Capítulo III

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A vontade de Marta era sentar-se nas escadas que seguiam até à porta de entrada, mas a porta entreaberta despertou em si um sentimento de angústia nunca antes sentido.
Ao empurrar levemente a porta sentiu um cheiro forte, que sentira à uns minutos, quando corria pela sua vida. Era sangue.
A sua mãe esgachiava no chão da cozinha. Parecia não sobrar uma única gota de sangue no seu corpo morto. Na varanda, ainda com o cigarro na mão, o pai de Marta parecia que dormia encostado a uma árvore, a não ser pelo facto de estar rodeado de sangue.
Correu para dentro de casa à procura da sua irmã.
O coração começou a apertar. A sua irmã devia estar em casa, mas não havia sinal dela. Marta estava com medo de encontrar a sua pequena irmã,  Valentina, no mesmo estado que os seus pais. Só depois de passar pela máquina de lavar, pela terceira vez, é que se lembrou do hábito que a irmã tinha de se esconder dentro da máquina, cada vez que os pais discutiam.
O sangue começou a pulsar nas veias, o coração parecia que ia sair pela boca, sentia os picos de suor a escorrer pela cara, mas ganhou coragem e muito devagar abriu a porta.
A irmã encontrava-se toda encolhida, a tremer de medo, sem uma única gota de sangue, tinha-se escondido antes de toda aquela tragédia ter acontecido.
Foi nessa altura que Marta prometeu a Valentina que nunca mais ninguém lhe faria mal.

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⏰ Última atualização: Apr 12, 2023 ⏰

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