Bandidos

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Muitas pessoas são atacadas todos os dias nas terras de Kyveth. E se existir um pouco de sorte dentro de si, possivelmente você ficaria agonizando por um tempo até que um clérigo qualquer a serviço do Criador pudesse te oferecer ajuda em troca de algumas moedas. Mas em outras ocasiões - que ocorriam com maior frequência -, morreria antes mesmo de sentir o sol golpeando sua face novamente. Por isso, Arthur dizia ser o homem mais sortudo do mundo, pois no mesmo lugar em que esperava que o fio de sua vida fosse cortado, passou uma pequena caravana liderada por um bardo que lhe ofereceu ajuda, sem pedir nada em troca.


Quando pensava no que havia lhe ocorrido, levantava a sua cabeça e fitava o céu com um sorriso imenso em seus lábios, agradecendo ao Criador por toda sua bondade. Thiago, era esse o nome do líder daquela caravana, se demonstrou receptivo a Arthur. E sempre que tinham tempo - ou seja, quase o dia inteiro, já que cavalgavam em direção a Ghardaïa, onde o bardo dizia que se apresentaria ao Rei Richard Lionhart - contava a Arthur histórias sobre as terras de Kyveth e tentava explicar um pouco sobre a complicada geografia daquele reino fascinante.


O bardo contava tudo de forma animada. Começou explicando sobre o reino onde estavam, Coshamir, e pela forma como falava, Arthur podia julgar que ele já havia feito aquele discurso diversas vezes, pois as palavras saiam de seus lábios quase que automaticamente; e a voz sempre era dramática e às vezes, quando já estava um pouco cansado de conversar sobre história com Thiago, o homem sorria e fingia estar extremamente interessado no que ele lhe dizia, pois não queria parecer estar sendo rude com o seu anfitrião. Principalmente por causa da roupa e da arma que havia recebido dele.


A camisa que vestia o corpo de Arthur parecia ter sido fabricada com um dos mais finos tecidos de Kyveth, pois a roupa azulada com leves detalhes dourados na gola e no peito lhe dava uma sensação de conforto que parecia jamais ter sido sentida por ele antes. Mantinha-o aquecido quando a noite chegava e durante o dia, principalmente nas temperaturas mais elevadas, parecia estar mergulhando em um rio tamanho era a sensação de refrescância que sentia. As calças, de tonalidade escura, também não fugiam do padrão de sua camisa. E a arma que havia ganhado, era uma espada curta com a lâmina um pouco cega e, além disso, o peso da arma não o agradava, mas Thiago, com o sorriso otimista em seus lábios, dizia que quando chegassem a capital, compraria-lhe uma espada bastarda.


Estavam ainda há um ou dois dias da cidade e os cavalos cruzavam a extensa estrada de terra batida que cortava as enormes planícies Grainwood em duas, o nome, segundo Thiago, era devido a um dos generais dos Guardiões da Ordem da Luz, Sir Theodore Grainwood, que naquele mesmo local, por onde agora passavam, marchou com sua cavalaria contra os demônios da Peste Negra que tentavam invadir a capital. Por sua honra e heroísmo, o local foi batizado com o seu nome e bem onde havia morrido, existia uma enorme pedra com o nome de todos os mortos naquela tarde.


O sol já se punha no horizonte e aquele fim de tarde trazia consigo a refrescância de um longo dia de jornada através daquelas planícies esverdeadas. Naquele dia ventara pouco e aquele calor exorbitante havia desgastado completamente os viajantes da caravana, principalmente os cavalos que carregavam todo o peso e eram os que mais faziam esforço dentre todos, que agora louvavam e recebiam de bom grado a brisa fresca que soprava sem muita força. Apenas o suficiente para bagunçar um pouco dos cabelos já despenteados que haviam em suas cabeças. Era um clima relativamente de paz, que infelizmente não durou até o anoitecer, sendo quebrado quando uma seta feita de madeira com a ponta em aço cortou o ar em velocidade, parando apenas quando encontrou o peito de um dos carroceiros que levavam os outros cavalos. Em seguida, um grito de pavor vindo de outro encarregado de guiar as caravanas alertou os demais.

Crônicas de KyvethOnde histórias criam vida. Descubra agora