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Observei ele sair do quarto e me levantei. Andando até o banheiro escovando os dentes e arrumando meus fios claros que estavam levementes bagunçados. Ajeitei a roupa e sai do quarto, dando de cara com Tom. Fumando ali no corredor.

— É proibido fumar, aqui. — Apontei para a placa.

— Não importa, aqui não é um hotel normal. Bandidos e compradores se hospedam aqui. — Ele apagou o cigarro e jogou fora, colocando a mão no bolso e caminhando até mim.

Me deu um beijo na testa e agarrou minha mão levemente, me conduzindo até uma porta. Assim que abriu, vi um carro preto ali, ele abriu a porta para mim e eu entrei, colocando o cinto em seguida.

— Comuniquei aos meus pais sobre isso, eles e Bill estão em segurança, agora falta colocar você em segurança. — Ele disse após entrar dentro do automóvel.

Não disse nada, apenas continuei calada. Ele saiu da garagem do hotel com o carro e dirigiu, até uma estrada de terra. Ele dirigia calmamente, sem pressa, não havia ninguém atrás da gente.

— Evelyn te tirou de sua mãe quando você nasceu. Sua mãe era uma detetive, estava procurando Evelyn, mas teve que parar assim que descobriu a gravidez. Mas essa mulher descobriu que sua mãe estava esperando um bebê e resolveu lhe tirar dela. — Ele disse me entregando uma pasta. E continua a dirigir.

Na capa estava escrito em russo, "Цикл Юлии Алексеевой". Em baixo estava traduzido para. "Ciclo de Yuliya Alekseeva". Abri a pasta, dando de cara com a foto de uma mulher. Sua pele clara como a neve, seus olhos cor de mel e suas madeixas em loiro natural. Comecei a ler as informações.

" Yuliya Alekseeva, agente R-17. Atuando no norte da Alemanha. 21 anos, nascida em Murmansk na Rússia. Pais falecidos irmão preso a dois anos " Li algumas informações e logo passei para a outra página. Tinha fotos dela com amigos, relatórios sobre as missões dela e fotos sobre os acontecimentos, passei algumas páginas lendo tudo atentamente, parei em uma parte que continha tudo sobre a gravidez dela. Tinha uma foto da minha suposta verdadeira mãe com a barriga é enorme. Ela trajava um vestido longo roxo pastel, tinha um sorriso feliz no rosto. Em seu pulso estava minha pulseira, e então ali minha ficha caiu.

Ela realmente era minha mãe. Eu realmente havia sido tirada de si. Comecei a ler os textos, que continuavam nas páginas seguintes, até que em um página tinha uma foto dela com um homem, com a mão em sua barriga.

" Estamos ansiosos pela chegada de nossa menina, Rian todos os dias ao acordar, conversa com ela, ganhando um chute em resposta, Anne Victoria irá vir com saude e sabedoria. Estamos ansiosos em lhe conhecer, pequena. "

Senti um aperto em meu coração. Uma mulher conseguiu destruir uma família em dias. A minha família, minha verdadeira família. Naquele momento eu não me reconhecia mais, não sabia se realmente tudo que eu vivi até hoje foi verdade.

— Ei, está tudo bem. Agora é só fugir dela, esperar a poeira abaixar e voltar a rotina normal. — Escutei Tom falar. Fechei a pasta e joguei no banco de trás.

Horas depois, Tom parou o carro em um posto de gasolina, em uma pequena cidade da Alemanha, nesse momento estavamos longe de casa. Eu havia terminado de ler a pasta. Na real, minha vida era uma mentira.

Eu havia nascido em Lübeck, com 9 meses e três quilos. Fui registrada em 25/05, mas nasci no Brasil em 23/05. Claramente um dia depois do meu nascimento, Evelyn me roubou e fui para o Brasil e logo registrou meu nome lá, como cidadã brasileira. Yuliya havia morrido 1 dias após o nascimento, como o laudo de fraqueza e anormalidades da contração uterina. Óbvio que a mulher deu um jeito de conseguir comprar o médico com isso, aliás, dinheiro pode tudo.

In the hands of a guitarist | 𝐓𝐎𝐌 𝐊𝐀𝐔𝐓𝐈𝐋𝐓𝐙Onde histórias criam vida. Descubra agora