Capítulo XIII

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A Cabana dos Caçadores


 7 de Julho de 2007, SermonWest

Ryan

Brandon está lá fora no alpendre, a fumar. Ele treme a perna violentamente e segura uma faca de cozinha no colo. O seu olhar está perdido algures na linha de árvores. Nem nota que estou ali.

— Importas-te que me sente aqui? — Pergunto e aponto para o banco, ao lado dele. Ele assente em silêncio.

Ele para e olha para mim, completamente exausto.

— Eu já sei o que vais dizer e eu já me castiguei demais, ok?

— Não ia falar sobre isso. — Conforto-o. — A culpa disto não é tua, nem da Amber. — Continuo. — Vamos falar do que se passa contigo. Tu não tens dormido.

— Eu vi uma criança, Ry. Bem ali. — Brandon aponta para o trilho negrume. — Eu saí antes de ontem à noite, á procura dela, basicamente a madrugada toda.

- Uma criança?

— Loira, cabelos cacheados e usava um vestido. — Ele pausa para puxar o fumo e solta-o a seguir. — Não sei que merda se anda a passar aqui, mas assim que a Clara estiver melhor, vamo-nos embora daqui. Até lá, não contes à Amber, e muito menos à Clara.

— Não podes ir até à aldeia ligar a alguém? Eu fico de guarda até voltares. — Sugiro. — Quer dizer, uma criança anda por aí algures perdida com esse louco provavelmente à solta.

Brandon lança-se ao carro, atira a beata para algures e pede-me para segui-lo, mas quando tenta iniciar a ignição, o carro não liga.

— Mas que merda? O que foi agora? — Ele vira a chave furiosamente e tenta outra vez, sem sucesso. Eu decido entrar no carro com ele.

— Estás mais calmo? — Pergunto e vejo-o a bater os dedos nervosos, no volante. — Não estamos na melhor posição para perdermos agora a cabeça.

— Eu realmente não sei como tu consegues manter a calma depois do que passaste ontem.

— É uma questão de sobrevivência, não tenho escolha. Eu imagino que, se-mas só se -, o Mike tenha sobrevivido, ele provavelmente espera que entremos todos em pânico, para atacar.

- Somos quatro contra um.

- A Clara não está em condições, e não temos a certeza se ele está sozinho. - Concluo.

- Psicopata de merda. - Ele cospe as palavras com repugnância e bate no volante com as mãos. - Tu não sentes uma, uma... raiva imensa daquele tipo?

- Mais do que qualquer um. - Admito e uma pancada atinge-me na barriga.

- Obrigado por seres compreensivo, Ry. - Ele baixa a cabeça e diminui o tom de voz. - Eu não acreditei em ti quando o deveria ter feito sem pensar duas vezes. Se tivéssemos — Corrige. — se eu tivesse reparado antes, nada havia acontecido à Clara.

- Não tinhas como saber.

Nessa noite tomei dois comprimidos Diazepam, em vez de um. Não posso perder a cabeça agora. Eles precisam de mim, e eu também. Como era de esperado, adormeci quase de imediato.

...

10 de julho de 2007, SermonWest

Acompanho a Clara até à casa de banho e deixo a Amber com ela, apenas para se certificar que ela não se sente mal enquanto toma banho. A Clara já está bem recuperada, mas só queremos prevenir. Ela reclama da nossa ajuda ser demais e que isso a sufoca. Di-lo bastante aborrecida, mas ela não tem ideia de tudo o que aconteceu naquele dia, quando estava inconsciente. Não paro de pensar em como eu lhe peguei sem vida para a margem, nas manchas secas de sangue na cara e no pescoço. Nunca vou esquecer como os seus lábios estavam escuros e gélidos quando tocaram nos meus.

A Cabana das Janelas VermelhasOnde histórias criam vida. Descubra agora