I DON'T KNOW YOU

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Woosung já estava acostumado a viver na estrada com a banda, viajando de uma cidade a outra, e agora de um país a outro, tocando e cantando suas próprias músicas, para cada vez mais pessoas.

Depois de tantos anos convivendo com aqueles três garotos, que compartilhavam não apenas um sonho com ele, mas suas vidas, eles tinham se tornado a sua família, e onde quer que estivessem, ali também estava o seu lar e por isso não era tão difícil ficar longe de casa.

Tinha se acostumado com o tédio que se formava entre um show e outro. Porém, a música era como o seu alimento e quando ficava sem ela, se sentia vazio, e, consequentemente, louco para fumar um cigarro, mesmo que estivesse tentando parar.

Já era madrugada, mas não conseguia dormir. Pensou em pegar a sua guitarra e matar a sua fome de música, mas não queria acordar Dojoon, Hajoon ou Jaehyeong, então não teve outra opção senão sair pra comprar um cigarro, já que tinha jogado todos os seus fora na tentativa de superar o vício.

Certamente não teria dificuldades para encontrar o que queria em uma loja de conveniência qualquer, uma vez que ficavam abertas vinte e quatro horas por dia. E para isso, nem precisaria de um carro, pois mais cedo tinha notado que havia uma a apenas alguns metros dali.

Pulou da cama de um salto, e tomando cuidado para não fazer barulho e acordar os meninos, pegou sua carteira e celular antes de sair. Não precisava usar nenhum disfarce, pois ainda não era famoso o bastante para ser reconhecido em uma cidade tão remota e assim tão tarde da noite. Não que isso fosse uma questão para ele, uma vez que gostava da sua privacidade e odiava a ideia de ter que se esconder.

Ainda que o seu lar fosse pessoas e não um lugar, era bom estar de volta à Coreia do Sul. Obviamente, não sentia falta da poluição do ar, mas das montanhas e da comida, bem como da sua mãe e irmão mais novo. Pensou neles enquanto andava até a loja de conveniência e se aqueceu apenas de se imaginar os abraçando daqui a pouco dias depois de meses longe deles, um vislumbre que tirou um sorriso de seu rosto.

Já podia avistar a loja de conveniência de onde estava, assim como uma moça sentada em um dos bancos de madeira das mesas que ficavam ali em frente para que os clientes pudessem se servir. Surpreendentemente, ela tomava sorvete, mesmo com a temperatura estando abaixo de zero. E chorava copiosamente, sem fazer nenhum som. Uma cena que chamou a sua atenção.

Woosung não deu mais nenhum passo em direção à loja, pois não queria incomodá-la em um momento tão íntimo. Ainda assim, não conseguiu evitar observá-la de longe, encantado com o que via. Não que se deleitasse com a tristeza dela, mas porque era compositor e via o mundo com a curiosidade de uma criança e a paixão de um poeta.

Foi tomado por uma vontade absurda de saber porque chorava sozinha em uma loja de conveniência às três horas da manhã de um domingo. Também quis correr até lá e consolá-la, ou no mínimo aquecê-la um pouco com o calor de um abraço, mas não a conhecia, assim como ele mesmo devia ser um desconhecido para ela. Se não fosse, poderia adverti-la de que não deveria estar tomando algo gelado em um clima tão frio, a não ser que estivesse tentando ficar doente. Talvez fosse exatamente isso o que queria. Mas por quê? Por que se torturava daquela maneira? Quem ou o quê a tinha deixado tão triste?

Queria poder secar as lágrimas que escorriam tão facilmente do seu rosto e se perguntou se um dia seria capaz de vê-la sorrir ao menos uma vez e apenas de imaginar um sorriso em seu rosto, se pegou sorrindo, ele mesmo, como um bobo. E naquele momento soube que precisava vê-la sorrir, nem que fosse a última coisa que fizesse.

Sabia que não seria uma tarefa fácil e que levaria algum tempo, mas por hoje queria pelo menos que parasse de chorar. Quis acreditar que em algum lugar do mundo uma rosanegra* nascia para cada lágrima que derramou e assim a tristeza dela seria algo mais do que um desperdício. Contudo, isso já era a música falando por ele. No mundo real, uma garota chorava sozinha por motivos que desconhecia e isso o deixou triste e revoltado. Entretanto, havia uma única coisa boa em tudo aquilo, não sentia mais vontade de fumar. Esperou até que ela fosse embora em segurança e só então tomou o seu próprio caminho, cantarolando o primeiro verso da música que tinha acabado de compor.

Quando ela chora,
uma rosanegra* nasce em algum lugar do mundo,
linda, rara e triste, como ela.
E ela chorou tanto essa noite,
que mil rosas negras nasceram em um só dia.

*Black Rose (Rosa Negra) é o nome do fandom do The Rose.

𝕯𝖊𝖋𝖎𝖓𝖎𝖙𝖎𝖔𝖓 𝖔𝖋 𝖚𝖌𝖑𝖞 𝖎𝖘 | WoosungOnde histórias criam vida. Descubra agora