Angel
O dia estava especialmente frio nos corredores do convento, a Madre e outras noviças já aprontam a mesa do café, eu sigo para a igreja, me ajoelho do gélido banco de madeira, peço perdão mais uma vez a Deus pois na noite que se passou chorei até dormir, questionei mais uma vez suas vontade, ficaria de jejum até a noite.
Desde a noite na qual Ryan se foi, decidi que seguiria o mesmo caminho no qual ele queria, meu irmão estava no seminário e em poucos meses seria consagrado Padre da paróquia local, ao contrário das demais que ali estavam, não pensava que tinha vocação para tal ato, mas ver a indiferença nos olhos da minha mãe quando sai da porta do hospital sem meu irmão seria insuportável.
Assim que me recuperei totalmente segui até a convento local e fiz meu pedido para ali viver e me dedicar imensamente aos ensinamentos que lá eram pregados, saberia de tudo que precisava abrir mão, uma faculdade, emprego, futuros namorados e meus amigos, mas estava pronta, não havia outro lugar para uma pecadora como eu. Enxugo minha lágrima e sigo para o refeitório, todos estão a minha espera, pedi desculpas quase em um sussurro e esperei a oração da Madre.
-Desculpe Madre! - A freira corre em direção a superiora e sussurra algo em seu ouvido, todos que ali estavam conseguiram identificar o olhar de tormento da velha mulher sentada que agora se pôs de pé e olha com atenção para nós.
-Meninas, na manhã de hoje foi encontrada uma de nossas noviças no bosque. - Ela da uma pausa, meu peito pulsa, Ana uma recém chegada e minha amiga havia saído pela madrugada, logo cedo um bilhete escrito por sua bela letra dizia que se encontraria o seminarista, ambos estavam tendo um relacionamento escondido, sabia o quão pecado aquilo era, mas porque julgaria ela? Iam pedir a saída na próxima semana para viver juntos. - Ana e o Seminarista Pedro. - Ok, agora sabia que tinha dado uma encrenca danada e sobraria para nós todas. - Ambos mortos.
Sinto o ar falhar dos meus pulmões, como por um impulso levanto da mesa empurrando a cadeira, meus olhos estavam marejados quando peço "Com licença" a madre e corro pela porta, os corredores do enorme convento pareciam maior naquele instante, minha visão comprometida pelas lagrimas me impediam de ver direito o que estava a minha frente, quando abro a porta da frente bato em algo grande, bambeio para trás, com o impacto meu corpo estava para cair no chão, felizmente para mim braços me seguram.
-Cuidado noviça! - Uma voz rouca e grave me faz levantar a cabeça com curiosidade. Ali, bem enfrente a mim encontro um homem , talvez o mais bonito que tinha visto até agora, seus cabelos bem penteados em um tom claro de castanho, seus olhos azuis e a barba por fazer lhe davam um ar de mistério e pecado.
-O que esta acontecendo aqui, Detetive Willians? - A Madre pronunciou-se alterada.
-Algumas das suas noviças não olham por onde andam. - Diz ele me colocando novamente de pé, agradeço com um gesto de cabeça e sigo para a rua, meu rosto estava corado, sentia o olhar queimando minha costas, olho por cima do ombro para ver o homem com seus sorriso pecaminoso a me olhar.
Paro perto do lago, ao lado havia uma linda ponte que cultivamos com flores nas quais faziam morada em seu parapeito de madeira curvada, sento um pouco na grama macia, como podia Ana estar ali quando fechei meus olhos e pelo amanhecer já não estar.
-Foi uma péssima ideia me aproximar de Ana, tudo que eu amo acaba por ser tirado de mim. - Abraço meus joelhos afim de colocar os pensamentos no lugar, apesar da culpa que sentia por Ryan nunca havia me deixado abater, a noite podia ser minha pior inimiga, mas quando o primeiro raio de sol apontava no céu eu estava renovada.
Podia observar o tumulto de federais no outro lado do lago, aquilo viraria um caos, a semanas recebíamos de que moradores do vilarejo vinham sendo encontrados mortos com sua pele arrancada dos osso, mas em nenhum pesadelo mais tenebroso poderia imaginar que o mal adentraria os portões do convento.
-Angel. - Ouço a voz da freira Dulce me chamar, sua mão aperta docemente meu ombro em um sinal de compreensão. - O detetive quer falar conosco. - Concordei, levantei limpando minhas vestes e a segui com a cabeça baixa. Não pensei muito no homem ao qual havia me encontrado, mas saber que ele seria o investigador do caso fazia com que meu estomago revirasse, quão perigoso poderia ser um homem afinal?
Entramos no convento, a sala de aguardo estava cheia de policiais, noviças, freiras, seminaristas e padres, todos ali aguardando o interrogatório sobre o casal assassinado. Em um canto da sala consigo perceber a presença de Muniz, ele me analisa dos pés a cabeça, diversas noviças haviam contado de seus "dotes", era um homem vulgar e indigno de ser um padre, mas coordenava ambas filiações.
-Noviça James.- Ele segue me cumprimentando, seus olhos cobertos de luxuria observam meu corpo que estava protegido pela hábito. - Poderíamos conversar a sós? - ele pisca descaradamente.
-Desculpe-me padre, mas não temos nenhum assunto a tratar no momento. - Respondo o mais indiferente possível.
-Acho que a senhorita tem muitos pecados para me contar no confessionário. - Suas mãos percorrem o dorso da minhas costas, discretamente me movo para o lado afim de ganhar distância do repulsivo homem, assim que ele nota minha intenção me puxa novamente pela cintura causando alguma marca pela força no qual me prende. - Não se faça de difícil Angel, eu conheço o seu passado sujo.
-Você não sabe nada de mim Anthony Muniz. - Cuspo seu nome com raiva pisando em seu pé.
-Desgraçada! - Ele grunhi enquanto observo sua cara de dor.
-Haviam me dito que coagir uma pessoa a fazer algo contra a sua vontade era pecado, Padre. Talvez até um crime grave ao Clérigo. - A voz rouca novamente se fez presente, o senhor Willians estava parado atrás de nós com os braços cruzados a altura do peito dando ainda mais evidência para seus músculos bem definidos.
-Não sei o que pensa que viu Senhor Willians, mas esta enganado. - O padre responde se afastando de mim e indo em direção a cozinha.
-Obrigada , detetive! - agradeço com um sussurro.
-De nada senhorita? - Ele se aproxima com seu perfume amadeirado sussurrando igualmente próximo ao meu ouvido e me causando inúmeros arrepios.
-Angel. -Sorrio timidamente.
-Pode me chamar de Ethan, acho que agora é sua vez. - Diz enquanto aponta para o policial que me observa, concordo com a cabeça e sigo até a sala da Madre que estava sendo utilizada para os interrogatórios.
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O Beijo das Sombras
Paranormal"- Ryan! - As sombras sucumbiam o rapaz que olhava tristemente a menina, ela tentava segurar suas mãos mas tudo que podia ver era a escuridão, até que olhos azuis e um sorriso macabro surge, o homem que renasce do caos se aproxima beijando seus lábi...