CAPÍTULO 32

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|Caroline Baker|

Observo a paisagem do lado de fora do carro enquanto o veículo segue de volta para a mansão. Por incrível que pareça, Nova York está pacificamente tranquila hoje, como se entendesse o tamanho da tempestade que nos atingiu dias atrás e o estragou que a mesma causou em nossas vidas.

Madeleine está ao meu lado. Nós duas sendo as únicas da família com o aval da equipe médica, liberadas da clínica hospitalar, e voltando para casa. Não quis deixar a área, foi preciso muito pra isso acontecer. Deixar Elias e o nosso filho lá... destruiu o meu coração em pedacinhos.

Infelizmente, eu era a única com o pensamento de continuar internada ou quem sabe, como companhia. No entanto, Jeffrey deixou bem claro que a minha presença não era mais aceitável por já ter recebido alta. Confesso que estou morrendo de raiva dele, pois deveria ter ficado do meu lado e autorizado a minha estadia com eles. Do contrário, fez-me dar meia volta e entrar no carro contra a minha vontade.

— Caroline? – Segui o som da voz doce e suave de Mad, olhando-a. — Vamos entrar, querida. Você precisa descansar!

Ela diz isso como se também não precisasse colocar os pés pro ar e ter um bom descanso merecido. Apesar do susto, nada aconteceu com a governanta, essa sendo uma verdadeira dama de ferro e explicando o motivo do seu chefe mantê-la por tantos anos ao lado dele.

— Não sei se consigo fazer isso com eles longe de mim. – Confessei, aceitando a sua ajuda para entrar na residência. — Preciso de um calmante, algo que me faça apagar!

Preciso seguir todas as recomendações médicas que recebi antes de sair, tendo a consciência de que o meu corpo precisa se recuperar aos poucos e com calma. Porém, só irei me sentir motivada a fazê-lo na presença de ambos pois agora o que consigo alimentar dentro de mim é nada além de tensão e ansiedade.

— Irei fazer um chá de camomila.

— Peça que os outros funcionários façam isso, você também precisa descansar!

Subir os degraus da escadaria sozinha nunca foi tão sufocante e desanimador. Já tinha uma ideia boba na minha cabeça, com Elias apoiando-me enquanto nós dois levávamos o nosso bebê para o seu quarto recém formado. Pensar nisso fez com que os meus olhos enchessem de lágrimas, deixando a minha visão turva e o corpo cansado. Estou exausta, enjoada de tanto chorar e ser aprisionada por esses sentimentos ruins.

— Faço questão de prepará-lo. Sabe que eu gosto de ser a única comandante naquela cozinha!

Concordei em silêncio, abrindo a porta do meu quarto e caminhando lentamente até a cama. Toquei o lençol com os dedos, gostando da maciez abrigando a minha pele. Sentia-me abraçada por essa casa, mesmo que nem tudo estivesse como antes.

— Tudo bem, mas não se esforce demais. – Pedi, ouvindo um barulho familiar no corredor.

Não precisa ser nenhum inteligente para descobrir o culpado por trás dele. Hércules adentrou no cômodo com tamanha euforia que quase me matou de susto. Ele sendo o único capaz de me arrancar uma gargalhada sincera.

— Olha só quem apareceu! – Suspirei, sentindo-o lambendo o meu rosto todo. — Está enorme, Hércules, você de fato é um gigante. O meu bebê gigante!

Ele latiu, rodando em cima da cama como quem quer dizer que estou certa ao elogiar o seu tamanho e progresso. Tenho pra mim que esse pequeno filhote, que de pequeno não tem mais nada, ainda irá crescer muito e me pergunto se o seu dono pensou nisso antes de adotá-lo.

— Agora que sei que está protegida e muito bem acompanhada, irei fazer o seu chá e logo retorno.

— Certo, obrigada!

ME PERDOE, CAROLINE - LIVRO 5 [VERSÃO WATTPAD]Onde histórias criam vida. Descubra agora