10- Nikolai

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— Deixa eu ver isso — Falei sem paciência, mas ela puxou o pulso para mais perto dela. Essa mulher estava me testando! — Irina! Sabe que qualquer um que bate em um homem como eu merece ter uma morte dolorosa, não é?

Ela levantou o os olhos para mim, brilhando de dor, mas mais do que tudo, de fúria.

— Se vai me... matar, m-mate logo! - Ela claramente estava gaguejando de dor. Mulher teimosa!

— Você é muito corajosa, eu admito, garota. Agora, me deixa ver o seu pulso.

— Não! Pra quê? — Ela chorou — P-pra ter certeza de que... de que q-quebrou?

Eu inspirei profundamente.

— Eu não queria quebrar o seu pulso. Não tenho culpa se você é uma seca.

Ela me olhou com indignação.

—- G-grosso!

— Mulher, não me teste! Me mostra logo esse pulso de uma vez ou quer que eu te segure com força de novo e acabe quebrando o outro?

Eu não ia quebrar o outro, mas ela estava me fazendo perder o controle! Eu só quis amendrontá-la. Eu não quis nem machucar o primeiro, porra!

Irina tremeu os lábios, mas mesmo assim, levantou o pulso machucado.

— V-você é m-médico?

— Não é da sua conta.

Bom, houve um momento da minha vida que eu quis sim fazer medicina, porém não é o tipo de curso que se faz à distância de forma alguma e eu não podia me dar ao luxo de ir para uma faculdade comum, não é mesmo? Sonhos e aspirações que temos quando somos mais novos... Mas na máfia, as coisas são mais complicadas.

Eu não fiquei amolegando o pulso dela, claro, mas não me parecia quebrado pelo que eu já tinha visto de muitos homens machucados dessa forma.

— Fique aqui e não mexa em nada. Eu vou saber e não vou ser paciente com você.

Eu saí tão afobado do escritório que deixei meu celular por lá. Liguei para o médico que me atendia diretamente e pedi que ele fizesse uma visita. Eu não a queria fora de casa.

— Don, perdão, mas... como poderei fazer uma radiografia aí? — Ele perguntou e eu sabia que ele estava certo.

Irina Karev estava me dando mais trabalho do que eu imaginei. Parecia que quem estava devendo alguém, era eu, já que estava pagando o pato.

— Ok, nós vamos até a clinica. Não quero ninguém por perto.

— Sim, senhor.

Ele não perguntou mais nada, não questionou, como não era pra questionar, mesmo. Finalizei a ligação e fui para o segundo andar.

Irina continuava no mesmo lugar. Ótimo.

— Vamos sair — anunciei.

— Pra onde? — Bom, ela questionava. Claro.

Me aproximei dela vagarosamente, e ela eriçou a coluna, se encostando na cabeceira.

— Pare de me perguntar tudo. Faça o que é mandada!

— Mas...

Fechei os olhos, fechei os pulsos e tentei me concentrar, me segurar. Eu soube, naquele momento, que eu pagaria todos os meus pecados com aquela mulher. Mas mesmo assim... Eu não podia deixá-la ir. 

*nota da autora: Estão gostando?*

Nikolai - Paixão Irresistível - DEGUSTAÇÃO Onde histórias criam vida. Descubra agora