Clementine

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Chego a casa e a minha mãe está a preparar o jantar enquanto o meu pai limpa a casa:

-Então querida? – a minha mãe está atarefada.

-Tudo bem... - vou para o meu quarto. Deito-me na minha cama. Não fiquei na sala porque tenho muita coisa em que refletir. E além do mais tenho vozes a flutuar na minha cabeça e como bons Cândidos que são perceberiam de imediato... Não são só os sem-fação que precisam de ajuda! Pelos vistos, vocês também. Precisam de alguém que vos abram os olhos. A voz de Mary ecoa na minha mente...

Fez sentido o que disse. Já alguns meses ,desde que a escola começou, que me sinto diferente... Como se já não fosse a mesma pessoa. Tenho mantido isto em segredo, o que é muito mau para uma Cândida.

- Querida! Jantar! – é a minha mãe a chamar-me.

Limpo a minha cabeça de todos os meus pensamentos, para ninguém notar. Se mentir, os meus pais vão perceber...

Levanto-me e olho no espelho. Pratico a minha "cara normal" e saio do quarto.

-O que é o jantar? – pergunto mas não oiço a resposta. Esta conversa, todos vocês são tão fúteis! Eu não quero ser fútil...

- Querida, estás bem? Pareces distante. – diz o meu pai com preocupação na sua voz. Ele senta-se à mesa.

- Sim, sim. É só que tenho esta matéria de matemática toda na cabeça para o teste de amanhã. É bem difícil. - minto.

Nesse momento a mãe olha para mim com um ar que eu conheço tão bem... Ela é juíza por isso faz esse olhar diariamente. É o olhar quando desconfia que alguém esta a mentir.

-Como te atreves a mentir descaradamente!

- Mas eu, eu.... – gaguejo.

- Estás a mentir Clementine? – pergunta o meu pai. – Porque haverias de mentir sobre um teste de matemática?

- Isso não interessa. O que interessa é que a nossa filha está a mentir. – apesar de estar provavelmente furiosa o seu tom é suave. Sempre foi assim desde que eu era pequena. Ainda me lembro de uma vez, tinha eu 7 anos, quando lhe parti um vaso acabado de comprar. Era um vaso lindíssimo cheio de temas florais a preto e branco que ela queria tanto adquirir à mais de três meses. Quando o parti, obviamente que não fiz por mal. A minha mãe teve simplesmente de contar até dez para se acalmar e por fim dar-me uma reprimenda tão suave que parecia uma carícia. – São provavelmente aquelas más efluências na escola. Já te disse que te dás muito com adolescentes de outras fações... Eles não têm os mesmos princípios que nós Clementine...

- Sim, mãe ... Peço desculpa. - respiro fundo - Mas é só que uma rapariga na escola me chamou fútil e eu não consigo parar de pensar nisso...

-Mas porque mentiste acerca disso?

- Não queria que vocês pensassem que me deixo incentivar pelos insultos...

- Ora, querida não tem mal... Só não quero que mintas de novo... - diz o meu pai.

- Sim, sim claro... - depois temos um jantar calmo sem mais perturbações. Nem sem como me safei desta... Bem, eu estava a dizer a verdade.... Mas só na primeira parte... Tem que falar com Mary.

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