● CEGUEIRA ●

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"O que há de mais desastroso na existência,
senão nós próprios? - Charlie Barkley"

Caminhantes nos densos e putrefatos escombros da cidade alheia. Um espaço vago e quase infinito de tecnologia abandonada. Estradas não terminadas, carros afundados em montes de areia, casas e casas de famílias tão impuras que a morte foi doce sobre os olhos das mentes mais insanas e indecentes. Nada abala uma mente abalada. Ninguém impede a curiosidade de alcançar o desconhecido, a não ser o medo e principalmente, a duvida que o ser carrega. Morra, clame ou ousa os que os mortos tem a dizer, mas saiba que voltar da vida até você irá render. Sinta o rio fluir, o rio das águas sujas sobre o sul, sinta o ar melancólico e caricato de São Paulo. Não confie em mim, e eu não confio em você, não espere de mim, o que os seus desejos anseiam em suprimir. Tão cruel... crave em você o olhar de um sobrevivente, uma luz que nunca mais verá brilhar, o calor que nunca mais te deixara confortável e principalmente, a areia e vermes tão cinzentos que revestiram de papel em seu toba!

O sol se põe. O tchau que Sofia da ao sol inicia o estudo da exploração do pai e filha. Os dias da semana ainda não acabaram, sábado e domingo são dias diferentes, mas por enquanto, vamos permitir que a curiosidade que abita na escuridão desse mundo possa nos guiar. Os monstros absurdos que se escondem a espreita, leva Haytan e Sofia para os campos de areia e praga. O céus são tão escuros, que nem as estrelas são possíveis de se enxergar, somente a lua nua e crua, que brilha em um iluminar mais aconchegante do que o sol.

Passo, por passo. Um de cada vez, na sola o asfalto crocante e cinzento das cidades. Naturalmente, as estradas deste mundo só possuem uma única função, servir de referência e localização para a próxima região, estado ou cidade. É difícil se locomover com um veiculo, se não for algo voador, esqueça. Ainda mais, caminhar em um mundo onde a localização se perdeu. Apenas veteranos em estradas, ou aqueles que conhecem bem suas cidades, saberiam se localizar nessas ruas.

Após algumas longas horas distorcidas, caminhadas rápidas e travadas de escalagem em prédios abandonados e derramados em restos de entulho e areia sobre o chão, ruas e ruas tortas como uma serpente com convulsão, finalmente chegam em Diadema, a cidade pela qual já estão muito bem familiarizados, pelo menos Haytan. Está, será a primeira vez de Sofia, e o objetivo de ambos, são os mutantes, a pesquisa. Pelas ruas mais comerciais, se aproximando do centro, ambos se escondem em escombros, nos trolebos. Se locomovendo com furtividade e cuidado, Haytan e Sofia, vem a primeira vista, uma "espécie" nova, alguns mutantes, ou "Lepimans", Mariposas humanas: provavelmente neste local, alguém, ou por vontade própria, algum Estelar, utilizou de seus poderes magníficos e oriundos para realizar algo por livre e espontânea vontade; O Estelar modificou forçadamente um cadaver de humano com várias mariposas, e assim, surgiu estes seres. Algo curioso do que se tornou a cidade nesta era. Gangues, clãs e territórios foram formados pelos vermes, (nós humanos) tais localizações sobre essas gangues e territórios foram tanto divulgadas em rádios específicas para vermes, mas, também foram interceptadas e registradas em segredo pelo, Manifesto Escarlate. Entretanto, a cidade de Diadema, foi abandonada, forçando assim, no meio dessas gangues, Diadema, se tornou o território de quatro Estelares e principalmente, o Capuz escuro, que para os leigos: "este é o lugar, onde ele se esconde." O que é mentira, afinal, Haytan o capuz escuro e sua filha Sofia, mascarada, apenas paseam pela cidade afim de estudar e observar mutantes, Estelares e quaisquer outras coisas.

Sofia, toma uma posição, mascarada, assim como Haytan, ela deixa seu colar-mascara a mostra, e acionando um dos mecanismos, tira uma foto, com a parte da frente do colar. Várias fotos. As criaturas não possuem uma altura fixa, podem tanto serem minúsculos como muito altos e deformados. Seus corpos perderam sentido na anatomia, uma forma grotesca e insetica da realidade, membros alongados e dedos pontiagudos e felpudos; quadris esguios e magros, torax inchado e distorcido, coluna exposta dando ares para um imenso par de asas, de diferentes formas e uma cabeça imensa e horrenda de milhões de olhos, uma lingua cumprida e maleável. Assim como mariposas, sua atenção se volta para a onde existe iluminação, alguns postes em meio a um local semelhante a uma praça circular, várias criaturas rondam essa região, circulam os postes de luz, que curiosamente, estão ligados e pela posição dos objetos, foi feito por um verme humano, na intenção de prenderlos. Tais criaturas absurdas e horrorosas, de uma uma forma meio humilhante de ser humano, mas, não aparentam sentir dor alguma, provavelmente não sentem mais nada, dado informações, assinadas nos cadernos de Haytan, no momento, Sofia fala em voz baixa e entusiasmada:

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⏰ Última atualização: Jul 29, 2023 ⏰

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