Kiri para ter certeza que seu filho não precisaria de ajuda em nenhum momento.
Neteyam ainda não conseguia falar direito, se sentia horrível por não ser capaz de sustentar uma conversa com seus irmãos ou pais. Quando fala era tudo raso, diminuía muitas palavras de uma única frase como tentativa de se comunicar, sua família era compreensiva e não cobravam dialogo ou o incentivavam a tê-lo.
Tinha tentado se comunicar com a linguagem recém aprendida, mas com a fraqueza de seu corpo não conseguia manter os braços em movimento por muito tempo, e alguns movimentos cruciais para a conversa não eram bem feitos pelas fisgadas que causava em sua ferida que mal tinha se fechado.
Lo'ak era o que mais falava, às vezes se empolgava e gritava, vivia falando de Tsireya e como ela estava bonita, contava de como estavam as coisas da ilha e em alguns momentos, soltava algumas frases depreciativas. Neteyam tinha percebido que Lo'ak se culpava pela série de acontecimentos, o pegava trazendo medicamentos e conversando com seu pai sobre a sua saúde o tempo todo, queria ser capaz de conforta-lo.
Seus olhos eram sensíveis, durante a manhã estava sempre com uma venda para poupa-lo da luz do sol, a noite tirava para ir se adaptando a iluminação natural. Com esse acontecimento seu sono estava desregulado, achou melhor dormir de dia e ficar acordado durante o escurecer, falava com a sua família somente na volta de suas tarefas.
Os vestígios da guerra eram muitos, seu pai estava ajudando o povo vizinho com a reconstrução de suas casas, o que lhe deu um cansaço inimaginável. Vários metkayinas ainda estavam feridos o que diminuiu muito o alimento, sua mãe e seu irmão passavam o dia ajudando na caça. Kiri costumava estar com ele no marui, ela tecia as redes enquanto tagarelava baixinho sobre como estavam todos. Tuk costumava estar junta a eles, mas a menina sempre se mantinha em silêncio, às vezes, dormia ao seu lado e sempre buscava água para ele quando necessário.
Tsireya o visitava sempre que tinha tempo, o que não era muito comum. Ela ajudava Ronal a tratar o seu povo, que felizmente não estava tão machucado quanto ele, mas ocupava muito de seu dia e a noite seu tempo era dedicado ao seu descanso.
Os metkayinas que tinham lutado na guerra tinham sofrido machucados graves, mas não ao ponto de colocar suas vidas em risco, mas ao nível de não conseguirem voltar normalmente a caçar.
A ilha era uma grande bagunça em vários aspectos, tinha muitos destroços espalhados pelo mar e toda hora alguns iam para a costa. Tonowari tinha ajuda de alguns na'vi para retirar o lixo do mar, entretanto, alguns eram tão pesados que nem do lugar conseguiam mover.
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Viver; Neteyam e Ao'nung
ФанфикEnquanto assiste sua família desesperada sobre o seu corpo sangrento, Neteyam percebe que nunca viveu, ele nunca perceberia se não estivesse sentindo sua pressão baixa e uma forte dor em seu peito. "Por favor Eywa, não me deixe morrer."