Capítulo quatorze

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Olivia me levou até seu escritório que ficava no andar de cima, eu ainda estava incrédula com a reação de Chloe. Claro, não é nada agradável ver alguém quase beijando seu namorado, gostei de ter lhe dado essa sensação de desespero e perda.

Só não esperava as consequências disso.

— Sinto muito, querida. Chloe tem sido um peso para Evan desde que ele a conheceu. — Olivia sentou-se na cadeira de couro em minha frente apoiando os braços na mesa do escritório.

Fiquei calada, ainda era possível ouvir ao longe os gritos ensurdecedores de Chloe.

Olivia percebeu meu desconforto e foi até meu lado acariciando meu ombro. Eu gostava da sensação, sentia que ela se importava de verdade comigo, era uma relação profissional, no entanto aos poucos foi se tornando pessoal.

— Sinto que também sou um peso morto para ele.— Falei quase como um sussurro.

— Ei! Claro que não, Evan tem um carinho imensurável por você. — Sua voz era suave.

Olhei para Olivia que tinha um sorriso genuíno.

— Achei que fosse se irrita, porque eu e Evan somos mãe e filhos e ocultamos isso de você. — Ela saiu do meu lado e se apoiou na mesa de madeira marrom do escritório.

— Eu também achei que ficaria chateada de primeira, mas não quero continuar levando a vida dessa forma. — Estalava os dedos um pouco descolada.

— Querida, aos poucos sinto que você está avançando. Não sabe como isso é incrível para mim e para você. — Ela mais uma vez se aproximou e sorriu me fazendo abrir um sorriso.

De repente os gritos de Chloe cessaram e eu e Olivia Peters ficamos conversando sobre a escola, as últimas semanas e senti que aquela conversa não era somente mais uma sessão a fora da minha terapia, mas também era uma conversa de mãe e filha.

Os minutos se tornaram horas, percebemos que a vida é boa e os momentos são incríveis quando estamos do lado de pessoas como Olivia que te olha tão profundamente enquanto escuta você conversar sobre inúmeras coisas.

— Já são quase dez da noite! — Eu exclamei olhando a tela do meu aparelho celular.

— O tempo voa. — Olivia se expressou enquanto fechava as cortinas do cômodo.

Ouvimos batidas leves na porta e logo em seguida ela se abre.

Evan aparece, sua expressão era de cansaço extremo, os olhos estavam fundos e ele parecia aéreo.

Eu me levantei e virei para ele segurando minha jaqueta jeans.

— Está tudo bem, querido ? — A senhora Peters questionava.

— É bom vê-la aqui, Anna. — Em meio a expressão exausta ele deu um sorriso e caminhou até a minha direção me abraçando repentinamente. — Esse abraço. — Ele sussurrou.

— Evan... — Balbuciei. — Eu sinto — Ele cortou minha fala.

— Não precisa falar sobre hoje, na realidade nem eu mesmo sei o que te falar. — Disse Evan.

— Irei deixá-los a sós. — A mãe de Evan se retirou do cômodo e então desfizemos o abraço aos poucos.

Fitei Evan que acariciava meu rosto.

Por que Evan gostava de mim mesmo depois de tudo que eu havia feito ? Para mim, parecia cansativo me amar.

— Chloe tem dependência emocional, quando brigamos ela fica dias sem comer e isso afeta seu problema alimentar. Sei que eu não tenho culpa, Anna... Tenho uma certa estabilidade emocional, mas é tão difícil sentir que uma pessoa necessita de você, dessa forma, sabe ? — Sua voz estava arrastada.

Puxei lentamente seu pulso e o levei para deitar em um pequeno sofá que havia ali. Evan deitou sobre meu peito enquanto eu passava meus dedos entre seus fios de cabelos.

— Isso é uma terapia, Anna. — Ele riu soprado.

— Eu tenho a sensação que te conheço, Evan. — Falei.

— Mas isso não é um fato? — Rimos juntos.

— Não, não é isso. Sabe esse lance de outras vidas ? — Indaguei.

Ele respirou fundo.

— Não, foi nessa vida. — Evan falou tão baixo que eu mal o escutei.

— O que disse? - De repente o barulho do meu celular tocando quebrou todo o silêncio confortável que estava instalado no lugar.

Era minha mãe.

Já era muito tarde.

Evan se levantou do meu peito e me olhou, atendendo a ligação e concordando em ir embora. Desliguei o celular.

— Bem, tenho que ir. — Fiquei de pé.

— Sinto muito por hoje. — Evan suspirou.

— Tudo bem. — Toquei seu rosto frio.

— Vem, eu te levo em casa. — Evan segurou minha mão e descemos juntos até a sala de estar.

Caminhamos até a garagem da casa de Evan, estava exageradamente frio aquela noite.

Entrei no carro e ele deu partida no carro. Ficamos em silêncio, mas não era um silêncio ruim ou desconfortável, era calmo e passivo.

Não demorou muito para que chegássemos de frente a minha casa, minha mãe estava na porta parecia preocupada com minha demora.

— Entregue em segurança. — Evan disse me fazendo rir.

— Olha só, parece até meu anjo da guarda. — Sorri.

— Anjo... — Ele repetiu parecendo nostálgico.

— Até mais. — Ao virar para abrir a porta do veículo e sair, Evan segurou meu pulso delicadamente me fazendo virar e dar de encontro com seus lábios.

Eu e Evan nos beijamos, e não foi apenas um simples beijo, tinha tantos sentimentos envolvidos que eu passaria horas descrevendo cada um deles.

Evan Peters tinha esse dom de curar as pessoas e eu podia jurar que não havia terapia no mundo melhor que a dele.

Paramos o beijo e ele sorriu com os olhos e a boca.

— Eu vou consertar as coisas. — Ele me disse enquanto passeava seus olhos em meu rosto.

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⏰ Última atualização: Jul 11, 2023 ⏰

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Sweet pain| EVAN PETERSOnde histórias criam vida. Descubra agora