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彡★ Capítulo 10, Sherazade:
Meu coração começou a bater tão forte contra o peito que eu tinha certeza de que a Astri conseguiria ouvi-lo, mesmo estando a uns dez passos de distância. Não era possível, não tinha como algo assim acontecer! Isso era simplesmente insanidade.
— Como... isso é possível? — minha voz estava apenas um tom acima de um sussurro. A fada deu de ombros, mas não falou. Ela estava escondendo algo.
— O que você sabe sobre isso? Como chegou aqui? — novamente, tentei ser direta. Queria fazer com que ela não desviasse da pergunta e não começasse aquele joguinho de palavras que as fadas tanto gostam. Por mais que não quisesse, a gente precisava se ajudar. Ela suspirou, mas continuou em silêncio, me encarando. Encarei-a de volta, e ficamos nesse silêncio constrangedor até que ela decidiu falar, vendo que eu não cederia em minha busca por uma resposta.
— Quando cheguei perto do livro, senti uma sucção muito forte no centro do meu corpo, como se uma força estranha me atraísse para dentro. — falou, a contragosto. — Depois, acordei aqui, no Reino da Lua. — ela deu de ombros mais uma vez. — E, de repente, eu era uma garota chamada Rosemary... — Ela pareceu querer continuar, mas parou. Notei uma inconsistência em sua narrativa.
— E a sala branca?
— Ééé... como assim? — ela franziu o cenho.
— A sala branca, quando você entrou no livro, onde estavam as esferas... — Indaguei.
— ... Eu não vi nada disso... — ela falou, puxando seu corpo para trás no sofá, talvez com medo de que eu estivesse ficando louca.
— Tinha uma sala branca quando fui puxada para dentro do livro... e tinha o ser de cabelos lilás... Você o conheceu? — perguntei novamente.
— Não faço ideia do que você está falando. Eu simplesmente caí direto aqui, nessa personagem chamada Rosemary. — ela endireitou as costas e ergueu o queixo, tentando mostrar superioridade, o que era inútil, já que eu estava no controle da situação, ou pelo menos achava que estava. O pior é que ela estava sendo sincera, eu sabia disso, sua raça não permitia mentiras.
— Seu nome não é Rosemary, não é? — perguntei, já sabendo a resposta.
Ela riu baixinho, como se fosse algo muito engraçado.
— Não. Meu nome não é esse. Como eu disse, eu encarnei nessa personagem. Assim como você encarnou na protagonista, o que é estranhamente curioso, se quer saber...
Suspirei e fiquei a encarando, esperando que ela falasse o seu nome real. Não queria pensar sobre o motivo de eu ser Sherazade, pelo menos não agora. Meu foco era sair dali. Fiquei analisando o rosto da fada tremeluzido, tentando perceber alguma brecha que eu pudesse aproveitar, qualquer coisa.
— Olha, se você trouxer alguns livros para mim, talvez eu possa te ajudar a encontrar algo. — ela disse, com precisão, ainda sem me dizer seu nome. — Sabe, eu não quero passar o resto da minha imortalidade dentro desse recinto fedorento, então quanto mais cedo encontrarmos algo, melhor. Agora que, bem, não posso sair daqui, fico limitada, apesar de não gostar nem um pouco disso, quero dizer, da sua boa vontade.
Levantei as sobrancelhas, não esperava que ela fosse tão diplomática assim.
— Okay, apenas não saia daqui. — foi tudo o que consegui dizer.
Me virei para sair, mas ela falou.
— Sabe... nos dias anteriores, antes de encontrar o livro... eu escutei uma voz dentro da minha cabeça. Apenas isso.
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O feiticeiro e o deserto.
FantasyTorthaí é um lugar pertencente ao domínio dos Astris, uma espécie de fada. Jade, uma jovem humana que após ser levada para trabalhar na mansão do um duque de Limethorm, um Astris, por conta de uma dívida, acaba descobrindo um livro que ao abri-lo, f...