𝘾𝙖𝙧𝙖 𝙖 𝙘𝙖𝙧𝙖.

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Esther

Deixei que Ada deitasse ao meu lado da cama, já não queria me levantar, ao menos hoje não. Já havia perdido a vontade de sair do meu casulo, não podia, Olívia estava uma fera e havia me humilhado na frente de toda a equipe, dizendo-me coisas xucras, que fizeram todos me olharem, com olhos cheios de julgamentos desnecessários e cruéis. Sabia que isso podia acontecer, mas não queria mais uma confusão com a família Columan. E também não podia deixar que Tamaya continuasse me olhando com um olhar tão decepcionante.

Claro que ela não se importa comigo e não quer saber dos meus problemas, mas não posso negar no clima que fica entre nós, quando nos esbarramos. Chega arrepiar dos pés a cabeça, impactando tudo dentro do meu ser. E são essas coisas que me deixam confusas, esse clima forte e envolvente, a maneira em que ela me olha com curiosidades e me irrita na mesma medida, era complicado e confuso.

— Como você pode deixar que Olívia te humilhasse daquela forma? Até quando ficarás nessa empresa que não te valoriza, Esther?

Ada alisou, com as pontinhas dos dedos, a minha face, de um jeito tão calmo, que fez os turbilhões de pensamentos acalmarem dentro de mim por um instante.

Olhei para ela com o peito agarrado em mim, me machucava lembrar daquelas palavras cruéis e pesadas que a minha chefe disse, era horrível saber que ela me odiava tanto a tal nível. Olívia era fria, soberba e esnobe, se achava a melhor em tudo, e melhor que todos. Coisa que sabíamos que ela não era, mas, como era chefe e pagava nossos salários, tínhamos que abaixar a cabeça muitas das vezes.

— E o que você queria que eu fizesse, Ada? — seu olhar continha tristeza, mas tentei evitar que isso deixasse-me mais na merda do que já estava.

— Enfrentasse-a, Esther, mostrasse a ela o tipo de mulher incrível, corajosa e astuta que você é! — ajeitou seu corpo melhor sobre a cama e apoiou seu peso ao antebraço, seus olhos ainda presos aos meus.

Virei meu corpo para cima, dando de encontro com um teto de gesso, vazio, solitário como eu, nesse exato momento. Um nó na garganta subia, não queria pensar e muito menos chorar, mas estava cansada de todas essas confusões dentro de mim e tanta dor por ser humilhada e ter me calado, eu nunca me calo, mas ontem tinha me calado, era isso ou ficar sem serviço.

Sou uma pessoa agitada, odeio ficar parada. Não suportaria ficar em casa por muito tempo, sei que fiz merda e agora as empresas não confiam em mim para me chamarem nem para uma mera entrevista, como eu me daria ao luxo de sair? Não, eu não podia.

Mas por que ninguém me entendia?

Meu rosto esquentou ao sentir uma lágrima escorrer, eu não queria chorar, porém, era difícil esconder a dor e o cansaço emocional que carregava dentro de mim nesse momento.

Levei uma mão até minha testa, colocando o dorso da mesma ali, enquanto apreciava o teto sem graça em minha frente.

— Claro, Ada, e ficar sem emprego depois! — bufei, soltando uma respiração pesada — Se pelo menos eu estivesse fazendo entrevistas, sei lá, eu super sairia e daria minha cara a tapa, mas isso infelizmente não está acontecendo!

— E daí? Você não pode ficar naquele lugar por mais tempo, ficará doente de tantas coisas ruins que essa mulher faz a você, tu não merece nada disso.

E eu sabia que não merecia mesmo, sempre fiz de tudo pelo site, mas, nunca fui valorizada.

Mais uma lágrima escorreu em meu rosto, algumas queriam sair com tudo, mas engolia, impedindo-as.

Odiosa fascinação [+18]Onde histórias criam vida. Descubra agora