Capítulo XX

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14 de Julho de 2007, SermonWest

Ryan

Levanto a cabeça rapidamente quando ouço um estrondo que fez até a estrutura da cama tremer. Saber que foi apenas um trovão deixou-me mais calmo, porém essa tranquilidade não durou muito, pois logo no segundo a seguir reparei que estou no meu quarto, no apartamento de Boston. Sento-me na cama, tento fazer a situação fazer sentido, mas quanto mais penso nisso, mais confuso acabo por ficar. As roupas amontoadas em cima da cadeira e a garrafa de licor vazia estavam no sítio do costume. Em geral, está tudo igual. Na tentativa de me levantar, um toque familiar detém-me, e o meu braço é delicadamente puxado para trás por uma mão pequena e fria.

- Onde vais a esta hora?

Não me viro logo. Não pode ser uma estúpida ilusão. Esta voz. Reconheço-a tão bem. Com o tempo, fui esquecendo como ela era tão sedutora e confiante, como a própria pessoa á qual pertence. Por fim, não contive a curiosidade e quase dou um salto quando a vejo ali, em carne e osso. A minha mente está a praticar truques sujos a mim mesmo? Não, é demasiado real. O seu rosto, parcialmente iluminado com a pouca luz que vem da janela, é demasiado detalhado para ser uma simples ilusão. Posso ver o batom escarlate espalhado para fora da linha dos lábios em direção ás bochechas, as ondas do cabelo claro a caírem pelos ombros esguios e os olhos brilharem como duas pedras preciosas.

Evito olhar mais para baixo. Ela, assim como eu, está sem roupa. Porém não consigo evitar de ver a silhueta do seu corpo no canto do olho.

- Jéssica, o que estás a fazer aqui?

Ela arregala os olhos confusa e dá um pequeno sorriso, sem entender nada.

Ela arregala os olhos confusa e dá um pequeno sorriso, sem entender nada

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- Desde quando nos tratamos pelo nome próprio?

- Eu não...como? – Esfrego os olhos com força. Ainda não consigo acreditar.

- Como assim, mi amor? – Não sei qual tinha sido a última vez que tinha ouvido isso. Fazia dois anos, quase três, que mais pareciam décadas.

- Não me chames isso, por favor.

- Ry, estás-me a assustar.

- Para, por favor. – Insisto e sinto o meu rosto aquecer ao mesmo tempo que as lágrimas começam a desfocar-me a visão. Comprimo os lábios e abano levemente a cabeça. – Porque raios, Jéssica? Porquê que foste embora?

- Eu não estou a entender. – Ela pousa a mão delicadamente sobre a minha e aproxima-se de mim á medida que eu me afasto para o fundo da cama. - Estou aqui, contigo.

- Não estás. Foda-se... Não estás, não estiveste. Eu...nós, estávamos tão preocupados. – Tiro a minha mão debaixo da dela e limpo os olhos. - O que te deu?

- Olha Ryan, não estou a entender o que estás a dizer. Estás a agir tão diferente de há umas horas atrás...

-Não se passou nada há umas horas atrás, Jéssica! Não se passou nada por quase três anos! – Digo alto, quase a gritar. – O que estás para aí a dizer?

A Cabana das Janelas VermelhasOnde histórias criam vida. Descubra agora