Eu não sabia há quanto tempo eu estava sentada no meu sofá encarando o livro, ou há quanto tempo aquela senhorinha sinistra havia ido embora, eu só sabia que o que ela tinha me falado, ficava martelando na minha mente, causando fortes dores de cabeça.
Eu não podia acreditar naquilo, que um simples livro me mataria, mas eu também não poderia ignorar, não quando eu sentia que o que ela tinha me dito era verdade.
Me levantei do sofá e comecei a andar de um lado para o outro, sempre fazia isso quando eu tinha muita coisa para pensar. Estava fora de cogitação não voltar para o livro e nunca mais ver o Soluço, mas eu também não podia ficar indo e vindo e acabar morrendo, se pelo menos eu conseguisse controlar em qual momento voltar, eu poderia ficar mais tempo dentro do livro e diminuir as viagens, afinal, segundo a velhinha, o que iria me matar não seria necessariamente o fato de eu entrar no livro, mas a quantidade de vezes que eu fizesse isso.
Meus pensamentos foram interrompidos por uma vibração vindo do meu celular, peguei o aparelho e vi que se tratava de uma mensagem da Cami, agradecendo pelo dia e dizendo que havia se divertido muito comigo.
Com certeza, eu não poderia contar para ela, a não ser que eu quisesse uma Camicazi surtando, não, nem ela, nem ninguém poderia saber. Eu ia voltar para o livro, dar um jeito de prender o Viggo e nesse meio tempo, eu iria pensar em uma solução.
Fui até o meu armário, abri a primeira gaveta, peguei alguns analgésicos e os coloquei no bolso, se eu iria passar mal, era melhor eu me prevenir. Voltei para o sofá, me coloquei de frente ao livro e fechei os olhos com força.
- Me leve para ele.
Mesmo com os olhos fechados, senti a intensidade da luz, seguida de uma tontura forte e um mal estar, após algum tempo abri os olhos, percebendo que eu estava na casa do Soluço, agora era só torcer para não ter passado muito tempo.
Quando dei o primeiro passo, senti uma fisgada no meu pé, que subiu pela minha perna, até chegar na minha barriga, com a dor acabei me curvando um pouco e tive que me apoiar na parede para não cair.
- Astrid, está tudo bem? – assim que ouvi a voz de Soluço se aproximando, me endireitei e me virei para ele.
- Sim, tudo bem – forcei um sorriso.
- Tem certeza? – ele me olhou de forma preocupada.
- Sim, absoluta.
- Você estava no mundo real, certo?
- Sim, como sabe? – o olhei confusa – Passou muito tempo aqui?
- Não, mas, a sua roupa.
Olhei para o meu corpo percebendo que eu não havia trocado de roupa e ainda usava um macacão.
- To com tanta coisa na cabeça, que esqueci de trocar, mas olha pelo lado bom, pelo menos não é um short doll – ri tentando amenizar o clima, mas Soluço se manteve sério – fiquei fora quanto tempo?
- Nos falamos ontem a noite, hoje pela manhã não te vi, agora passa do meio dia.
- Então um dia no meu mundo, foi só uma manhã aqui, menos mal – pensei comigo mesmo.
- Eu preciso resolver algumas coisas, nos falamos mais tarde?
Apenas acenei, eu queria falar algo, queria perguntar porque ele continuava estranho comigo, ou porque nem me tocou, nem sequer um abraço ele me deu, mas no momento, tinha algo mais importante do que minhas perguntas.
Andei o mais normal possível, até perceber que Soluço havia virado o corredor, foi quando apressei meus passos, até chegar em meu quarto. Entrei no cômodo, batendo a porta assim que passei por ela e logo em seguida corri até a jarra de água que ficava em uma mesinha, enchi um copo e tomei dois comprimidos, após tomá-los, corri para cama.
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Antes que você se vá...
FanfictionAstrid nunca se considerou uma pessoa romântica, nunca sonhou em viver um conto de fadas ou encontrar o príncipe encantado. Ela sempre se recusou a se apaixonar, para ela o amor só existe em livros, na ficção, nunca poderia ser real, mas será que el...